Amazon revisa métricas de avaliação de uso de IA, priorizando impacto em vez de consumo de tokens
Leia mais
Tecnoblog
tecnoblog.net

Amazon revisa métricas de avaliação de uso de IA, priorizando impacto em vez de consumo de tokens

A Amazon está reavaliando a maneira como mede o emprego da inteligência artificial por seus engenheiros de software. De acordo com uma nova diretriz interna, a empresa considera que métricas como a quantidade de tokens utilizados, a adoção de ferramentas e o volume de modificações no código são indicadores "profundamente falhos" quando estabelecidos como objetivos.

Apesar dessa mudança, a companhia não pretende abandonar a IA. O foco da alteração reside na avaliação: em vez de recompensar aqueles que utilizam mais ferramentas ou geram maior volume de código, a Amazon busca mensurar o efeito do trabalho nos clientes, nos negócios e nas equipes.

Um dos desafios identificados é o fenômeno conhecido como "tokenmaxxing", termo usado para descrever o uso excessivo de tokens com o intuito de inflacionar os indicadores internos. Os tokens representam as unidades que os modelos empregam para processar e gerar dados, e também afetam os custos operacionais dessas ferramentas.

Conforme relatado pela Fortune, a Amazon adverte que transformar esse consumo em meta pode resultar em aumento de despesas sem garantir uma melhora real nos resultados. Este problema não é meramente teórico; funcionários da empresa chegou a utilizar agentes de IA em atividades supérfluas apenas para elevar seus números em um ranking interno que foi descontinuado em maio.

Para Terk Terkowitz, vice-presidente da Amazon, o critério mais adequado reside nos resultados alcançados a longo prazo, abrangendo o impacto para os clientes, para o negócio e para as próprias equipes. Embora os indicadores de consumo de tokens e adoção de ferramentas não sejam eliminados, a empresa esclarece que eles podem auxiliar na identificação de padrões, mas não devem servir exclusivamente como metas de desempenho.

A orientação se aplica também ao oposto: Terkowitz considera valiosa a descoberta de áreas onde a IA não está sendo eficaz. A companhia mantém o incentivo aos engenheiros para que aprendam e integrem a IA em suas rotinas diárias, acreditando que a tecnologia permanecerá central no desenvolvimento de software, aliada ao conhecimento, à experiência técnica e à capacidade de julgar se uma solução específica é realmente pertinente.

Essa discussão transcende os limites da própria empresa. Um estudo recente demonstrou que somente 3% das organizações conseguiram superar suas metas de economia através de ganhos de produtividade proporcionados pela IA, mesmo com a maioria delas planejando expandir seus investimentos nessa tecnologia.

Popular