Fundador do TikTok, Zhang Yiming, assume o primeiro lugar entre os mais ricos da China com patrimônio de US$ 100 bilhões
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Fundador do TikTok, Zhang Yiming, assume o primeiro lugar entre os mais ricos da China com patrimônio de US$ 100 bilhões

O avanço da inteligência artificial (IA) está reconfigurando a economia chinesa, elevando a riqueza de figuras proeminentes do setor de tecnologia. Zhang Yiming, criador da ByteDance, empresa que detém o TikTok, retornou ao topo do ranking dos indivíduos mais ricos na China, com uma fortuna avaliada em US$ 100 bilhões, o que corresponde a aproximadamente R$ 540 bilhões.

Este montante demonstra um aumento de 43% em comparação com o ano anterior e estabelece um novo recorde para a pessoa mais abastada do país. Os dados foram apresentados na edição de 2026 da lista anual do Instituto de Pesquisa Hurun, divulgada nesta terça-feira, dia 27.

De acordo com Rupert Hoogewerf, presidente do instituto, a maior parte do crescimento da fortuna de Zhang está diretamente ligada à IA. A ByteDance, que também administra a plataforma chinesa Douyin, tem expandido suas operações neste segmento, destacando-se o assistente de IA Doubao, classificado pela Hurun como o mais utilizado na China.

Este cenário evidencia como a competição por IA está gerando fortunas que vão além das corporações focadas em chips e modelos de linguagem. Empresas que já possuem grandes bases de usuários conseguem capitalizar sua infraestrutura para lançar novas ferramentas e ganhar participação neste mercado.

Apesar de Zhang Yiming ter retomado a liderança, outros empresários notáveis figuram entre os primeiros colocados. Zhong Shanshan, magnata do setor de água engarrafada, ocupa a segunda posição, com uma fortuna estimada em US$ 61 bilhões (cerca de R$ 329 bilhões), representando uma redução de 23% em um ano.

Em terceiro lugar encontra-se Robin Zeng, presidente da CATL, fabricante de baterias para veículos elétricos, cujo patrimônio foi avaliado em US$ 57,3 bilhões (aproximadamente R$ 309 bilhões). Pony Ma, cofundador da Tencent, recuou para a quarta posição, com US$ 51,5 bilhões (cerca de R$ 278 bilhões).

Outro ponto de atenção foi Lei Jun, presidente da Xiaomi, cuja fortuna sofreu uma diminuição de metade, atingindo US$ 25,1 bilhões (cerca de R$ 135 bilhões), conforme o levantamento.

As variações nos rankings refletem o desempenho heterogêneo das indústrias e dos setores onde esses empresários atuam. Enquanto os negócios relacionados à IA, chips e robótica ganharam força, os setores de consumo e o mercado imobiliário registraram perdas de valor.

A lista também aponta as dificuldades enfrentadas pelo mercado imobiliário chinês, que está sob pressão devido a uma crise persistente há vários anos, afetando a demanda interna. Segundo Hoogewerf, pela primeira vez desde o início do levantamento, nenhum incorporador imobiliário da China continental figura entre os cem primeiros. Os nomes do setor imobiliário que mantêm posições no topo do ranking pertencem a famílias proprietárias de imóveis em Hong Kong.

O consumo também demonstrou enfraquecimento, visto que os consumidores estão reduzindo seus gastos, o que dificulta a vida de pequenos empreendedores, em contraste com as companhias que se beneficiam do suporte chinês a tecnologias como IA e veículos elétricos.

Não obstante este panorama desigual, a economia chinesa registrou um crescimento de 4,5% no terceiro trimestre de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pelas exportações. A meta oficial de crescimento para o ano permanece entre 4,5% e 5%.

A edição de 2026 da lista da Hurun identificou 1.529 indivíduos com patrimônio superior a 5 bilhões de yuans, o que equivale a cerca de US$ 740 milhões (aproximadamente R$ 4 bilhões). Este número representa um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior e ultrapassa o recorde anterior, estabelecido em 2021. O total de bilionários em dólares alcançou 1.176, um acréscimo de 155 pessoas em um ano, superando a quantidade registrada nos Estados Unidos, segundo o instituto.

O levantamento considera as fortunas estimadas até 1º de setembro de 2026, com ajustes feitos para quaisquer alterações significativas ocorridas até a data de publicação. Este estudo é realizado anualmente desde 1999 e está em sua 28ª edição.

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