Ministério da Saúde da África do Sul procura medicamentos alternativos devido à escassez de medicamentos críticos
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Ministério da Saúde da África do Sul procura medicamentos alternativos devido à escassez de medicamentos críticos

O Ministério Nacional de Saúde da África do Sul confirmou que está ativamente procurando e adquirindo medicamentos alternativos em meio à falta de medicamentos vitais.

Um representante do Departamento Nacional de Saúde, Foster Mohale, informou ao IOL que os problemas atuais de fornecimento são devidos a uma combinação de fatores. Estes incluem tensões geopolíticas no Oriente Médio, bem como casos de não conformidade regulatória por parte de fabricantes locais com os requisitos da South African Health Products Regulatory Authority (SAHPRA).

Mohale declarou que o Departamento está interagindo com fornecedores e adquirindo medicamentos alternativos de outras fontes para minimizar o impacto negativo nos pacientes. Ele acrescentou que, até que as restrições de fornecimento sejam resolvidas, alguns pacientes podem temporariamente mudar para medicamentos substitutos clinicamente adequados para tratar as mesmas doenças.

Ele também enfatizou que o Departamento monitorará de perto o desenvolvimento da situação e trabalhará com todas as partes interessadas para restaurar rapidamente o nível normal de fornecimento.

A Aliança Democrática (DA) também expressou preocupação com a escassez de até cinquenta medicamentos críticos. O partido alertou que os pacientes podem enfrentar reações indesejadas aos medicamentos substitutos ou interromper completamente o tratamento.

A DA pediu insistentemente ao Comitê de Saúde do parlamento que investigue a extensão da escassez, suas causas e as medidas tomadas para proteger os pacientes. A representante da DA pela saúde, Michelle Clark, afirmou que solicitou a convocação de um comitê especial e insiste que o ministro da saúde Aaron Motsoaledi, o Departamento de Saúde, a SAHPRA, a Pharmisa e a Sociedade Farmacêutica Sul-Africana compareçam perante este comitê.

Clark destacou os riscos potenciais para os pacientes na necessidade de mudar para medicação alternativa. Ela enfatizou que existe um risco significativo de reações adversas a medicamentos substitutos, bem como um risco geral que preocupa muito a DA: o medo ou a confusão dos pacientes em relação à substituição, o que pode levar à interrupção do tratamento por parte deles.

Entre os medicamentos mencionados estão o amlodipino, usado para controlar a pressão arterial alta e prevenir angina; rosuvastatina, que trata o colesterol alto e reduz o risco de ataques cardíacos e derrames; e metformina, usada para gerenciar o diabetes tipo 2. A lista também inclui olanzapina para tratar esquizofrenia e transtorno bipolar, especialmente episódios de mania; pregabalina para aliviar dor nervosa, convulsões e transtornos de ansiedade; e mebendazol, usado contra infecções parasitárias intestinais.

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A interrupção ou o adiamento de consultas médicas devido a eventos como pandemias ou inundações pode acarretar sérias consequências para indivíduos com câncer, que dependem de diagnóstico rápido, tratamento constante e acompanhamento especializado. Manter o cuidado oncológico durante emergências não é apenas uma questão de organização dos serviços, mas sim uma prioridade vital para salvar vidas e diminuir disparidades sociais.

No Brasil, este desafio é agravado pela alta incidência da doença, sendo o câncer a segunda principal causa de mortalidade no país. Projeções da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) indicam um potencial aumento de 84% nos casos anuais entre 2022 e 2050.

Câncer em situações extremas

Este cenário exige mais do que apenas expandir a capacidade de prevenção, diagnóstico e tratamento; requer a preparação do próprio sistema de saúde para operar continuamente frente a crises cada vez mais frequentes e interligadas. Exemplos notáveis, como a pandemia de Covid-19 e as inundações no Rio Grande do Sul em 2024, demonstraram como emergências distintas podem prejudicar a assistência à saúde.

Em momentos de crise, procedimentos e consultas podem ser suspensos, unidades de saúde podem perder funcionalidade, e os pacientes podem ter problemas de locomoção e acesso a medicamentos e acompanhamento clínico. Os impactos são mais severos para aqueles que já enfrentam barreiras sociais, territoriais e econômicas.

A experiência brasileira aponta que a preparação para crises deve incluir explicitamente o controle do câncer. Apesar do Sistema Único de Saúde (SUS) assegurar acesso universal e gratuito, persistem obstáculos ligados ao financiamento, às diferenças regionais e à coordenação entre os serviços.

