COP17 da biodiversidade aproxima-se do fim sem acordo sobre pontos chave de preservação da natureza
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COP17 da biodiversidade aproxima-se do fim sem acordo sobre pontos chave de preservação da natureza

A 17.ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (COP17), realizada em Erevan, Arménia, encontra-se a poucas horas do seu encerramento oficial, com os Estados participantes demonstrando grande distância de alcançar um consenso sobre os elementos centrais para a preservação da Natureza, o que pode levar a uma continuação das discussões durante a noite.

Após quase duas semanas de andamento, persistem divergências significativas em relação a temas cruciais. Estes incluem a concessão de subsídios a atividades prejudiciais ao meio ambiente, como a extração de petróleo; a definição da melhor metodologia para custear a proteção da biodiversidade; e o aumento da contribuição corporativa para um fundo das Nações Unidas dedicado à conservação da natureza, que enfrenta escassez de recursos.

Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero, comentou em nota enviada à Lusa que vários assuntos vitais ainda aguardam decisão. Ele ressaltou que, embora tenham ocorrido avanços técnicos e decisões importantes ao longo das duas semanas, as questões de índole política mais complexas permanecem sem solução. Ferreira afirmou que a COP17 evidenciou que o mundo possui o conhecimento necessário para conter a perda de biodiversidade, mas o obstáculo reside na ausência de vontade política, financiamento e decisões concretas, estando o progresso para 2030 aquém das metas estabelecidas em 2022.

Uma reunião plenária prevista para o início da tarde foi adiada para o começo da noite, enquanto grupos de trabalho mais restritos continuam a operar. As conversações na COP17 concentram-se primariamente na elaboração de um «balanço global» dos avanços na área da biodiversidade, um documento aguardado, mas ainda pendente, apesar do otimismo inicial sobre a sua conclusão antes do dia corrente.

Este balanço deve ser fundamentado nos resultados obtidos após o Acordo de Biodiversidade de 2022, conhecido como Acordo de Kunming-Montréal, que é comparável ao Acordo de Paris para as alterações climáticas. Este acordo definiu 23 metas a serem atingidas até 2030, tais como proteger 30% das áreas terrestres e oceânicas, combater a poluição e espécies invasoras, e restaurar ecossistemas degradados; contudo, a maioria destas metas encontra-se em atraso.

O objetivo do balanço global é orientar os Estados para o caminho correto através de propostas tangíveis, mas os países enfrentam dificuldades notórias ao lidar com as questões relativas aos subsídios concedidos a práticas nocivas, estimadas em 2.600 mil milhões de dólares anuais. Outro ponto de discórdia relevante é determinar quem deve arcar com os objetivos financeiros definidos até 2030, num contexto onde as finanças públicas de muitos países estão sob pressão, levando estes a tentar evitar a responsabilidade de aumentar as dotações.

Francisco Ferreira identificou o financiamento como o «principal bloqueio» da cimeira, destacando uma «contradição enorme entre o financiamento à conservação e os subsídios que promovem a destruição de habitats, a deterioração dos solos e a sobrepesca». Além das questões monetárias, o presidente da Zero mencionou que as posições adotadas por certos países, especificamente Rússia e Arábia Saudita, estão a complicar a colaboração entre biodiversidade e alterações climáticas, bem como o reconhecimento científico e a articulação com outros pactos internacionais.

O presidente da Zero também expressou preocupação com a persistência de divergências sobre a participação efetiva dos povos indígenas e comunidades locais, sublinhando que é profundamente inquietante o tempo dedicado a «discutir palavras» em detrimento da implementação de ações concretas, visto que a proteção da biodiversidade sustenta tanto as condições de vida humana quanto as economias.

A União Europeia tem tentado persuadir grandes economias emergentes, como a China, a aderirem à base oficial de doadores, sem obter sucesso até ao momento. Os esforços para fortalecer o «Fundo Cali», um mecanismo das Nações Unidas destinado a partilhar os lucros gerados por empresas que exploram dados genéticos de plantas e outros organismos, também se mostram desafiadores.

Em eventos anteriores, como a cimeira de biodiversidade na Colômbia em 2024, as negociações terminaram sem acordo sobre o financiamento da conservação, sendo retomadas e finalizadas em Roma, no início de 2025. Em Erevan, deverá ser decidido hoje se será o Panamá ou o Equador o anfitrião da próxima cimeira, a COP18, em 2028. Na véspera do encerramento da COP17, Astrid Schomaler, responsável pela biodiversidade da ONU, apelou aos países para que demonstrem «audácia e inovação para encontrar terreno comum».

