Líderes de confissões pedem consultas mais amplas sobre a estrutura proposta para o setor cristão
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Líderes de confissões pedem consultas mais amplas sobre a estrutura proposta para o setor cristão

Líderes de comunidades religiosas apelaram para a realização de consultas mais amplas sobre a estrutura voluntária proposta para autorregulação no setor cristão. Eles enfatizaram a importância crítica de proteger os grupos vulneráveis e preservar a liberdade de crença.

No recente Diálogo sobre Liberdade Religiosa Nacional, o tema da liberdade religiosa na África do Sul foi central. O evento reuniu líderes religiosos, líderes tradicionais, juristas e representantes de fé para discutir formas de garantir a liberdade de convicção, combater atos ilegais e proteger pessoas vulneráveis.

O diálogo ocorreu um dia antes do Dia Internacional da Liberdade Religiosa, celebrado anualmente em 27 de outubro. O evento foi organizado pelo Conselho Africano de Líderes Religiosos e Tradicionais (ARTLC) em conjunto com o eThekwini Metro Interfaith, na igreja World Gospel Impact Church em Wiggins. O bispo Templeton Mbekwa presidiu ao ARTLC.

Os palestrantes focaram no processo da Comissão para Promoção e Proteção dos Direitos das Comunidades Culturais, Religiosas e Linguísticas (CRL) sob sua Seção 22, bem como no projeto de Estrutura de Autorregulação para o Setor Cristão, publicado pelo Comitê Ad Hoc da Seção 22 em dezembro de 2025. A Comissão CRL descreveu este projeto como voluntário e gerido pela igreja.

Lisa Parsie, representando a organização Freedom of Religion South Africa (FOR SA), afirmou que sua organização apoia o instituto CRL, mas tem preocupações com o processo atual da Seção 22. Ela distinguiu claramente a autorregulação voluntária de um sistema que poderia incluir registro ou aplicação de sanções.

Pastor Lazarus Pillay, presidente e fundador da Christian Network International, também exigiu a expansão das consultas. Ele observou que as igrejas necessitam de maior clareza sobre o mandato e o próprio processo para fortalecer a confiança.

Dr. Jonathan Naidu, representando a Unity in Christ e a International Ministers Fellowship, defendeu a parceria com o governo, em vez do controle estatal. Ele apoiou o desenvolvimento de códigos de conduta, treinamento e transparência gerenciados pelas próprias igrejas, insistindo ao mesmo tempo na proteção de mulheres e crianças, e no cumprimento das leis criminais vigentes.

O especialista Suresh Singh, representante da fé hindu, se opôs a regras que poderiam exigir que líderes espirituais realizassem exames ou obtivessem certificação oficial, sublinhando a importância do comportamento ético em instituições religiosas e culturais. Esta contribuição expandiu a discussão para além das comunidades cristãs e reforçou o princípio geral de que a liberdade religiosa deve se estender a pessoas de diferentes crenças e tradições.

Dr. Zveli Mhize, membro do parlamento e presidente do Comitê Parlamentar de Governança Conjunta e Assuntos Tradicionais (COGTA), interagiu diretamente com líderes religiosos sobre a Seção 22. Grant Marais, deputado provincial do Parlamento do Cabo Ocidental pelo Freedom Front Plus (FF Plus), abordou o tema da regulamentação proposta para a Igreja Cristã.

Vuyo Mkize, porta-voz da Southern African Leaders Coalition for Faith, Freedom and Justice (SALC-FFJ), declarou que a liberdade religiosa deve andar de mãos dadas com a responsabilidade. Ela esclareceu que a coalizão não pretende proteger abusadores, mas sim garantir a segurança das instituições religiosas e das pessoas nelas.

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Acusações de exploração de fiéis: Pastores e milagres falsos na África
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Acusações de exploração de fiéis: Pastores e milagres falsos na África

O autor levanta a questão da exploração de líderes religiosos, citando o caso do pastor queniano Paul McKenzie, que foi condenado por fome de seguidores e pelo assassinato de 190 crianças. O autor enfatiza o dever dos pensadores de opinião pública de discutir tópicos críticos como fé, cultura e religião, que moldam a sociedade.

Recentemente, houve muitos relatos na África Oriental sobre as atividades de McKenzie no Quênia, bem como sobre disputas entre pastores do Uganda, como Robert Kayanga e Frank Gashumba, relativas à autenticidade dos milagres realizados por novas confissões cristãs reformadas.

