O possível vazamento de dados pessoais não deve ser motivo para restringir a troca de informações e diminuir a abertura no Uzbequistão, afirma o especialista em tecnologias digitais Shukhrat Kurbanov. Ele enfatiza que o principal problema não reside no processo de troca de dados em si, mas sim nos métodos de armazenamento e controle de acesso a eles.
Recentemente, surgiram nas redes sociais relatos sobre um potencial vazamento de informações pessoais de usuários de serviços como SafeRoad, inDrive, Lada Auto, KiwiTaxi e Fargo. Kurbanov verificou pessoalmente os bancos de dados divulgados e encontrou nele seus próprios dados pessoais, incluindo PINFL, endereço de residência, informações sobre veículos e documentos correspondentes. No entanto, as circunstâncias e a origem dessas informações ainda são desconhecidas.
Posteriormente, a empresa SAFE Service negou qualquer ligação entre seu aplicativo SafeRoad e o suposto vazamento. Representantes da empresa declararam que as informações que circulam foram coletadas de várias fontes antes do início do funcionamento do aplicativo. Além disso, informaram que estão colaborando com estruturas governamentais autorizadas para responder à disseminação de informações falsas.
Riscos do endurecimento das regras de troca de dados
Comentando a situação atual, Shukhrat Kurbanov expressou preocupação de que o mero fato de discutir um possível vazamento possa provocar o endurecimento dos regulamentos de troca de dados. Na sua opinião, tal desenvolvimento seria um passo atrás e não garantiria a devida proteção das informações pessoais.
Ele lembrou-se do exemplo do sistema OneID, onde houve mudanças no procedimento de concessão de acesso. Anteriormente, o acesso estava aberto por padrão e era limitado apenas em casos excepcionais; no entanto, após as modificações, os usuários passaram a ter que dar permissão ativamente para o acesso aos seus dados. Como observou o especialista, isso complicou o processo, forçando funcionários de bancos e clientes a entenderem as configurações do OneID, e em instituições bancárias, até exigiu a presença de especialistas para ajudar na formalização desse acesso.
Kurbanov insiste que o foco deve ser deslocado do fato da troca de dados para os métodos de armazenamento e o controle de quem pode acessá-los. Ele também sugere realizar uma investigação detalhada das razões pelas quais empresas e órgãos governamentais coletam e mantêm certas informações sobre os cidadãos.
Sugestões para fortalecer o controle dos cidadãos
O especialista acredita que os cidadãos precisam ter amplas possibilidades para monitorar suas informações. Em particular, eles devem ter o direito de saber quem, quando e sob qual base legal solicitou seus dados pessoais. Além disso, Kurbanov considera vital implementar um mecanismo transparente para revogar permissões de acesso, bem como garantir a possibilidade de exclusão ou anonimização das informações.
Como exemplo positivo, ele citou a Estônia, onde, através de um portal eletrônico, o usuário pode ver qual agência, funcionário ou organização comercial acessou seus dados pessoais e quando isso ocorreu. Na opinião do especialista, um mecanismo semelhante poderia permitir que os residentes do Uzbequistão acompanhassem o acesso aos seus dados.
Kurbanov ressaltou que os princípios de abertura e digitalização contribuem para a redução do nível de burocracia e corrupção, além de estimular o desenvolvimento. Em vez de retornar a modelos fechados, é necessário aperfeiçoar os procedimentos de armazenamento de dados, reforçar o controle de acesso a eles e aumentar a transparência no uso de informações pessoais pelos cidadãos.