Anatel determina que registro e manutenção de linhas celulares no Brasil exigirão reconhecimento facial a partir de 2027
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Anatel determina que registro e manutenção de linhas celulares no Brasil exigirão reconhecimento facial a partir de 2027

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) publicou uma nova norma do governo federal nesta quarta-feira (28), estabelecendo que o cadastro ou a manutenção de qualquer linha de celular no Brasil passará a exigir o uso de reconhecimento facial a partir de 2027.

Essa nova regulamentação visa especificamente combater fraudes de identidade e golpes que utilizam dados falsos no setor de telefonia móvel. A obrigatoriedade se estenderá tanto a pessoas físicas quanto a microempreendedores individuais (MEIs).

Leonardo Araújo de Assis, CEO da BioStation, afirmou em entrevista ao Olhar Digital que a determinação da Anatel representa um avanço significativo no combate ao golpe SIM swap (troca de chip) e às fraudes de identidade.

O processo de verificação utilizará tecnologia de «prova de vida» para assegurar que a pessoa está fisicamente presente durante o ato do cadastro. Após a captura da imagem facial, essa informação será comparada com bases de dados públicas e privadas. Essa validação poderá ocorrer em lojas físicas, através de aplicativos ou nos websites das operadoras.

Em situações em que o reconhecimento facial apresentar falha ou for inviável, serão disponibilizados procedimentos alternativos de checagem.

A transição para a nova regra será implementada de forma progressiva. A Anatel definiu prazos limites: quem não realizar a validação até o final de 2028 corre o risco de ter sua linha suspensa, e a partir de janeiro de 2029, a linha poderá ser cancelada. A Norma Técnica GT-SEG.2026.11 está acessível na internet.

O especialista destacou que o reconhecimento facial atingiu um nível de maturidade que eleva consideravelmente o padrão de segurança. Contudo, ele ressaltou que o grande desafio reside em fazer com que essa tecnologia resista a ataques mais complexos, como vídeos manipulados por IA ou deepfakes, sem comprometer a experiência do consumidor. Por essa razão, Assis enfatizou a necessidade de adotar uma abordagem em camadas.

Ele sugeriu que a biometria palmar, que analisa o padrão das veias da mão — uma característica interna impossível de ser replicada em fotos ou vídeos —, pode ser combinada com o reconhecimento facial. Essa combinação seria ideal para reforçar operações críticas, como a portabilidade e a troca de chip, especialmente em atendimentos presenciais.

Segundo o especialista, o Brasil já possui conhecimento e tecnologias pioneiras para tal fim; o fator decisivo será a efetiva implementação. Para Assis, a implementação abrange a integração com os sistemas das operadoras, a salvaguarda dos dados pessoais e a aplicação de cada tipo de biometria no local onde ela oferece maior benefício. Ele concluiu que a decisão da Anatel cria o caminho, mas o sucesso dependerá de como isso for colocado em prática.

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Em decorrência da exposição de dados provenientes das câmeras de monitoramento, o sistema Smart Sampa passará a exigir o uso de reconhecimento facial para que os servidores autorizados possam acessar a plataforma da Prefeitura de São Paulo. Esta nova modalidade de autenticação foi comunicada pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) nesta terça-feira, dia 27 de outubro.

O anúncio foi feito durante a cerimônia de assinatura de convênios de cooperação entre a Prefeitura e o Ministério Público de São Paulo, e a nova exigência entra em vigor imediatamente.

Esta providência surge como consequência da descoberta, ocorrida na semana anterior, de que credenciais relativas ao sistema de videomonitoramento da Prefeitura de São Paulo estavam acessíveis em um repositório público na internet. Conforme relatado pelo UOL, dados confidenciais permaneceram abertos ao público por vários meses, o que possibilitava a visualização em tempo real das imagens capturadas pelas câmeras ligadas ao programa, através da reprodução de suas interfaces.

Ricardo Nunes afirmou que não houve uma falha de segurança intrínseca; ele indicou que um funcionário da Guarda Civil Metropolitana (GCM) teria compartilhado indevidamente uma senha de acesso. Apesar disso, o incidente demonstrou a vulnerabilidade dos dados do Smart Sampa quando há acesso às credenciais dos servidores.

Após a divulgação deste caso, a administração municipal também implementou a autenticação de dois fatores. Paralelamente, o Ministério Público formalizou uma notícia de fato para analisar as informações trazidas pela reportagem, enquanto a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) solicitou esclarecimentos à Prefeitura.

Um dos acordos firmados no evento permitirá que nove promotores pertencentes ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco) utilizem as imagens e informações do Smart Sampa em investigações focadas no crime organizado. A própria Prefeitura confirmou que este pacto contempla o uso de dados técnicos da plataforma, bem como atividades de prevenção, repressão e investigação de delitos.

O segundo convênio estabelece a integração do sistema com iniciativas de proteção feminina. As câmeras poderão auxiliar na localização de indivíduos sob medidas protetivas de urgência que ainda não foram encontrados para receber a notificação judicial. A prefeitura ressaltou que o Smart Sampa já teve contribuições significativas, auxiliando na captura de 3.628 foragidos e na localização de 284 pessoas desaparecidas.

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