Não se pode ignorar a escalada do conflito em torno de milagres falsos encenados, pois vidas estão em jogo, e as consequências afetam a espiritualidade, a moral e a religião. O debate reacendeu após um figura pública apontar declarações sobre o nascimento de bebês sem útero, cura de câncer e HIV sem assistência médica, bem como promessas de enriquecimento rápido. Essas declarações são vistas como sinais de fraude, manipulação e exploração de camponeses ingênuos e elites urbanas por empresários que utilizam o púlpito da igreja.

Pela primeira vez, muitos usuários da internet, apesar das diferenças étnicas, sociais e políticas, apoiaram Gashumba e seus apoiadores ao contestar curas encenadas e outras graves violações dos direitos humanos. No entanto, em meio ao apoio, o autor notou uma reação excessivamente agressiva por parte de pastores urbanos, apóstolos autoproclamados e crentes pentecostais aos apelos por transparência e responsabilidade.

O autor considera que as acaloradas discussões verbais, maldições e ameaças de morte direcionadas a Gashumba foram inadequadas e indignas dos chamados servos de Deus, e elas revelam os motivos ocultos por trás dos milagres encenados. Em vez de uma discussão contida e intelectual esperada, alguns pastores citaram a violação da liberdade de crença garantida pelos artigos 29(1)(c) e 37 da Constituição do Uganda de 1995.

O artigo indica que o artigo 29(1)(c) está sendo cada vez mais usado de maneiras que contradizem o Protocolo de Palermo — um documento internacional da ONU destinado a proteger as pessoas da exploração. Ao recusar-se a aceitar críticas construtivas, atenção rigorosa, transparência e responsabilidade, esses novos líderes reformados, que se apresentam como pastores e apóstolos, transformam a liberdade religiosa em liberdade de exploração.

A maioria dos pastores neopentecostais e evangélicos usou o cristianismo para enriquecimento pessoal e poder, extorquindo taticamente dinheiro e bens de camponeses pobres que procuravam trabalho, melhoria das condições de vida, cura, oportunidades de viagem e cônjuges. Tradicionalmente, as ofertas e dízimos eram voluntários nas confissões católica, anglicana, adventista, ortodoxa e islâmica, até que as novas denominações evangélicas (pentecostal clássica, evangélica, carismática e neopentecostal) começaram a forçar os fiéis a fazer contribuições fixas e grandes em troca de bênçãos e milagres.

O autor observa que a Bíblia não mostra em lugar algum que Deus ou Jesus Cristo, cujos nomes eles usam para atrair seguidores, colocam um preço nos milagres, misericórdia, perdão ou bênçãos. Além das brigas públicas dos pastores, é muito triste que os autoproclamados servos de Deus tenham transformado o púlpito em um palco de exploração emocional e física, oferecendo falsas esperanças e promessas irrealistas.

Citando as palavras de Jesus Cristo em Mateus 21:13, onde diz: «Meu casa será chamada casa de oração, mas vós a fizestes covil de ladrões», e em Mateus 7:15, alertando: «Cuidado com os falsos profetas que vêm a vocês em meu nome», o autor afirma que esses avisos estão se cumprindo.

É dado o exemplo de Ronald Kayanga, um pastor urbano conhecido, que prometeu a jovens homens se tornarem bilionários em 90 dias através da pulverização de água. Embora o milagre da água possa lembrar a intriga da revolta Maji Maji em Tanganyika, ocorreu no Centro de Milagres Lubaga durante o evento «Grande Correção» em setembro de 2026. A ironia é que este pastor, que arrecada dízimos em dólares americanos há mais de 40 anos, não está entre os bilionários africanos.

O autor questiona como jovens sem capital ou recém-formados em universidades podem se tornar bilionários em três meses, concluindo que isso apenas os torna intelectualmente preguiçosos e propensos a enganos. Apesar de os fiéis dizerem que a fé pode mover montanhas, é necessário rejeitar o engano dos milagres falsos que alguns pastores oferecem.

A exploração vai além de promessas financeiras vazias; ela também é psicológica, quando pastores enganosos tentam ludibriar camponeses ingênuos e elites urbanas com feitiçaria moderna. O autor acredita que essa feitiçaria moderna é usada para explorar até mesmo pessoas altamente educadas. As vítimas frequentemente começam a receber tratamento adequado tarde demais, o que leva à propagação do vírus ou à morte precoce.

