Yusra Mardini afirma que imigrantes são utilizados por governos europeus para desviar a atenção de problemas sociais
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Yusra Mardini afirma que imigrantes são utilizados por governos europeus para desviar a atenção de problemas sociais

Yusra Mardini, atleta olímpica e embaixadora da Boa Vontade do ACNUR, declarou que os governos europeus utilizam refugiados com o intuito de desviar o foco de outras questões. Ela defendeu, ainda, a necessidade de maior liberdade de circulação para essas pessoas.

Em declarações feitas à Lusa, a embaixadora, que é natural da Síria e também vivenciou a condição de refugiada, criticou a tendência de culpar os refugiados pelos problemas internos dos países de acolhimento. Ela ressaltou que os refugiados não buscam roubar empregos ou bens, mas sim uma chance de levar uma vida simples e pacífica.

Mardini sugeriu que é preciso exigir mais responsabilidade dos governos, pois os refugiados podem servir como um meio para desviar a atenção de decisões políticas mais amplas. Durante sua participação na 10.ª edição das Conferências do Estoril, realizada no campus de Carcavelos da Nova SBE (Universidade NOVA de Lisboa), a ativista e nadadora olímpica aconselhou os líderes europeus a concentrar esforços na integração e em resolver os problemas reais das sociedades.

A atleta relembrou sua trajetória notável, partindo de Damasco, na Síria, durante a guerra civil (2011-2024), até chegar à Alemanha, onde realizou seu sonho de competir nas Olimpíadas. Yusra Mardini ganhou notoriedade ao ajudar a salvar 18 refugiados que tentavam cruzar o Mediterrâneo em uma embarcação precária, junto com sua irmã, Sarah Mardini, também ativista.

Ao atravessarem o Mar Egeu, da Turquia para a Grécia, o motor da lancha falhou. Yusra, Sara e outros dois nadadores saltaram para a água e conseguiram impulsionar e puxar o barco por mais de três horas até alcançarem a ilha grega de Lesbos, garantindo a sobrevivência de todos a bordo. A jornada de Sarah e Yusra espelha a de milhões de sírios fugindo do conflito, e sua história foi adaptada ao filme «The Swimmers» em 2022.

Segundo a ONU, após o término da guerra em 2024, cerca de 1,7 milhão de refugiados e 1,9 milhão de deslocados internos retornaram às suas comunidades na Síria. Contudo, 5,5 milhões de pessoas permanecem deslocadas internamente no país, e mais de seis milhões de refugiados sírios residem no exterior.

Após participar de dois Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro (2016) e em Tóquio (2020), Yusra dedica-se agora a promover a integração de pessoas como ela, por meio da fundação que estabeleceu e de outras ações humanitárias. A ativista enfatiza que seu trabalho atual consiste em provar que refugiados são seres humanos e em informar sobre os motivos de sua partida dos países.

Argumentando durante o evento, Yusra mencionou a diversidade presente em escolas, dizendo que elas são exemplos de como pessoas de todo o mundo convivem. Ela reforçou que os refugiados merecem mais liberdade de movimento. Questionando o público, ela perguntou por que não conceder essa liberdade aos refugiados, que precisam se deslocar devido à guerra, assim como ela possui com seu passaporte alemão.

A atleta olímpica reiterou que o fator essencial é a integração humana e defendeu que os Estados europeus devem criar mais mecanismos para que os refugiados se sintam parte da sociedade. Para ela, o esporte foi seu caminho, pois ele «promove a união», facilitando a integração prática, algo que sua fundação na Alemanha realiza com sucesso.

A Alemanha foi o país que mais recebeu refugiados sírios durante o governo da chanceler Angela Merkel, que renunciou em 2021. Atualmente, o chanceler Friedrich Merz tem adotado uma postura mais rígida em relação à imigração alemã, sob forte influência da AfD, partido de extrema-direita que compete com a CDU (centro-direita) pelo poder político nacional.

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