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Negociações sobre o futuro da concessão do Aeroporto de Viracopos permanecem paralisadas após término de comissão
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Negociações sobre o futuro da concessão do Aeroporto de Viracopos permanecem paralisadas após término de comissão

Quatro meses após o encerramento do prazo da comissão de autocomposição, as tratativas relativas ao futuro da concessão do Aeroporto Internacional de Viracopos, localizado em Campinas (SP), continuam estagnadas. Embora um relatório consolidando os termos acordados entre o setor público e a concessionária tenha sido finalizado, ele ainda aguarda aprovações necessárias.

O levantamento realizado pelo g1 indicou que o documento, elaborado após a conclusão dos trabalhos em 10 de junho de 2026, está atualmente sob avaliação da Advocacia-Geral da União (AGU), que propôs alguns ajustes específicos. A chancela deste órgão só deve ser emitida após o período eleitoral.

Posteriormente, o relatório passará por uma revisão da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) antes de ser apresentada uma coletiva de imprensa para divulgar os pormenores do acordo.

A comissão de autocomposição visa solucionar questões através do diálogo entre o poder público e a concessionária. Este grupo foi instituído devido a insatisfações relacionadas ao contrato vigente e ao término do processo de relicitação, determinado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Tentativa de acordo

O diretor-presidente da Anac, Tiago Chagas Faierstein, confirmou que as negociações prosseguem, pois há outros participantes envolvidos, mas optou por não fornecer detalhes devido ao sigilo. Ele comentou que o ano foi incomum por causa das eleições, o que tornou o processo mais lento, mas expressou a expectativa de que tudo seja concluído antes do final do ano.

A concessionária Aeroportos Brasil Viracopos comunicou, por meio de nota oficial, que não fará declarações sobre o tema, em observância ao termo de confidencialidade (NDA) assinado pelas partes.

A AGU foi contatada pelo g1, mas não forneceu retorno até a última atualização da matéria.

A comissão de autocomposição foi estabelecida em outubro de 2025, após solicitação da concessionária e o fim do processo de relicitação. Esta mesa de negociação representa a derradeira chance de manter a Aeroportos Brasil Viracopos administrando o terminal.

Com o encerramento do processo de relicitação do terminal, a operação do aeroporto poderia retornar ao governo (entrando em caducidade) ou a concessionária poderia permanecer responsável pelo terminal. A Comissão de Autocomposição de Viracopos foi criada justamente para buscar uma resolução para essa situação.

A validade da comissão foi prorrogada em duas ocasiões, sendo a última por meio de uma portaria do Ministério de Portos e Aeroportos, em abril de 2026. A duração do grupo findou em 10 de junho.

Em janeiro deste ano, o Ministério de Portos e Aeroportos confirmou que, dentro da comissão, estavam sendo debatidas as possibilidades de incorporar «outros ativos» à concessão do Aeroporto de Viracopos.

Naquele momento, o g1 apurou que uma das opções analisadas incluía a incorporação de seis aeroportos localizados no Norte e no Nordeste, sendo três no Amazonas (AM), um no Pará, outro no Acre e mais um na Bahia.

Impasse na concessão

O processo de relicitação de Viracopos não avançou porque o prazo legal para a publicação do edital expirou em 2 de junho de 2025, conforme estabelece a Lei de Relicitações, que prevê um período de dois anos a contar da abertura do processo.

A relicitação seria retomada somente após o insucesso da tentativa de acordo consensual entre o governo federal e a concessionária. O ponto central do impasse residia no cálculo da indenização que a Anac deveria pagar à ABV, abrangendo tanto os investimentos feitos desde 2012 quanto eventuais ressarcimentos futuros.

O TCU determinou que a Anac contratasse uma auditoria para definir esse montante antes de lançar o edital. Embora a contratação tenha sido aprovada, o documento nunca foi tornado público, o que resultou na paralisação do procedimento.

Segundo o TCU, outra causa para a não concretização da solução consensual foram as dificuldades impostas pela própria concessionária.

Crise

Viracopos, classificado como o quinto aeroporto mais movimentado do país, tem enfrentado uma crise financeira desde 2017. Naquela época, a concessionária solicitou recuperação judicial e, posteriormente, aderiu à relicitação, tornando-se o primeiro aeroporto brasileiro a seguir esse caminho.

A partir de 2023, impulsionada pela melhoria nos resultados financeiros e pelo endosso do Ministério de Portos e Aeroportos, a ABV buscou encerrar a relicitação e retomar a via amigável junto ao TCU, visando a manutenção do contrato.

O principal obstáculo nas negociações conduzidas pela Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos (SecexConsenso), órgão vinculado ao TCU, foi a discordância acerca do valor da indenização. Após o arquivamento do processo, a concessionária levou a questão para a arbitragem judicial.

Em paralelo, a Anac calculou o ressarcimento em R$ 2,5 bilhões, referente aos investimentos que ainda não haviam sido amortizados até 31 de dezembro de 2022.

