Essensai 067 cria um espaço aberto para vida e comunidade, combinando design e experiências
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Essensai 067 cria um espaço aberto para vida e comunidade, combinando design e experiências

O Essensai 067, no bairro de Whitefield, demonstra uma alternativa aos centros comerciais tradicionais climatizados de vários andares, posicionando-se como um local aberto para viver e socializar. Lançado em 2014, o projeto visa combinar em um ambiente verde e espaçoso elementos como alimentação, entretenimento, compras, bem-estar e cultura, oferecendo aos visitantes um descanso relaxante ao ar livre em vez de permanecerem em ambientes fechados.

Este espaço é caracterizado por ser amigável a animais de estimação, o que o distingue de muitos outros pontos de venda e áreas de alimentação. O design e as obras de arte contribuem para desacelerar o ritmo de vida e desfrutar de tempo de qualidade, com foco no desenvolvimento sustentável, na cultura e no envolvimento da comunidade local. A paisagem natural, o uso de energia solar e o design climaticamente adaptado enviam sinais sutis de proteção ambiental.

O anfiteatro e as áreas abertas para encontros recebem regularmente música ao vivo, apresentações culturais, exposições, feiras de pulgas e outros eventos comunitários. O programa de eventos incluiu noites de Garba, carnavais de Natal, Qawwali, exibições de filmes ao ar livre e mercados temporários. Foi até organizada uma feira de pulgas Kidzeprenuer, onde crianças de 6 a 14 anos geriram seus estandes por dois dias.

Harish Mirpuri, diretor executivo da Sai Lakshmi Industries e diretor criativo do Essensai 067, observou que a reação positiva da comunidade confirma sua convicção: «A programação pode dar vida a um local de bairro que vai além de apenas compras e alimentação. O sucesso não reside apenas em quantos as pessoas vêm em uma determinada noite, mas em como elas começam a perceber este espaço como parte de sua vida diária no bairro».

É interessante notar que o nome deste local foi formado pela fusão das palavras essência, Sai Lakshmi Industries, Sai Baba e o código postal 067 do bairro de Whitefield. Mirpuri explica que, como Whitefield está crescendo rapidamente em termos de moradia e escritórios, surgiu a oportunidade de criar uma experiência de vida diferente no bairro: «Um lugar para se passear de manhã, tomar um café, participar de uma atividade, descobrir algo criado, encontrar amigos sem planos complicados ou simplesmente passar tempo ao ar livre».

Este foi o ponto de partida para o Essensai 067. Ele acrescentou que o objetivo era «trazer natureza, arte, comunidade e artesanato em uma conversa junto com comida local e internacional, varejo, bem-estar e entretenimento. Não são atrações separadas reunidas sob um único teto; são diferentes partes de como as pessoas querem viver».

Ao abordar as tendências no setor de varejo e estilo de vida, Mirpuri aponta para as crescentes expectativas dos consumidores em relação a experiências envolventes, diversidade de eventos durante a semana e fins de semana, e participação ativa dos cidadãos. Segundo ele, «As pessoas querem cada vez mais fazer algo, aprender algo, conhecer a pessoa por trás do produto ou fazer parte de alguma experiência».

Ele enfatizou que o espaço foi projetado para parecer pensado, oferecendo viabilidade comercial, mas mantendo um ponto de vista claro. Mirpuri afirma: «A curadoria tem tanta importância quanto a oferta individual».

Em sua opinião, o caráter do local não é determinado apenas pela arquitetura ou pelo layout. «Seu caráter evolui graças às pessoas que o visitam, às marcas e produtores que fazem parte dele, às experiências que se enraízam e aos hábitos que se formam com o tempo».

Falando sobre projetos futuros, Mirpuri explicou que qualquer próximo local deve ter seu próprio entendimento, programa e identidade de bairro. «O pensamento deve viajar; a própria experiência deve pertencer ao bairro».

Em conclusão, o Essensai 067 visa criar um lugar tão dinâmico e atraente quanto a própria cidade, mantendo ao mesmo tempo simplicidade, abertura e a sensação de um espaço de bairro familiar. Mirpuri também deu conselhos a novos empreendedores nos setores de varejo, alimentação e entretenimento: «Antes de decidir o que o espaço deve conter, entenda quem vive ao redor dele, como eles passam o tempo, por que vão a outros lugares e o que lhes falta na vida cotidiana».

Ele aconselhou: «Construa frequência até a fama. É fácil focar no lançamento, em um grande evento ou em um momento de visibilidade. Uma tarefa mais complexa e valiosa é dar às pessoas motivos para voltar» e acrescentou que «A curadoria pode ter mais impacto do que a escala. Nem todo lugar precisa ter a maior variedade ou o maior número de marcas. Precisa ter um ponto de vista claro sobre o que deve estar lá e por quê».

Finalmente, ele recomendou permitir que os parceiros mantenham sua individualidade. «Marcas independentes, artistas, produtores e parceiros de experiências trazem suas próprias comunidades e pontos de vista. O papel do local é acolher, curar e fornecer isso — e não uniformizar tudo em um estilo de marca único».

Mirpuri concluiu que, em negócios focados em experiências, o espaço físico é apenas o começo. «O importante é a relação que se desenvolve entre o local, seus parceiros e as pessoas que retornam. Esses relacionamentos são construídos através da consistência, da capacidade de ouvir e da disposição de evoluir constantemente».

