A NASA lançou uma nova rodada de chamadas ao setor privado com o intuito de analisar opções de manutenção para o Telescópio Espacial Hubble. Esta iniciativa surge mais de dois anos após a agência ter considerado como arriscadas propostas comerciais examinadas anteriormente.
A solicitação de informações (RFI), divulgada em 29 de outubro, convida empresas a submeterem tecnologias e serviços que poderiam ser aplicados em uma futura missão ao observatório. O prazo final para o envio das propostas é 30 de novembro, embora a consulta não garanta automaticamente a contratação de uma missão.
Apesar de ter operado por mais de 36 anos, o Hubble segue gerando descobertas científicas significativas. A última missão de manutenção tripulada foi realizada em 2009, utilizando o Ônibus Espacial. Contudo, o telescópio tem enfrentado problemas técnicos, como falhas nos giroscópios, que são cruciais para o controle de sua orientação.
A demanda por observações excede em sete vezes o tempo de disponibilidade. Além disso, o observatório enfrenta o desafio da perda progressiva de altitude; atualmente, o Hubble orbita a cerca de 470 km da Terra, mas o atrito com as camadas atmosféricas diminui essa altura com o tempo. As projeções da NASA indicam uma probabilidade de 10% de reentrada atmosférica até setembro de 2032, elevando para 50% até dezembro de 2033.
A nova consulta delineia três caminhos potenciais que poderiam ser desenvolvidos com colaboração comercial. A primeira opção sugere o envio de uma nave espacial para elevar a órbita do telescópio, passando de aproximadamente 470 km para, no mínimo, 600 km, o que mitigaria os efeitos do arrasto atmosférico e estenderia sua funcionalidade. A segunda alternativa combina esse ajuste orbital com serviços de manutenção, visando a melhoria do desempenho e o aumento da capacidade operacional frente aos problemas técnicos. Por fim, a terceira sugestão propõe uma abordagem distinta: em vez de prolongar a vida útil, uma nave espacial auxiliaria no direcionamento do Hubble para uma reentrada controlada na atmosfera terrestre.
A NASA já manifestou interesse em parcerias privadas para apoiar o telescópio. Em setembro de 2022, a agência estabeleceu um acordo com a SpaceX para investigar o uso de uma cápsula Crew Dragon em uma missão de manutenção. Essa iniciativa também envolveu Jared Isaacman, que na época era administrador-chefe da agência e participava do programa Polaris, focado em voos espaciais privados tripulados.
Três meses depois, a NASA emitiu outro pedido de informações, recebendo oito respostas de diversas companhias. Entre elas, destacou-se a Astroscale, especialista em remoção de satélites e serviços de manutenção, em colaboração com a Momentus, desenvolvedora de veículos de transferência orbital. No entanto, em junho de 2024, a agência optou por não prosseguir com nenhuma das propostas. Nessa época, uma das três unidades giroscópicas ainda operantes no Hubble falhou, forçando o observatório a funcionar com apenas um componente, o que restringiu certas possibilidades de observação.
Mark Clampin, então diretor da divisão de astrofísica da agência, ressaltou que os riscos envolvidos poderiam resultar na perda precoce de dados científicos e acarretar desafios tecnológicos. Ele também esclareceu que o trabalho conduzido com a SpaceX constituía um estudo de viabilidade, e não uma recomendação formal para execução da missão. Posteriormente, Isaacman defendeu novamente a viabilidade de uma missão, afirmando que o estudo prévio com a SpaceX havia chegado a uma recomendação favorável à manutenção, o que diverge da avaliação feita por Clampin em 2024. O relatório final desse estudo não foi totalmente divulgado, e uma apresentação obtida via pedido de acesso à informação estava quase inteiramente censurada.
Em junho deste ano, Shawn Domagal-Goldman, atual diretor da divisão de astrofísica da NASA, também sinalizou abertura para reavaliar uma missão robótica. Segundo ele, os custos dessas operações estão abaixo do que foi inicialmente orçado, o que pode contribuir para a redução de despesas operacionais estimadas em quase US$100 milhões anuais. A determinação final dependerá das propostas que o setor privado apresentar até o término do prazo, soluções que poderão definir o futuro de um dos instrumentos mais importantes da história da astronomia.


