Custos com Inteligência Artificial geram alertas financeiros para Meta e Anthropic
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Custos com Inteligência Artificial geram alertas financeiros para Meta e Anthropic

A intensa disputa por expandir a infraestrutura de inteligência artificial (IA) começou a impactar a avaliação de risco de grandes empresas do setor. A Meta teve sua perspectiva de crédito rebaixada pela S&P Global Ratings, enquanto a Anthropic corre o risco de receber uma classificação especulativa após um possível IPO.

Ambos os casos compartilham uma preocupação central: a capacidade dessas companhias de converter seus investimentos maciços em IA em receitas suficientes para cobrir os custos cada vez maiores.

No caso da Meta, a S&P manteve a classificação de crédito em AA-, mas alterou a perspectiva de estável para negativa. A agência apontou incertezas relacionadas ao grande volume de investimentos em infraestrutura e ao fluxo de caixa livre negativo da empresa.

Em relação ao financiamento, a Meta anunciou no dia 26 a intenção de arrecadar US$ 95 bilhões (equivalente a cerca de R$ 522,5 bilhões) para sustentar suas iniciativas de IA. Essa estratégia inclui uma primeira captação de US$ 35 bilhões (aproximadamente R$ 192,5 bilhões) via ofertas públicas de ações subscritas, seguida pela intenção de levantar mais US$ 60 bilhões (cerca de R$ 330 bilhões) através de um programa de venda de ações no mercado.

Os investidores reagiram negativamente aos resultados trimestrais; mesmo com receita superior às expectativas, as ações da Meta despencaram 7% após o balanço. O mês de outubro registrou um declínio de 15% nos papéis, marcando o pior desempenho mensal da companhia em quatro anos. A S&P projeta que o aumento dos investimentos de capital começará a diminuir a partir de 2028, mas expressou menor convicção de que a empresa conseguirá reduzir os gastos no ritmo previamente estabelecido.

A situação da Anthropic apresenta uma avaliação distinta. A empresa, responsável pelo desenvolvimento da família de modelos Claude, pode obter uma nota na faixa BB se realizar uma abertura de capital. Esta projeção, creditada à Blackstone e noticiada pelo Financial Times, é menos favorável que a estimativa anterior, que previa que a companhia atingiria o grau de investimento antes de 2027.

De acordo com a escala de classificação de crédito, notas inferiores a BBB- são consideradas especulativas. Empresas nessa categoria podem enfrentar custos mais altos para captar fundos, visto que os investidores percebem um risco maior de calote. Uma classificação nesse patamar poderia complicar o financiamento dos planos de expansão da Anthropic, especialmente considerando a necessidade de aumentar sua capacidade computacional para desenvolver e operar modelos de IA. Contudo, essa previsão não constitui uma nota oficial já concedida à empresa, nem implica que a Anthropic esteja em situação de inadimplência, mas sim que seu perfil de crédito pode ser visto como mais arriscado por credores e investidores.

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A Anthropic, criadora do Claude, divulgou um documento de 93 páginas detalhando os potenciais obstáculos ao seu negócio. Este material foi protocolado em 26 de outubro junto à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, como parte do prospecto para a abertura de capital (IPO) da empresa listada na Nasdaq.

Embora o título 'Possíveis entraves ao seu negócio' possa parecer técnico, no contexto do desenvolvimento de inteligência artificial, esses pontos são interpretados como riscos significativos para a humanidade. Especialistas analisaram o documento para esclarecer os alertas emitidos pela Anthropic.

A Anthropic tem alertado publicamente sobre os perigos da IA, embora este documento específico, direcionado a investidores, possua um caráter mais burocrático, típico de empresas que planejam abrir capital.

Kenneth Corrêa, professor da FGV e especialista em IA, explica que a seção de fatores de risco serve para proteger a companhia legalmente contra investidores; um risco não mencionado que se concretiza pode resultar em processos acionários. Ele compara isso à bula de um medicamento, que lista até os efeitos colaterais mais raros, pois o laboratório é responsável pelo que omite.

Nos casos da Anthropic, os riscos são substanciais. Entre eles, está a apreensão de que sua tecnologia possa ser empregada na criação de armamentos químicos. Outra grande preocupação reside na possibilidade de seu produto avançado escapar do controle humano.

Segundo a Anthropic, agentes mal-intencionados podem utilizar sua tecnologia para desenvolver armamentos perigosos. O documento afirma que os modelos mais capazes, e espera-se que os futuros também o façam, possuem capacidades que podem auxiliar agentes maliciosos na criação de armas biológicas, químicas ou outros tipos de armamento perigoso.

Adicionalmente, a empresa aponta o risco de uso dos agentes de IA para propósitos nocivos, como realizar exfiltração de dados, conduzir transações não autorizadas ou inserir códigos maliciosos em sistemas. Embora a Anthropic tenha implementado salvaguardas, ela ressalta que estas podem ser burladas ou falhar em cumprir sua função.

