Um conflito territorial entre duas famílias de ariranhas foi registrado no Parque Estadual Encontro das Águas, localizado em Poconé. O evento foi documentado em 20 de outubro pelo biólogo Thiago Silva Soares durante uma atividade de observação da vida selvagem no Pantanal mato-grossense.
O confronto perdurou por aproximadamente vinte minutos e envolveu uma perseguição que se estendeu por cerca de dois quilômetros, sendo acompanhado por vocalizações intensas dos animais. De acordo com Thiago, a equipe monitorou a situação desde o início, quando quatro ariranhas ligadas ao Rio Piquiri se aproximaram do ninho de outro grupo, composto por cerca de oito indivíduos.
As ariranhas envolvidas pertenciam a dois grupos distintos. No contexto da atividade turística, oito indivíduos residiam na área da toca, nas margens do Rio Cuiabá. Em contrapartida, quatro ariranhas, associadas ao Rio Piquiri, avançaram para o local.
A chegada do grupo adversário desencadeou uma reação nos animais residentes, iniciando a perseguição que prosseguiu por aproximadamente dois quilômetros, até a área onde os rios Cuiabá e Piquiri se encontram. Thiago relatou que, ao chegarem perto do Rio Piquiri, as ariranhas pararam, pois estavam invadindo o território do outro grupo. Nesse ponto, as ariranhas entraram no rio delas, momento em que a vocalização cessou e elas retornaram à sua área de origem.
Thiago Silva Soares descreveu a cena como algo digno de um documentário de vida selvagem, afirmando que a equipe observou tudo de dentro do barco, mantendo uma distância segura tanto para eles quanto para os animais, enquanto as ariranhas expulsavam os rivais.
A ariranha, também conhecida como onça-d'água ou lontra-gigante, é classificada como a maior lontra do planeta, podendo alcançar 1,80 metro de comprimento e pesar cerca de 33 quilos quando adulta. O g1 compilou diversas informações sobre esta espécie.
Entre as características notáveis está o repertório vocal, pois as ariranhas são capazes de emitir, no mínimo, quinze sons diferentes, cada um com um significado específico e utilizado em contextos variados, seja para avisar o grupo sobre um perigo ou para intimidar uma ameaça.
Além disso, elas utilizam chamadas «latrinas» que funcionam como banheiros coletivos, locais onde defecam e urinam para demarcar seu território. O odor dessas latrinas carrega informações sobre o grupo e pode ser detectado a metros de distância por outros grupos na região.
Por fim, as ariranhas demonstram grande sensibilidade à interferência humana. Por essa razão, o turismo mal administrado representa uma séria ameaça à espécie. Conforme o Projeto Ariranhas, o tráfego de embarcações e a aproximação inadequada podem modificar o comportamento dos grupos, levando-os a deixar a área ou até mesmo resultando na morte de filhotes.
