Influência do El Niño mantém chuvas e temperaturas amenas no Vale do Paraíba; previsão para novembro
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Influência do El Niño mantém chuvas e temperaturas amenas no Vale do Paraíba; previsão para novembro

Moradores do Vale do Paraíba e arredores devem aguardar mais tempo pelo calor característico da primavera. O excesso de nuvens e a alta frequência de chuvas têm mantido as temperaturas moderadas na área, e a projeção para novembro aponta para um cenário similar, com momentos de aquecimento, mas sem longas sequências de dias quentes.

A meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, atribui esse padrão climático às alterações na circulação dos ventos causadas pelo El Niño, um evento climático que afeta as condições meteorológicas no Brasil. Ela havia antecipado que o mês de outubro traria excesso de nebulosidade e precipitação, o que impediria um aumento significativo das temperaturas.

Por que está chovendo tanto e fazendo menos calor?

Conforme explicado por Josélia, o aumento das nuvens e das chuvas no Vale do Paraíba começou a se intensificar em setembro, após a passagem de várias frentes frias pela costa de São Paulo. Mesmo após a passagem desses sistemas, a circulação de ar marítimo continua a levar umidade para o leste paulista, o que facilita a formação de grandes quantidades de nuvens.

A especialista detalhou que, ao passar uma frente fria, entra uma circulação de ar marítimo que injeta muita umidade no leste do estado de São Paulo, gerando muitas nuvens mesmo após cessar a chuva forte. Em outubro, além das frentes frias, outros sistemas meteorológicos contribuíram para a instabilidade regional. A constante presença de nuvens e chuva reduz a incidência solar e dificulta o aumento das temperaturas.

Josélia ressaltou que, embora um outubro típico possa ser quente, o excesso de nuvens e chuva, resultado do El Niño, tem evitado que as temperaturas subam muito.

Como fica o tempo em novembro?

A previsão indica que novembro também apresentará episódios recorrentes de chuva e nebulosidade no Vale do Paraíba, o que tende a inibir a elevação das temperaturas. Apesar de o mês usualmente ser mais quente que outubro, a expectativa é que os períodos de calor sejam breves. Josélia alertou que haverá alguns picos de calor, mas não se deve contar com dias prolongados de sol e calor.

Embora a região possa registrar dias com temperaturas mais altas, a probabilidade é que esses momentos não durem muito. Ela mencionou que seria difícil ter uma semana inteira com calor em torno de 30 graus em novembro. A última semana de outubro também deve trazer mudanças climáticas, pois uma nova frente fria deve atingir São Paulo no dia 1º de novembro. Após a passagem deste sistema, a tendência é de mais dias nublados e temperaturas amenas, embora no início de novembro as temperaturas possam subir novamente, mantendo o período de calor curto.

El Niño deve continuar influenciando o clima

Segundo Josélia Pegorim, a influência do El Niño sobre o clima brasileiro deverá persistir durante a primavera e o verão, podendo se estender até parte do outono do ano seguinte. A meteorologista informou que estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul estão experimentando dias de grande instabilidade.

Ela enfatizou que o excesso de nebulosidade e chuva visto em outubro configura um cenário atípico para o período, mas que está alinhado com o que foi previsto para este outubro. Assim, a expectativa para novembro é de um mês marcado pela alternância entre chuvas, nebulosidade e dias mais quentes, sem uma predominância duradoura de sol e calor.

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O estudo, divulgado na revista científica Science Advances nesta sexta-feira (23), analisou um conjunto de mais de 7.500 previsões históricas geradas por modelos climáticos provenientes de nove países. Os pesquisadores concluíram que as condições observadas no Oceano Pacífico no momento do início de uma previsão afetam significativamente sua precisão nos meses subsequentes.

O achado mais relevante demonstrou que as previsões que foram iniciadas sob condições de La Niña mantiveram um bom nível de desempenho, mesmo ao tentar antecipar o comportamento do sistema climático por um ano inteiro. Em contraste, aquelas previsões que tiveram início em condições neutras mostraram ser consideravelmente menos fidedignas.

El Niño e La Niña representam fases opostas do fenômeno conhecido como El Niño-Oscilação Sul (ENOS), um padrão climático natural ligado às variações de temperatura das águas superficiais do Pacífico tropical. Tais modificações impactam a circulação atmosférica, podendo alterar os padrões de chuva e temperatura em diversas áreas do globo.

Embora esses eventos geralmente atinjam seu auge por volta de dezembro e possam ser previstos com segurança cerca de seis meses antes, projetá-los por períodos mais extensos permanece um desafio científico.

A pesquisa aponta que monitorar o estado inicial do oceano auxilia na distinção entre previsões com maior chance de acerto e aquelas que requerem maior cautela. Segundo Mandy Freund, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Melbourne (Austrália), o desempenho estável das previsões iniciadas durante a La Niña sugere que essas circunstâncias tornam o sistema do Pacífico tropical mais previsível ao longo do ano seguinte.

A capacidade de antecipar esses fenômenos com maior certeza pode auxiliar governos, serviços de emergência e populações no planejamento de ações preventivas, na organização de recursos e na mitigação de riscos. Contudo, os cientistas enfatizam que ainda há etapas a serem completadas antes que essa descoberta possa ser implementada diretamente nas previsões cotidianas, embora o estudo já ofereça um caminho para refinar os sistemas de alerta e aumentar o tempo de preparação frente às mudanças climáticas sazonais.

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