A exploração também assume um caráter físico, quando alguns autoproclamados servos de Deus assediam sexualmente meninos e meninas, e outros alimentam a violência baseada na fé e no gênero, destruindo casamentos e famílias.

O autor lembra de um vídeo viral no TikTok onde o pastor Paul Sanyangore supostamente ligava diretamente para Deus por celular, e o profeta David Owuor afirmava conversar com Deus através do WhatsApp durante os cultos. Isso, na opinião do autor, não é apenas uma encenação teatral, mas puro engano, ofensa intelectual e blasfêmia.

O autor observa que tais atos e esquemas de exploração em grande escala ocorrem sob total controle governamental e, às vezes, com seu apoio. Na África, a maioria dos pastores e apóstolos desempenha um papel fundamental na promoção do patrocínio político que sustenta o regime e na mobilização de eleitores. Às vezes, eles desmantelam religiões tradicionais fundamentais e atribuem os fracassos do governo a Satanás.

Quem tentar responsabilizá-los por seus atos rapidamente recebe como desculpa uma citação do Salmo 105:15: «Não toques no ungido do Senhor». Eles não analisam suas ações enganosas que prejudicam a moral, a fé e a religião.

Os estados liberais não apenas se recusaram a regulamentar o setor pentecostal multimilionário e seus pastores, mas também lhes forneceram armas de fogo, atiradores, apoio financeiro, carros blindados e terras estatais. Graças ao apoio das estruturas estatais, eles recebem imunidade legal, bem como poder e riqueza.

Ano após ano, alguns pastores e apóstolos se tornaram rotina em enganar massas com milagres falsos em nome de Jesus Cristo e encobrir má gestão. Outros cometem crimes inimagináveis impunes, exceto em alguns casos, como o caso de Paul McKenzie no Quênia, onde foram obtidas condenações.

O autor conclui que, embora existam pessoas verdadeiramente espirituais no cristianismo que realizam milagres autênticos, a ideia de que qualquer pessoa pode transformar milagres em armadilha ou isca para seguidores levou muitos pastores pentecostais reformados a falsificar milagres e transformar a liberdade religiosa em liberdade de exploração.

A liberdade religiosa se transforma em liberdade de exploração quando os poderes fecham os olhos para os abusos dos direitos religiosos constitucionais. Isso acontece quando a comunidade não consegue responsabilizar os culpados por exploração sexual, tráfico de pessoas e sacrifícios humanos, apesar das acusações e processos constantes contra pastores conhecidos. Também ocorre quando os serviços de segurança e a alta liderança dos poderes executivo, legislativo e judiciário protegem aqueles que fraudam os cidadãos e induzem pacientes ao erro com promessas de milagres.

Quando a liberdade religiosa se torna liberdade de exploração, acontece o seguinte: o contrato espiritual é violado, a igreja se transforma em feudo de comerciantes do púlpito, obcecados pela acumulação de riqueza, e os seguidores se tornam escravos. Embora nem todas as pessoas sejam perfeitas, os pastores não são exceção, mas induzir as massas ao erro em prol do ganho pessoal, sendo lobos em pele de cordeiro, causa o maior dano.

Empresas de IA buscam orientação religiosa e espiritual para definir o comportamento de chatbots
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Empresas de IA buscam orientação religiosa e espiritual para definir o comportamento de chatbots

Empresas de tecnologia estão recorrendo a diversas religiões e a líderes espirituais com o objetivo de discutir e estabelecer diretrizes para o comportamento de sistemas de inteligência artificial (IA). Essa abordagem visa garantir que os chatbots possam tomar decisões responsáveis, reconhecer dilemas morais e evitar fornecer respostas prejudiciais.

Este movimento suscita uma questão fundamental: como integrar variados valores e crenças humanas nas regras que governam as respostas dos sistemas de IA? O interesse neste tópico cresce em paralelo aos debates sobre os riscos inerentes ao avanço desses modelos tecnológicos.

As corporações precisam estabelecer limites operacionais bem definidos, indo além do mero desenvolvimento de softwares cada vez mais sofisticados. Neste cenário, a religião pode oferecer reflexões cruciais sobre temas como justiça, dignidade humana e responsabilidade.

