A Microsoft reportou um lucro líquido de US$ 36,6 bilhões, equivalente a cerca de R$ 197,8 bilhões, no último trimestre, representando um aumento de 32% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A receita total da empresa alcançou US$ 92,3 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 498,4 bilhões, marcando um crescimento de 19%, sendo este avanço majoritariamente atribuído aos segmentos de inteligência artificial (IA) e serviços de nuvem.
Os resultados, referentes ao período finalizado em 30 de setembro, foram divulgados nesta quarta-feira (28). A corporação superou as projeções do mercado tanto em termos de receita quanto em lucro por ação. O lucro diluído por ação foi de US$ 4,92 (R$ 26,34), superando a estimativa de cerca de US$ 4,72 (R$ 25,27).
Adicionalmente, o lucro operacional atingiu US$ 45,9 bilhões (aproximadamente R$ 247,9 bilhões), um crescimento de 21% anualmente. O lucro líquido ajustado, que desconsidera os aportes da Microsoft na OpenAI, foi de US$ 36,4 bilhões (aproximadamente R$ 196,6 bilhões), um avanço de 18%.
Amy Hood, diretora financeira da companhia, declarou no comunicado de resultados que a empresa obteve um começo robusto para o ano fiscal, com a receita do Microsoft Cloud chegando a US$ 63,9 bilhões e uma aceleração do crescimento para 30% em comparação anual.
O progresso na área de nuvem ocorre paralelamente a investimentos significativos em equipamentos e data centers. Neste trimestre, os gastos de capital da Microsoft, incluindo ativos obtidos via arrendamentos financeiros, somaram US$ 45,2 bilhões (cerca de R$ 244,1 bilhões). Este valor ficou abaixo da previsão inicial da própria empresa, que apontava gastos superiores a US$ 50 bilhões (aproximadamente R$ 270 bilhões) para o período.
Tais investimentos são cruciais para manter a expansão da infraestrutura necessária para os serviços de computação em nuvem e IA. O mercado acompanha de perto o volume de recursos dedicados a equipamentos e data centers para avaliar os custos inerentes a essa expansão.
A Microsoft também enfatizou a implementação de ferramentas de IA e o desenvolvimento de soluções direcionadas a empresas. Satya Nadella, CEO, afirmou que a meta da companhia é aumentar as opções e o controle disponíveis aos clientes, ao mesmo tempo em que fortalece a segurança dos agentes de IA.
A estrutura de resultados da Microsoft passou a ser apresentada em duas grandes unidades: Agents and Infra, que engloba negócios relacionados à infraestrutura e serviços corporativos, e Devices and Consumer, focada em produtos e serviços para o consumidor final.
A divisão Agents and Infra gerou uma receita de US$ 76,8 bilhões (cerca de R$ 414,7 bilhões), com um crescimento de 25% em relação ao mesmo período do ano passado. Esta área abrange não só a nuvem, mas também serviços comerciais e produtos vinculados à IA. A receita de nuvem comercial do Microsoft 365 cresceu 17% em termos reportados, assim como a receita de nuvem destinada a consumidores, que avançou 17%.
Em contrapartida, a divisão Devices and Consumer registrou uma receita de US$ 15,5 bilhões (aproximadamente R$ 83,7 bilhões), o que representa uma redução de 3% na comparação anual. Entre os pontos negativos, a receita proveniente de licenças OEM do Windows e dispositivos sofreu uma queda de 22%. Os serviços e conteúdos do Xbox diminuíram 2%, embora a receita de busca e publicidade, excluindo os custos de aquisição de tráfego, tenha crescido 12%.
Os dados demonstram que o avanço na infraestrutura de nuvem e nos serviços empresariais contrasta com desafios enfrentados em certas áreas mais tradicionais do portfólio da empresa. Além disso, a Microsoft devolveu US$ 10,2 bilhões (cerca de R$ 55,1 bilhões) aos acionistas durante o trimestre, através de dividendos e recompra de ações. Esse movimento ocorreu em um contexto de expansão de receita e lucro, acompanhado por investimentos consideráveis em infraestrutura de computação.
Os resultados não sinalizam apenas um crescimento nos indicadores financeiros; eles também indicam uma alteração na composição dos negócios, com maior relevância dada aos serviços empresariais e à nuvem. O principal desafio para os próximos trimestres será manter o ritmo de expansão do Azure e de outros produtos de IA, enquanto a companhia expande sua capacidade computacional e gerencia os custos dessa estratégia.