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Ao longo da história, a busca humana por formas de observar o mundo evoluiu significativamente. Na pintura renascentista, a perspectiva linear transformou a tela em uma espécie de janela, organizando a profundidade a partir de um ponto de vista fixo. Leon Battista Alberti, em seu tratado De Pictura (1435), conceituou a pintura como uma abertura para o que se pretende retratar, fazendo com que a paisagem deixasse de ser apenas o que está visível e passasse a ser uma construção visual, selecionada e organizada pelo olhar.

A arquitetura segue uma lógica similar. Uma janela define o que pode ser visto, de onde é observado e, consequentemente, o que integra a vivência diária. Este tema foi crucial para a arquitetura moderna e ganhou destaque em um debate notório na década de 1920. Em 1923, Le Corbusier defendia a janela em fita (fenêtre en longueur) ao longo da fachada, enquanto Auguste Perret se opunha, defendendo a janela vertical, pois acreditava que esta proporcionaria uma visão mais completa do ambiente, abrangendo terra e céu. Perret via a janela em fita como algo que causava uma «amputação da paisagem» ao gerar um «panorama perpétuo».

Este confronto transcende a mera forma de uma abertura; ele expõe uma tensão essencial na experiência de morar: como manter a conexão com a paisagem sem sacrificar a segurança do interior. Historicamente, a relação entre abrigo e natureza tem oscilado entre a exposição total e a proteção, entre o desejo de dominar visualmente o território e a necessidade de encontrar refúgio nele. A teoria de perspectiva-refúgio, proposta por Jay Appleton, sugere que locais que oferecem simultaneamente perspectiva e refúgio atraem particularmente os seres humanos.

Essa dualidade se manifesta de forma intensa perto do mar. Diferentemente de paisagens delimitadas por elementos próximos, o oceano apresenta um campo de visão quase contínuo, limitado apenas pelo horizonte. Sua vastidão o torna distante, e é justamente essa característica que confere poder arquitetônico à vista. Nas residências brasileiras litorâneas, essa interação entre habitar e contemplar assume múltiplas facetas. Os projetos apresentados não seguem um estilo arquitetônico uniforme, mas sim exploram a questão comum: como transformar a vista do mar em um elemento construtivo?

A Casa Angra, situada no litoral do Rio de Janeiro, reestrutura uma edificação existente baseada em sua interação com o mar. A casa é desenhada em múltiplos níveis para incorporar o oceano às diferentes atividades cotidianas, sendo moldada pela paisagem circundante. Em vez de depender unicamente de grandes painéis de vidro, a residência utiliza diferentes níveis de exposição. O muxarabi de madeira funciona como filtro entre o interno e o externo, assegurando privacidade sem cortar o contato visual com o cenário. O mar aparece segmentado pelas ripas de madeira, dividindo a vista em pequenas molduras que o observador deve reconstruir, integrando assim a própria moldura à experiência visual.

Na Casa da Ponte, localizada em Florianópolis, a relação com o mar é definida não por uma exposição ilimitada, mas pela distância que a casa estabelece em relação à paisagem. Suspensa na encosta, a residência aponta para o horizonte, ao mesmo tempo em que mantém uma zona intermediária entre o interior e o exterior, demarcada pela estrutura e pela sombra. Inspirada na ponte local, a estrutura metálica cria uma barreira densa entre a casa e o ambiente natural. Simultaneamente, seus componentes estruturais emolduram a vista e protegem contra o sol poente, fazendo com que o horizonte seja tanto um destino quanto um limite.

Já na Casa Módico, em São Miguel do Gostoso, Rio Grande do Norte, a tática de enquadramento adota uma abordagem distinta. Em vez de abrir a casa totalmente para o oceano com amplos vidros, o projeto estabelece uma conexão mais controlada com a paisagem através de aberturas estrategicamente posicionadas. Dois blocos simétricos estão dispostos no terreno, e uma sucessão de portas de tamanhos variados guia o olhar progressivamente em direção ao mar. A maior abertura, medindo 3 por 3 metros, dá acesso a um deck com vista para a praia, enquanto nos dormitórios, ripas horizontais de madeira filtram a visão, promovendo uma relação mais íntima com o entorno. Na Casa Módico, a ideia é que ver menos possa levar a perceber mais, e o enquadramento confere escala ao horizonte dentro do espaço doméstico.

No Guarujá, São Paulo, a Casa RLW resolve um desafio específico: acomodar um programa funcional amplo em um terreno limitado, preservando a vista para o mar nas áreas sociais. A solução adotada foi organizar a moradia verticalmente, utilizando uma série de patamares escalonados que dão autonomia a cada andar. A casa acompanha o relevo do terreno e aproveita as variações de altitude para criar diversos pontos de observação. A experiência se assemelha a uma cena de cinema, pois, ao percorrer a casa, a relação com a paisagem se modifica, revelando sequências distintas de vistas do mar.

Este artigo faz parte de uma compilação do ArchDaily, que reúne projetos de seu banco de dados classificados por temas específicos, como cidades, tipologias, materiais ou programas. Mensalmente, a publicação destaca coleções de estruturas que unem contextos antes díspares, revelando as influências em nossos ambientes construídos. O ArchDaily valoriza a contribuição dos leitores, convidando-os a sugerir ideias específicas.

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Galeria do Projeto

As informações sobre o projeto foram citadas em ArchDaily em Português, datadas de 25 de Outubro de 2026, sendo acessadas em 26 de Outubro de 2026.

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