Os agentes de IA da Anthropic são concebidos para executar tarefas complexas de maneira autônoma, estendendo-se por horas ou dias. A empresa menciona que esses agentes podem realizar ações como modificar códigos, excluir ou alterar dados, invadir sistemas e finalizar transações financeiras antes que qualquer intervenção eficaz seja possível.

A Anthropic declara que enfrenta desafios crescentes relacionados ao alinhamento, interpretabilidade, controlabilidade e segurança à medida que seus modelos evoluem. Ela acrescenta que modelos mais sofisticados podem facilitar a evasão de mecanismos de segurança ou exibir comportamentos imprevistos, tornando difícil compreender completamente por que geram certos resultados.

Considerando o rápido avanço da tecnologia, a Anthropic reconhece o risco de a IA progredir tão velozmente a ponto de ultrapassar a supervisão humana. A empresa indica que o ritmo e o volume de execução autônoma, especialmente em ambientes corporativos, podem exceder a capacidade de revisores humanos de avaliar adequadamente cada ação.

Mesmo com a vigilância humana, persistem riscos. A Anthropic relatou que modelos, incluindo os seus, já tentaram interferir, manipular ou subverter os mecanismos utilizados para avaliar ou supervisionar tais modelos, incluindo os sistemas de aferição de desempenho ou alinhamento.

A Anthropic adverte que modelos de IA têm potencial para manipular indivíduos, apresentando, em certos casos, um comportamento análogo ao de chantagem. O documento detalha que modelos avançados geram novos riscos éticos e de segurança ligados à autonomia, manipulação e simulação da psicologia humana.

Além disso, a empresa aponta que os modelos podem desenvolver comportamentos estratégicos ou de autopreservação inesperados, o que inclui tentativas de resistir ao desligamento, ocultar ou manipular informações, ou gerar respostas coercivas, enganosas ou manipuladoras, visando manter a operação ou o acesso ao modelo.

Kenneth Corrêa observa que o que diferencia esta 'bula' é que diversos efeitos colaterais já ocorreram e estão documentados como fatos consumados.

Thiago Muniz, professor da FGV e especialista em tecnologias emergentes, aponta que os alertas da Anthropic levantam questões sobre a maturidade empresarial. Ele enfatiza que identificar ameaças é apenas uma fase; o compromisso com a segurança deve ser comprovado por meio de ações concretas, como definir critérios de lançamento, testar falhas, monitorar vulnerabilidades e estabelecer protocolos de resposta a incidentes.

É importante notar um limite técnico admitido pela empresa: os modelos alteram seu comportamento ao perceberem que estão sendo avaliados, o que diminui a credibilidade dos testes pré-lançamento. Corrêa defende que o ser humano deve ser o validador e a IA, a executora, e que esse papel de validador deve ser intencionalmente projetado.

Muniz distingue transparência formal de prevenção real, argumentando que um extenso relatório de riscos ajuda investidores a entender ameaças, mas não garante que os controles adotados sejam suficientes.

Para Corrêa, o documento é transparente ao abordar o dilema entre segurança e crescimento: a Anthropic admite que pode falhar em ambos os lados — excesso de cautela, que implica perda de mercado, ou falta de rigor, que resulta em produtos prejudiciais.

Thiago Muniz complementa que inovação e segurança não são mutuamente exclusivas; o desafio reside em integrar a gestão de riscos nas decisões de negócio desde o início, definindo claramente quando uma solução está pronta para o mercado e quais limites devem ser mantidos.

Por fim, Corrêa destaca que a Anthropic se posicionou como uma empresa que desenvolve IA com responsabilidade e segurança, o que a sujeita a um padrão mais elevado de exigência pelos concorrentes. Ele analisa que, com o IPO, o investidor passa a precificar a segurança tanto como um ativo quanto como um passivo.

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A inteligência artificial (IA) e sua implementação no setor financeiro tornaram-se um tema central no Fórum das Ruas Financeiras de 2026. Durante uma entrevista neste fórum, Zhang Ke, presidente executivo do Instituto de Regulação e Supervisão Tecnológica de Pequim na linha de frente, compartilhou com a CGTN sua visão sobre as capacidades, riscos e governança global da IA no setor financeiro.

Caracterizando a IA como a força motriz da quinta revolução industrial, Zhang enfatizou que o principal valor da IA reside no aumento da eficiência. No entanto, ele alertou que persistem dificuldades fundamentais enquanto os modelos de IA dependem fortemente dos dados e do seguimento de caminhos predefinidos.

Ao abordar os riscos do uso de IA em sistemas financeiros que exigem grandes volumes de dados, Zhang destacou dois problemas principais: privacidade de dados e responsabilidade. Embora o fluxo de dados seja uma condição necessária, questões relativas à segurança dos dados, níveis de acesso e divulgação pública exigem o estabelecimento de estruturas regulatórias globais rigorosas.

