Arábia Saudita suspende viagens de cidadãos ao Quênia devido surto de Ebola
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Arábia Saudita suspende viagens de cidadãos ao Quênia devido surto de Ebola

A Arábia Saudita implementou medidas de precaução adicionais contra o vírus Ebola, incluindo a suspensão da entrada e saída de cidadãos do Quênia após uma avaliação da situação realizada pelos órgãos de saúde.

De acordo com as novas restrições, aos cidadãos da Arábia Saudita é proibido viajar para o Quênia. Além disso, o Conselho Real de Saúde Pública anunciou na sexta-feira, 30 de outubro, a suspensão da emissão de todos os tipos de vistos para viajantes desta nação da África Oriental.

A entrada no Reino também está fechada para quem chega do Quênia, incluindo aqueles que fazem trânsito por outros países, se residiram no Quênia ou em outro país onde houve um surto de Ebola nos 21 dias anteriores à chegada.

O Quênia confirmou seu primeiro caso de Ebola em 6 de outubro, após a morte de um cidadão queniano que chegou da República Democrática do Congo e faleceu em Nairóbi.

O Quênia tornou-se o quarto país a registrar um caso relacionado à epidemia de Ebola no leste do Congo, que é o segundo maior registrado, com mais de 8000 casos.

As últimas medidas de precaução da Arábia Saudita complementam os esforços existentes do Reino para prevenir a propagação do vírus. O Reino começou a impor restrições ainda em julho de 2019 e as reforçou em maio de 2026 para viajantes de países afetados por surtos de Ebola.

Em junho de 2026, a Arábia Saudita também suspendeu as viagens de seus cidadãos e residentes para a República Democrática do Congo, Uganda e Sudão do Sul. Para viajantes vindos de países vizinhos às áreas afetadas, foram introduzidas medidas de precaução adicionais, incluindo inspeções nos pontos de entrada, investigações epidemiológicas e ações precoces de saúde.

O órgão de saúde pública (Weqaya) informou que a situação de saúde na Arábia Saudita permanece encorajadora e sob vigilância rigorosa. Adicionou que o Reino continua a monitorar eventos regionais e internacionais em coordenação com as autoridades competentes e implementará medidas preventivas adicionais conforme necessário para proteger cidadãos, residentes e visitantes.

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Especialistas em saúde alertaram à Lusa que a desconfiança da população local e o histórico de violência no leste da República Democrática do Congo (RDCongo) estão complicando o enfrentamento do Ebola, fazendo com que a epidemia avance de forma oculta nas estatísticas oficiais.

Mohamed Yakub Janabi, Diretor Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, informou que, em 20 de outubro, a RDCongo registrava 9.704 casos confirmados e 4.687 óbitos, resultando em uma taxa de mortalidade de 48,3%. Contudo, a percepção no campo indica que os números reais são consideravelmente maiores.

Tomás Bandeira, responsável de medicina tropical da Médicos Sem Fronteiras (MSF), alertou que os dados disponíveis provavelmente subestimam a realidade, permitindo que a doença se espalhe 'nas sombras' e indicando que o problema 'está longe de estar resolvido'.

O responsável da MSF relatou que há muitos casos que não chegam a tempo de receber tratamento, em locais inacessíveis, seja porque as comunidades não aceitam as equipes, seja devido às condições de segurança.

O médico português explicou que a população local demonstrava desconfiança em relação às equipes internacionais, pois não tinha histórico de contato com organizações humanitárias e estava acostumada a procurar ajuda junto a estrangeiros ligados à mineração ou a utilizar tratamentos tradicionais.

Para superar essa falta de confiança, que culminou em ataques a centros de tratamento, como ocorreu em Nyankunde em julho, a OMS e seus parceiros intensificaram o trabalho com líderes comunitários, religiosos, praticantes de medicina tradicional, sobreviventes e agentes de saúde locais, conforme detalhado por Mohamed Yakub Janabi.

Em Nyankunde, foram realizados 32 diálogos envolvendo mais de 1.500 líderes e figuras influentes. Essa ação elevou os alertas comunitários diários de um pico de 11 para algo entre 60 e 70 em setembro, e não houve novos ataques no local desde julho.

Similarmente, em Mongbwalu, quase seis meses após a chegada da MSF, o engajamento com autoridades locais e líderes comunitários ajudou a fazer com que o centro de tratamento fosse aceito pela população, levando as pessoas a retornar ao hospital.

O Ebola é caracterizado por ser altamente contagioso, transmitindo-se pelo contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados, incluindo vômito e sangue, ou pelo toque em superfícies e materiais contaminados, como roupas de cama e vestuário.

A epidemia, causada pelo vírus Bundibugyo — sobre o qual persistem incertezas clínicas devido à carência de dados comparativos —, é classificada por Tomás Bandeira como 'uma crise dentro de uma crise'.

O médico lembrou que a situação no país, vizinho de Angola, ocorre em um contexto de conflito armado, com a presença de diversos grupos paramilitares, o que gera altos níveis de deslocamento populacional e surtos concomitantes de cólera e malária.

O dirigente da OMS salientou que, enquanto o Ebola necessita de acesso confiável a pacientes e rastreamento de contatos, a cólera demanda água potável, saneamento e vacinação específica.

Adicionalmente, o médico português observou que o foco exclusivo no Ebola está desviando atenção e recursos de campanhas de vacinação e do combate a outras doenças letais, como a malária.

Para conter a transmissão, o diretor regional da OMS defendeu como necessidades urgentes garantir acesso humanitário seguro, assegurar financiamento previsível, prover apoio e pagamento confiável aos profissionais de linha de frente, além de fornecer suprimentos e materiais apropriados.