Roberto ‘Pena’ Spinelli, físico formado pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Machine Learning pela Universidade de Stanford, comentou sobre o grande poder de influência dessas plataformas durante o programa Olhar Digital News. Ele salientou que, como os modelos operam dentro dos lares das pessoas, eles recomendam, falam, sugerem e argumentam, e que nenhum modelo é neutro. Tudo possui um viés, determinado por quem o criou, como foi treinado e quais dados foram inseridos.

Uma reportagem da ABC News informou que algumas empresas pretendem coletar contribuições de múltiplas tradições religiosas, juntamente com visões seculares.

A Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude, relatou ter realizado encontros com acadêmicos e líderes de mais de quinze grupos religiosos. Nesses encontros, a empresa apresenta seus modelos e debate questões levantadas pela tecnologia, abrangendo tópicos como limites de uso infantil, educação e conceitos filosóficos acerca da natureza humana.

Outras grandes empresas demonstraram grande interesse no assunto. Representantes da Meta, Google e Amazon estiveram recentemente reunidos com o Vaticano. Já a Microsoft expandiu sua colaboração com comunidades religiosas globais para discutir diretrizes. Tais ações demonstram que moldar o comportamento da IA transcende a esfera técnica, envolvendo valores, diferenças culturais e responsabilidades sociais.

Pena afirmou que, em última análise, esses modelos constroem sua própria moralidade, seguindo ou não um código de ética estabelecido pela empresa. Ele observou que, por vezes, a imposição de um código pela companhia não é seguida pelo modelo devido a outros problemas. Segundo ele, a decisão sobre os valores que a empresa deve incorporar não deveria ser exclusiva dela, pois trata-se de um poder imenso; essa escolha deveria pertencer à humanidade.

Contudo, a inclusão de valores religiosos nos sistemas de IA encontra obstáculos. Os princípios de cada tradição estão intrinsecamente ligados a contextos culturais, históricos e comunitários, e removê-los pode distorcer seus significados. Ademais, diferentes religiões, ou até correntes dentro da mesma fé, podem apresentar respostas conflitantes para uma mesma situação social.

Isso torna difícil consolidar essas perspectivas em um único conjunto de regras, o que poderia apagar distinções importantes e resultar em orientações genéricas que não representam adequadamente nenhuma das tradições envolvidas.

Parte do desafio reside no funcionamento dos grandes modelos de linguagem, que aprendem padrões a partir de vastos volumes de textos gerados por humanos. Embora esse reconhecimento de padrões permita gerar respostas baseadas nas relações identificadas durante o treinamento, ele não equivale a uma compreensão profunda de uma crença nem prova que os sistemas possuam consciência moral ou entendam valores como um ser humano.

Pena questionou a viabilidade de criar uma média dos valores humanos. Ele mencionou que a Anthropic consultou quinze religiões e que a OpenAI também busca algo nesse sentido. Sam Altman expressou o desejo de realizar uma média ponderada da humanidade. No entanto, Pena discordou dessa ideia, argumentando que a média ponderada de todas as visões e morais culturais talvez não seja a solução ideal, pois poderia não ser concisa.

Embora consultar líderes religiosos possa auxiliar na identificação de dilemas éticos, isso não assegura automaticamente que os sistemas tomarão decisões corretas. A complexidade reside em determinar como ponderar valores distintos, especialmente quando estes entram em choque.

Portanto, a questão não se restringe a quais grupos devem participar das discussões, mas sim a como suas contribuições serão consideradas na formulação das regras que guiarão os modelos.

Pena também levantou dúvidas sobre os critérios utilizados nos processos decisórios frente aos impasses. Ele apontou que o que faz sentido para uma cultura pode ser o oposto para outra. Fazer uma média pode levar a um ponto intermediário que não satisfaz ninguém. A pergunta crucial é como proceder: será por representação ou por maioria? Qual ética ou moral será representada? E se alguém tiver preferências distintas da maioria, essa pessoa será rejeitada? Trata-se de uma decisão extremamente difícil.

O desafio das empresas é definir como lidar com valores divergentes em conflito, sem tratar qualquer perspectiva como universal. Para isso, será essencial ouvir grupos diversos, esclarecer os critérios que orientam as respostas dos sistemas e implementar mecanismos transparentes para avaliação e correção de falhas.

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