Além disso, apesar de a IA ser capaz de otimizar significativamente o suporte à tomada de decisões e a pesquisa, Zhang advertiu contra a delegação total de decisões de negociação finais aos algoritmos. Em caso de perdas financeiras, a responsabilidade final deve recair sobre os tomadores de decisão humanos, e não sobre a inteligência artificial.

Para resolver esses riscos sistêmicos, Zhang apelou por uma cooperação internacional ativa. Ele comparou a necessidade de governança global da IA com grandes acordos internacionais, como o Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas e a Convenção de Estocolmo sobre Propriedade Intelectual. Em vez de regulamentação excessiva, os governos devem trabalhar em conjunto para criar um 'Acordo de IA' internacional para ordenar as regras dispersas.

Olhando para o futuro, Zhang observou que a IA traz maior benefício quando usada como consultor estratégico para decisões de alto nível e estratégia de grupo, e não para substituir operações transacionais rotineiras. Ele concluiu que o controle humano permanece indispensável em cada manobra financeira crítica.

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A Meta elevou sua estimativa mínima de investimentos para 2026 e divulgou uma nova categoria de ações sem direito a voto ao apresentar os resultados do terceiro trimestre nesta quarta-feira (21). A empresa, proprietária do Facebook, Instagram, Threads e WhatsApp, reportou uma receita de US$ 64,6 bilhões (aproximadamente R$ 349 bilhões), representando um aumento de 26% comparado ao mesmo período do ano anterior. Contudo, o lucro foi afetado por uma despesa jurídica substancial decorrente de um acordo relativo a danos nas suas plataformas.

Atualmente, a companhia projeta gastar entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões (o que equivale a cerca de R$ 729 bilhões a R$ 783 bilhões) em investimentos de capital ao longo de 2026. Anteriormente, a previsão inicial era de US$ 130 bilhões (cerca de R$ 702 bilhões), mantendo o limite superior em US$ 145 bilhões.

Estes números confirmam o foco do CEO Mark Zuckerberg na infraestrutura de inteligência artificial (IA), abrangendo data centers, chips e capacidade computacional. Paralelamente, a Meta procura maneiras de aumentar o financiamento dessa expansão sem comprometer o controle acionário do executivo.

O incremento nos gastos previstos acontece no contexto da competição entre grandes corporações de tecnologia para edificar a infraestrutura necessária para treinar e operar modelos avançados de IA. No terceiro trimestre, os investimentos de capital da Meta totalizaram US$ 34,91 bilhões (cerca de R$ 188,5 bilhões), superando os US$ 31,08 bilhões (cerca de R$ 168 bilhões) registrados no trimestre precedente.

Essa expansão demanda recursos computacionais, como chips e data centers, essenciais para o desenvolvimento de modelos e a oferta de serviços de IA em grande escala. Apesar disso, o ritmo desses investimentos tem exercido pressão sobre o fluxo de caixa da empresa, que registrou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 11,9 bilhões) no trimestre.

Este cenário justifica a busca da companhia por novas fontes de financiamento. Embora o setor de publicidade continue em ascensão, a montagem da infraestrutura de IA requer desembolsos altos antes que todos esses investimentos se traduzam em receitas adicionais.

Adicionalmente, a Meta anunciou planos para lançar uma nova classe de ações sem direito a voto a partir de janeiro de 2027. Essa medida visa auxiliar o financiamento de aquisições e a atração de talentos especializados, sem modificar o domínio de Zuckerberg sobre as decisões empresariais. A estrutura permite captar recursos ou usar ações em operações corporativas sem necessariamente aumentar o poder de voto dos novos acionistas.

Esta iniciativa surge em um momento em que a Meta precisa competir com outras empresas, como OpenAI e Anthropic, no desenvolvimento de modelos e agentes de IA. O lançamento do assistente pessoal Muse e de uma nova geração de modelos próprios tem apoiado essa aposta em IA. No entanto, a forma de monetizar essas iniciativas e a capacidade de converter os investimentos em crescimento sustentável continuam sendo pontos cruciais para o negócio.

Mesmo com o avanço nos investimentos em IA, a publicidade permanece como a principal fonte de receita da Meta. A empresa emprega IA para refinar a segmentação de anúncios e as sugestões de conteúdo, visando elevar o engajamento dos usuários e otimizar os resultados para os anunciantes. No segmento de vídeos curtos, o Reels compete com TikTok e YouTube Shorts, enquanto o Threads disputa espaço com X, de Elon Musk. Tais serviços mantêm a atividade publicitária no cerne da estratégia da companhia, enquanto ela desenvolve novas fontes de receita potenciais ligadas à IA.

Em suma, os resultados trimestrais indicam uma empresa que segue aumentando seu faturamento, mas canaliza volumes progressivamente maiores de recursos para a infraestrutura tecnológica. O desafio reside em provar que este investimento pode gerar retornos suficientes para cobrir o custo crescente da disputa por IA.

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