Nova espécie de dinossauro que viveu há mais de 100 milhões de anos é identificada na Grã-Bretanha
Leia mais
Super Abril
super.abril.com.br

Nova espécie de dinossauro que viveu há mais de 100 milhões de anos é identificada na Grã-Bretanha

Recentemente, cientistas anunciaram a identificação de uma nova espécie de dinossauro cujos restos foram descobertos em 2001 no sul da Inglaterra. Este fóssil, nomeado Paludohadros proudlovii, pertence ao grupo dos iguanodontídeos — dinossauros herbívoros que eram amplamente distribuídos durante o período Cretáceo, aproximadamente entre 145 e 66 milhões de anos atrás.

A identificação foi realizada pelo paleontólogo Ricardo Sakamonto, pesquisador do Laboratório de Paleontologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da Universidade de São Paulo (USP), que trabalhou como parte de uma equipe sob a liderança do professor Max Langer.

O estudo, publicado na terça-feira (dia 26), descreve detalhadamente um novo gênero e uma nova espécie de dinossauro com base nos restos encontrados na área de Smokejacks Brickworks, no sul da Inglaterra. Esses materiais estão armazenados no Museu de História Natural de Londres, onde Sakamonto realiza suas pesquisas.

Durante uma reavaliação da amostra, o pesquisador descobriu características distintas que permitiram classificá-lo como uma nova espécie — Paludohadros proudlovii. De acordo com Sakamonto, este era um dinossauro herbívoro que existiu no Cretáceo Inferior, há mais de 100 milhões de anos, no intervalo conhecido como Barremiano (aproximadamente entre 125,77 e 121,4 milhões de anos atrás). Seus fósseis foram encontrados na formação Weald Clay, uma camada geológica que registra as antigas paisagens do sul da Inglaterra.

Esta descoberta é significativa porque é o primeiro iguanodontídeo — um dinossauro herbívoro bípedo — descrito especificamente para esta localidade e camada geológica. Embora outros dinossauros deste grupo fossem conhecidos anteriormente em uma bacia mais ampla de Weald, eles provinham de estratos geológicos mais antigos. Assim, a descoberta expande a compreensão da diversidade desses herbívoros no início do período Cretáceo, observa Sakamonto.

Mesmo sendo um espécime jovem, Paludohadros proudlovii representava um animal grande. O pesquisador relatou que a amostra estudada pesava cerca de 1,5 tonelada e tinha cerca de quatro metros de comprimento, comparável ao tamanho de um rinoceronte. Como se trata de um indivíduo jovem, não é possível determinar com precisão os tamanhos máximos que esta espécie poderia atingir; no entanto, presume-se que indivíduos totalmente desenvolvidos pudessem atingir entre seis e oito metros de comprimento e pesar o dobro do exemplar analisado.

A identificação da espécie foi possível graças à análise de características anatômicas específicas dos fósseis, incluindo estruturas da mandíbula, membros, pelve e pernas. Entre as características observadas estão detalhes dos dentes, proeminências ósseas e apêndices em várias partes do esqueleto. Sakamonto enfatiza que a combinação dessas características 'permitiu distinguir o animal de outros iguanodontídeos descritos'.

Paludohadros proudlovii foi descrito pelos paleontólogos como um representante de 'divergência precoce', pois pertence a um grupo evolutivo de dinossauros que se separou de outras linhagens em estágios relativamente precoces da história evolutiva. Na opinião dos pesquisadores, este estudo ajuda a entender como 'diferentes grupos de iguanodontídeos se diversificaram ao longo do período Cretáceo'.

O nome Paludohadros proudlovii está relacionado ao local da descoberta. A designação específica proudlovii é uma homenagem a William Proudlove, gerente da fábrica de tijolos que trabalhava na pedreira onde o fóssil foi encontrado. Proudlove faleceu aos 35 anos pouco depois da extração do material.

Essa escolha reflete a conexão entre a história da amostra e as pessoas envolvidas em sua descoberta, além de destacar a importância das coleções paleontológicas. Sakamonto acrescentou que 'fósseis extraídos décadas atrás podem continuar a revelar novas informações com um estudo mais aprofundado e comparação com outros materiais'.

A descrição de Paludohadros proudlovii faz parte de um estudo mais amplo de iguanodontídeos preservados no Museu de História Natural de Londres. Sakamonto planeja dedicar os próximos quatro anos de sua tese de doutorado à reavaliação de outros espécimes deste grupo presentes no museu. Ele prevê otimisticamente que 'a chance de encontrar novas espécies é bastante alta', dado o grande volume de materiais ainda a serem estudados. Parte desses fósseis pode pertencer a uma espécie recém-descoberta, enquanto outros espécimes podem revelar características que ajudam a identificar novas espécies.

Além de expandir o conhecimento sobre os dinossauros herbívoros que habitaram a Grã-Bretanha, este estudo demonstra como a revisão de coleções científicas pode mudar a percepção sobre a diversidade dos animais que habitavam a Terra no passado. O fóssil, descoberto em 2001, mas identificado como pertencente a uma nova espécie apenas agora, prova que as coleções de museus ainda contêm informações importantes sobre a evolução da vida.

A pesquisa foi financiada pelo Programa Bepe (Bolsa de Estágio de Pesquisa Externa) do Fundo de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O artigo 'A new iguanodontian dinosaur from the Weald Clay Formation (Lower Cretaceous) of Smokejacks Brickworks, southern England' foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology.

Popular