A Intel comunicou que esgotou o estoque dos processadores pertencentes à linha Wildcat Lake, que são direcionados primariamente a notebooks de nível intermediário com especificações técnicas mais sofisticadas. O interesse por esta linha, introduzida como Core Série 3, cresceu em função dos esforços das fabricantes para mitigar o aumento nos custos das memórias.
Esta situação foi abordada por executivos durante a divulgação dos resultados financeiros da Intel. O diretor financeiro David Zinsner declarou que a empresa observou um aumento considerável na procura por esses chips, destinados a notebooks que não necessitam dos componentes mais avançados.
Alguns modelos equipados com este chip utilizam apenas 8 GB de memória RAM, uma configuração que visa reduzir despesas, embora possa restringir o desempenho, conforme aponta o The Verge. O Wildcat Lake é o nome de código para os Intel Core Série 3, posicionados pela fabricante como uma alternativa para notebooks de custo médio. Eles se situam abaixo dos Core Ultra Série 3, voltados para equipamentos mais potentes, e empregam o processo de fabricação Intel 18A. Estes modelos possuem cinco ou seis núcleos de CPU, gráficos integrados e NPU com capacidade de até 17 TOPS.
Existem notebooks com esses processadores disponíveis no Brasil, como o Dell XPS 13, cujo preço sugerido é de R$ 8.999, e o IdeaPad Slim 3i, que começa em R$ 4.399,99. Ambos contêm o Intel Core 5 320.
O incremento na procura por processadores intermediários acontece em um contexto de carência de memórias que impacta todo o setor de computadores. Quando questionado sobre o suprimento de componentes, Zinsner informou que a Intel não prevê uma melhoria substancial no ano seguinte. Ele acrescentou: “Teremos que ver em 2028 se as coisas melhoram, mas nossa expectativa é que isso não melhore em 2027”.
Fornecedores de chips de memória têm sinalizado que a capacidade produtiva futura já está sendo comercializada. A SK Hynix, por exemplo, anunciou recentemente que esgotou os lotes previstos até 2029, e a empresa sul-coreana estima que esse desequilíbrio persistirá até 2030.
Lip-Bu Tan atribuiu essa escassez à elevada demanda por infraestrutura de inteligência artificial, que consome uma fatia cada vez maior da produção de componentes. Segundo o CEO, a indústria está enfrentando “uma das faltas de componentes mais significativas da história”, impulsionada pelos investimentos em infraestrutura de IA.