Resiliência, neste contexto, significa a aptidão para prever riscos, absorver choques, ajustar a organização dos serviços e aprender com as táticas de mitigação usadas. Isso implica não só restaurar hospitais após uma emergência, mas preservar todas as fases da jornada oncológica, desde a prevenção e o diagnóstico até os cuidados paliativos.

Esta visão foi discutida em um workshop nacional realizado no Rio de Janeiro, em dezembro de 2025. O evento contou com a organização da IARC, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e do Instituto Nacional de Câncer (INCA), reunindo especialistas em políticas públicas, profissionais de saúde, pesquisadores e representantes da sociedade civil. O foco foi definir prioridades de ação, usando como base as experiências da Covid-19 e das inundações no Rio Grande do Sul. As conversas culminaram em um artigo científico publicado no periódico The Lancet Regional Health – Americas.

O artigo destacou que fortalecer a resiliência necessita de ações coordenadas em quatro frentes: governança, prestação de serviços, recursos e financiamento. A ausência de dados confiáveis, por exemplo, impede a localização de pacientes com tratamento interrompido. Sem coordenação entre gestores, o encaminhamento para outros serviços fica mais complexo, e a falta de verba pode atrasar a resposta.

Cinco prioridades para fortalecer o controle do câncer no Brasil e no SUS

A primeira prioridade é integrar a assistência oncológica nos planos de resposta e preparação para emergências. Os planos de contingência devem especificar quais serviços devem permanecer ativos, como reestruturar os fluxos de atendimento e como assegurar a continuidade dos tratamentos vitais. É crucial que haja um acordo entre União, estados e municípios para que essas medidas possam ser aplicadas em diversos locais.

A segunda meta é aprimorar e unificar os sistemas de informação em saúde, que atualmente estão dispersos. Dados que possam ser trocados entre sistemas auxiliam na identificação de pacientes com exames ou consultas pendentes, monitorando interrupções e realocando a demanda entre as unidades. É igualmente necessário garantir que gestores e profissionais tenham acesso às informações necessárias para decidir, mantendo a segurança dos dados pessoais.

A terceira prioridade envolve proteger a infraestrutura e a força de trabalho. Hospitais, serviços de radioterapia, laboratórios, redes de transporte e sistemas de suprimento devem ser contemplados nos planos de contingência. Também é preciso capacitar os profissionais para atuar em circunstâncias excepcionais, fornecendo protocolos claros, equipes de suporte e canais de comunicação que facilitem a reorganização do cuidado.

A quarta prioridade é planejar a retomada do atendimento com foco na igualdade. Reativar os serviços apenas com base na capacidade operacional, ignorando as necessidades clínicas e sociais, pode acentuar desigualdades já existentes. Pacientes com maior risco clínico, tratamentos paralisados e dificuldades de acesso devem ser identificados e priorizados, com o suporte da atenção primária.

Por fim, é imperativo estabelecer mecanismos de financiamento flexíveis para emergências. A habilidade de mobilizar fundos rapidamente, reconstruir estruturas danificadas e aumentar temporariamente a oferta de serviços define a rapidez da recuperação. A clareza sobre o financiamento e a definição prévia de responsabilidades ajudam a evitar que a resposta dependa apenas de soluções improvisadas.

Preparar o sistema para proteger vidas

Essas diretrizes não implicam a criação de um sistema paralelo ao SUS. Pelo contrário, elas apontam para a necessidade de reforçar os mecanismos já existentes, melhorar a articulação regional e incorporar a resiliência ao planejamento sanitário rotineiro. A experiência adquirida na atenção primária, nas redes de atenção e nas políticas nacionais de controle do câncer fornece uma base sólida para o progresso.

Contudo, a efetiva implementação depende de compromissos firmes: responsabilidades institucionais bem definidas, recursos suficientes, indicadores de continuidade do cuidado e métodos de avaliação capazes de converter as lições de cada crise em melhorias duradouras. A participação de pacientes e de entidades da sociedade civil é fundamental para descobrir barreiras que métricas administrativas podem não revelar.

Considerando o crescimento projetado dos casos de câncer e a possibilidade de crises ocorrerem simultaneamente, a questão transcende a simples ampliação da assistência em condições normais; trata-se de impedir que emergências interrompam o acesso ao diagnóstico e ao tratamento oncológico. Fortalecer a resiliência do controle do câncer significa entender que o cuidado deve ser planejado antes da crise, protegido durante ela e aprimorado na fase de recuperação.

Dessa forma, acredita-se que esta situação representa uma chance de reafirmar o compromisso do SUS com a universalidade e a equidade. Um sistema pronto para enfrentar adversidades não só lida melhor com emergências, mas também eleva sua capacidade de prover um cuidado digno, coordenado e oportuno à população.

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