O Metrô de São Paulo finalizou, no último sábado (31), a aceitação dos bilhetes magnéticos tradicionais nas catracas de suas estações. Este modelo, denominado Edmonson, esteve em uso desde o início das atividades comerciais do sistema em 1974 e será gradualmente substituído por soluções digitais, eletrônicas e de aproximação.
Até este sábado, os usuários puderam empregar os bilhetes antigos nas linhas 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 15-Prata. Aqueles que ainda possuírem essas unidades têm um prazo estendido para trocá-las por bilhetes com código QR, válido entre o próximo domingo (1) e 31 de janeiro de 2027.
Estima-se que cerca de um milhão de bilhetes magnéticos permaneçam em posse dos passageiros. A troca pode ser efetuada nos guichês das estações Paraíso, que serve as linhas 1-Azul e 2-Verde, e Tatuapé, referente à linha 3-Vermelha.
Esta alteração integra o projeto de modernização dos métodos de pagamento do sistema metroviário, visando expandir as opções eletrônicas e digitais disponíveis aos usuários. Segundo o Metrô, a decisão foi motivada por desafios relacionados à manutenção dos leitores de equipamentos e pela complexidade inerente à produção e distribuição desses bilhetes magnéticos.
O processo de gestão desses bilhetes exige manufatura especializada, logística de transporte e armazenamento seguro, além da distribuição contínua para as estações e reposição de estoques. Adicionalmente, há custos associados ao controle de inventário, à coleta dos bilhetes e à conservação dos aparelhos usados para ler as faixas magnéticas.
A transição para sistemas digitais e eletrônicos visa simplificar toda essa estrutura operacional e acompanhar a evolução dos padrões de pagamento.
Embora esteja sendo retirado de circulação, o bilhete magnético Edmonson possui um valor histórico significativo para o transporte público de São Paulo. Utilizado desde 1974, quando o Metrô de São Paulo iniciou suas operações comerciais, esse pequeno cartão de papel com tarja magnética acompanhou milhões de pessoas em seus deslocamentos diários para o trabalho, estudos e outros compromissos ao longo de mais de cinco décadas.
Para o Metrô, este bilhete também carrega uma carga afetiva, representando memórias de diversas gerações de usuários. Sua jornada se alinha à de outros artefatos que marcaram fases da evolução tecnológica e da vida cotidiana, como os relógios analógicos, orelhões e fichas telefônicas.
O nome Edmonson homenageia Thomas Edmondson, que era chefe de estação da Newcastle and Carlisle Railway, na Inglaterra. Em 1839, ele criou um sistema padronizado para emissão de passagens ferroviárias, substituindo os bilhetes escritos à mão por cartões pré-impressos e numerados. Esse método permitia a validação no ato da compra, otimizando o controle de receitas e operações das companhias ferroviárias, sendo posteriormente adotado por diversas empresas internacionais.
Mais de cem anos depois, essa tecnologia chegou ao Metrô de São Paulo. Em 1974, os cartões de papel com tarja magnética representaram uma solução contemporânea para gerenciar o acesso ao transporte subterrâneo. Após 52 anos de uso, o modelo cede espaço a novas modalidades de pagamento.