De recuperação à relicitação

O último plano de recuperação judicial do aeroporto foi protocolado em dezembro de 2019 e teve sua aprovação em fevereiro de 2020, resultado de um acordo firmado entre a concessionária, a Anac e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A Justiça encerrou o processo de recuperação em dezembro de 2020, e o processo de relicitação iniciou-se logo em seguida. O edital foi aprovado em agosto de 2021.

A Aeroportos Brasil Viracopos já havia demonstrado interesse em devolver a concessão em 2017, mas o trâmite foi interrompido porque a Lei nº 13.448/2017, que regulamenta as relicitações de concessões públicas, só foi regulamentada em 2019.

Reestruturação financeira

Graças à melhoria financeira, o aeroporto voltou a atingir recordes de passageiros nos anos de 2022 e 2023, o que fortaleceu o argumento da concessionária de que a continuidade da gestão privada seria mais benéfica do que uma nova licitação.

A dívida total da ABV alcançou R$ 2,88 bilhões, englobando débitos bancários e outorgas atrasadas incluídos no processo de arbitragem.

Atualmente, a Infraero possui 49% das ações de Viracopos. Os 51% restantes são divididos entre a UTC Participações (28,41%), Triunfo Participações (68,65%) e Egis (2,94%), que conjuntamente formam a concessionária Aeroportos Brasil Viracopos.

Segunda pista

A implementação da segunda pista estava condicionada a uma meta de pousos e decolagens. Em maio de 2026, o g1 noticiou que uma das discussões envolvia a antecipação da construção dessa segunda pista, cujo desenvolvimento dependia de atingir uma meta de 178 mil pousos e decolagens anuais. Atualmente, o volume de movimentações gira em torno de 124 mil.

Já em 2012, a concessionária havia anunciado a intenção de adiantar a construção da pista adicional, originalmente prevista para 2018. Mais tarde, este prazo foi recalculado para 2017, mas o projeto jamais foi implementado.

A ausência de uma segunda pista causou a inoperância do aeroporto por 45 horas em outubro de 2012, após um cargueiro sofrer uma pane e impedir a chegada e partida de outras aeronaves. Adicionalmente, essa alternativa havia sido vista como crucial para atrair voos internacionais adicionais.

Uber lança recurso 'Preferências de Partida' para auxiliar idosos e pessoas com deficiência no embarque
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Uber lança recurso 'Preferências de Partida' para auxiliar idosos e pessoas com deficiência no embarque

A Uber introduziu o recurso denominado 'Preferências de Partida' nesta quarta-feira, dia 21 de outubro, com foco em atender às necessidades de idosos e pessoas com deficiência. Esta nova funcionalidade visa simplificar o processo de embarque, permitindo que esses passageiros forneçam instruções detalhadas aos motoristas sobre como localizá-los no ponto designado pelo aplicativo.

Com esta adição, os usuários podem especificar características visuais que auxiliem na identificação, além de escolher o método preferencial para o condutor sinalizar sua chegada. Por exemplo, é possível solicitar que o motorista utilize o piscar dos faróis em vez de tocar a buzina, ou que chame o cliente pelo nome.

A liberação desta função ocorrerá de maneira gradual para todos os perfis de conta nos próximos dias. Este recurso complementa outras ferramentas de acessibilidade já existentes na Uber, tais como a opção de indicar deficiência, o suporte a leitores de tela e a Conta Sênior, que foi desenvolvida para tornar a interface do aplicativo mais simples.

O motorista receberá automaticamente todas as orientações sobre como encontrar o usuário. O aplicativo notificará se a pessoa utiliza bengala, óculos escuros, muletas, andador ou cadeira de rodas, entre outros itens, e indicará a preferência de comunicação na chegada. Para o cliente, basta configurar tudo diretamente no aplicativo para que a Uber saiba como agir em todas as situações.

As marcações de identificação são personalizadas, mas é possível ativar múltiplos tipos de alertas para o momento da chegada do motorista. As opções incluem chamar o nome do cliente, iniciar contato via aplicativo, acender as luzes ou usar a buzina.

Além disso, outras configurações de acessibilidade permanecem disponíveis. A Conta Sênior, por exemplo, otimiza os ícones e ajusta os botões para proporcionar uma melhor experiência a idosos, enquanto recursos de leitura de tela, como Talkback e VoiceOver, também operam no aplicativo. O aplicativo da Uber também possibilita que o usuário informe sobre alguma deficiência ou se identifique como portador de cão-guia.

Clientes com deficiência têm direito à isenção das taxas de espera, diferentemente dos demais usuários, que podem solicitar o reembolso desses custos. O procedimento para ativar o novo recurso é descomplicado e pode ser realizado inteiramente dentro do próprio aplicativo. Adicionalmente, a empresa assegura assistência para outras questões de acessibilidade não contempladas inicialmente, mantendo um canal de suporte psicológico disponível para casos de discriminação vivenciada durante as viagens.

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