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O surto de Ebola está se espalhando rapidamente na África. A infecção, que começou no Congo em maio, agora atingiu vários países, tornando difícil para as autoridades de saúde controlá-la. A dificuldade em controlar a doença é agravada pela vigilância fraca, pela constante movimentação das pessoas e pela escassez de serviços de saúde. O vírus responsável por este surto é o vírus Bundibugyo, um tipo raro do vírus Ebola. Atualmente, não há vacina aprovada ou tratamento específico disponível para este vírus, e as preocupações com o número de casos e mortes estão aumentando.

Neste mês, houve suspeita de contato entre dois pacientes, um do Níger e outro do Quênia, no Aeroporto Entebbe, no Uganda. De acordo com autoridades da Africa CDC, uma agência de saúde pública especial e autônoma da União Africana, ambos os pacientes viajaram de lá em 3 de outubro, embora a investigação ainda esteja em andamento. Um caso de infecção foi confirmado em uma mulher no Níger, e 44 pessoas em contato com ela estão sendo identificadas. Enquanto isso, nove casos foram registrados no Quênia.

Neste surto que se espalhou no Congo desde maio, mais de 9.500 pessoas foram infectadas até agora. Casos relacionados a este surto foram registrados em cinco países: Congo, Uganda, Quênia, França e Nigéria. Uma mulher retornada do Uganda foi confirmada como infectada na Nigéria, apresentando sintomas a partir de 7 de outubro. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, não está claro se esta mulher viajou para o Congo. Os nove casos no Quênia estão ligados a uma pessoa que viajou do Congo para o Uganda. Além disso, um médico que retornou do Congo contraiu a infecção na França em junho, recuperou-se e recebeu alta hospitalar em 4 de julho.

As principais causas da disseminação do vírus Ebola na África incluem o contato com animais selvagens infectados, especialmente morcegos frutíferos, e o consumo de carne infectada. Este vírus se transmite aos humanos através do contato direto com sangue, vômito, diarreia e outros fluidos corporais de uma pessoa infectada. Roupas, camas e agulhas contaminadas também podem causar infecções. Certas práticas funerárias, a inadequação dos serviços de saúde e as dificuldades de vigilância em áreas de conflito estão aumentando sua propagação.

A infecção por Ebola pode se espalhar pelo contato direto com o sangue, vômito e outros fluidos corporais de uma pessoa infectada, e o risco também persiste pelo contato com roupas e camas contaminadas. Situações como violência em certas partes do Congo, deslocamento populacional e falta de confiança nas autoridades de saúde tornaram a situação ainda mais grave. A detecção tardia de muitos pacientes torna difícil conter a infecção.

Vale ressaltar que um caso de vírus Ebola foi registrado na Índia apenas em 2014. Não houve infecção local ou endêmica oficial na Índia, mas um viajante internacional que foi tratado na África Ocidental em 2014 teve o vírus confirmado em seu corpo.

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A agência de saúde pública da União Africana (UA) anunciou o envio de assistência técnica e logística para fortalecer a resposta do Quênia diante do surto de ébola, após a confirmação de quatro novos casos. Com esses novos registros, o número total de infecções no Quênia atingiu sete, sendo que um dos casos foi importado da República Democrática do Congo (RDCongo).

Em um comunicado divulgado neste sábado, os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças de África (CDC de África) informaram que estão colaborando com o governo queniano em pontos cruciais da emergência. A atenção está voltada para a vigilância epidemiológica, coordenação técnica, comunicação de riscos e engajamento comunitário.

O órgão de saúde continental ressaltou a urgência de prover equipamentos de proteção aos profissionais de saúde que atuam na linha de frente. Isso se deve ao fato de que três dos quatro novos infectados eram profissionais de saúde que prestaram assistência ao indivíduo classificado como «doente zero» no hospital.

Os CDC de África enfatizaram a importância de intensificar as ações de prevenção e controle de infecções, assegurando aos trabalhadores da saúde «equipamento de proteção adequado, formação e apoio contínuo». Diante da progressão da epidemia na RDCongo, origem do primeiro caso detectado no Quênia, o organismo reafirmou seu compromisso em intensificar a vigilância transfronteiriça e a identificação precoce entre os Estados-membros, visando conter a disseminação viral em escala regional.

Por sua vez, o Ministério da Saúde do Quênia declarou em um documento que o risco para a população em geral permanece baixo, pois «não há evidências de transmissão comunitária da doença». Foi notável que, das 130 pessoas que tiveram contato com o «doente zero», 128 (98,5%) foram rastreadas e colocadas em quarentena, superando a meta global de 85% para o rastreio de contatos, essencial para interromper a cadeia de transmissão.

O Quênia havia confirmado seu primeiro caso importado de Ebola em 5 de outubro: um homem de 40 anos que residira na RDCongo nos últimos sete anos. Este «doente zero» recebeu tratamento em diversos hospitais congoleses antes de viajar por terra até Kampala e, subsequentemente, voar do Uganda para Nairobi, chegando em 3 de outubro e falecendo dois dias depois. Desde então, as autoridades sanitárias iniciaram o rastreio de contatos para localizar indivíduos potencialmente expostos ao vírus durante o deslocamento e o tratamento do paciente.

O Quênia tornou-se o quarto país a registrar um caso relacionado à epidemia de Ebola na RDCongo, somando-se a Uganda, França e Países Baixos. Além disso, o Ebola também se espalhou para o Uganda, onde a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o fim do surto em 26 de agosto, após contabilizar 20 casos confirmados, incluindo 15 importados da RDCongo, e duas mortes.

A epidemia na RDCongo é apontada como a segunda mais mortal da história mundial, tendo causado 9.277 casos confirmados, incluindo 4.478 óbitos, conforme o relatório mais recente do governo congolês.

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