Os fones de ouvido com fio estão ganhando popularidade, impulsionados tanto pela estética, muitas vezes inspirada em celebridades, quanto pela qualidade sonora, que pode superar a de modelos sem fio. Uma das vantagens dos fones cabeados é a menor quantidade de componentes, permitindo que os fabricantes invistam mais em drivers, os responsáveis pela geração do som. Além disso, o maior espaço interno facilita o trabalho dos falantes, diferentemente dos modelos true wireless, onde o espaço reduzido impacta a acústica.
Nos últimos anos, o mercado de fones com fio foi transformado por empresas chinesas como KZ, Moondrop e Truthear, que introduziram modelos acessíveis e de alta performance. Este movimento, conhecido como Chi-Fi (derivado de Hi-Fi, que significa alta fidelidade), viu também o surgimento de parcerias entre fabricantes e avaliadores de áudio, como o singaporense Crinacle (que possui a marca CrinEar) e o norte-americano HBB.
Essas duas tendências convergiram no Brasil com o lançamento dos fones Kuba Auri. A Kuba, empresa estabelecida há alguns anos, é conhecida por seus fones Disco e foi fundada pelo carioca Leonardo Drummond, criador do canal Mind the Headphone, dedicado à análise de áudio e com 438 mil inscritos no YouTube.
Embora os Auri sejam produzidos na China e baseados em um modelo chinês com cabo USB-C e alto-falante dinâmico por lado, eles apresentam uma característica distintiva: sua equalização foi criada no Brasil pela Kuba. Essa equalização resultou de uma pesquisa online realizada com mais de mil pessoas para determinar a preferência do público brasileiro em relação à proporção de graves, médios e agudos.
Com base nessa investigação, Drummond elaborou uma curva de equalização para os fones. Este processo envolveu desafios técnicos, como a compensação de desvios e ressonâncias naturais dos drivers, além de negociações com fornecedores para atingir o resultado ideal. O resultado final é um som agradável, caracterizado por graves abundantes, mas sem prejudicar a nitidez dos médios ou o brilho dos agudos. Os Auri revelam muitos detalhes musicais e possuem uma espacialidade notável, dando a sensação de que o som está ao redor da cabeça, e não contido nela, como ocorre em fones intra-auriculares.
Para quem não é audiófilo e está acostumado apenas com fones true wireless, os Auri podem representar uma grande descoberta. Já para os audiófilos, há um recurso adicional: uma interface online que permite aplicar dez curvas de equalização distintas. Ao conectar os fones ao PC ou Mac e acessar o site equalizador.kuba.audio, o usuário pode selecionar e ativar a curva desejada. Essa configuração é gravada no cabo, funcionando mesmo quando o áudio é reproduzido em dispositivos móveis, embora a troca de equalização não seja possível pelo celular.
Além da curva principal, o site disponibiliza opções como Natural (com menos graves), Basshead (com mais graves) e Enérgica (ideal para rock). Essas equalizações são fundamentadas no desempenho real dos drivers e incluem correções precisas para se aproximarem das curvas-alvo, sendo ajustes mais exatos do que aqueles obtidos com aplicativos genéricos como o Wavelet. O site também apresenta curvas populares entre audiófilos, como a Harman (desenvolvida pela Samsung desde 2017), a JM-1 (mais recente e mais neutra) e a Etymotic, conhecida por seu foco extremo em detalhamento com atenuação nos graves.
Em termos de usabilidade física, os Auri são confortáveis, com ponteiras de silicone em três tamanhos, e o cabo é resistente, não emaranha facilmente nem gera ruído ao roçar na roupa. Adicionalmente, o cabo é destacável, permitindo sua substituição caso sofra danos com o tempo. O único ponto negativo físico é a ausência de uma grade no bocal dos fones para impedir a entrada de cera e detritos.
Atualmente, os Auri estão disponíveis no site oficial da empresa por R$ 287. Este valor é considerado atrativo, oferecendo excelente qualidade de áudio e a versatilidade de múltiplas curvas de equalização, proporcionando uma experiência comparável a possuir diversos fones diferentes.
