Governo de Moçambique assegura fornecimento de medicamentos básicos por dois anos
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Governo de Moçambique assegura fornecimento de medicamentos básicos por dois anos

O Conselho de Ministros de Moçambique confirmou que o país possui suprimentos suficientes de medicamentos essenciais para os próximos dois anos, apesar dos relatos persistentes de carência de fármacos e reagentes em diversas unidades de saúde.

Inocêncio Impissa, porta-voz do Conselho de Ministros, declarou durante a 31.ª sessão ordinária do órgão, realizada em Maputo, que, após o recebimento de todos os pedidos, não haverá problemas de falta de medicamentos básicos pelo menos nos próximos dois anos.

Impissa informou que o primeiro lote de medicamentos comprados pelo setor de saúde já foi recebido e que novos envios estão previstos em breve. Ele admitiu que podem ocorrer disparidades temporárias na disponibilidade de remédios entre províncias, distritos ou unidades sanitárias, devido ao processo de distribuição em andamento.

O porta-voz ressaltou que o abastecimento geral do sistema está garantido, acrescentando que os distritos mais próximos do depósito provincial de medicamentos já deveriam estar recebendo os itens. A garantia estende-se aos medicamentos vitais para o funcionamento normal dos serviços públicos de saúde e aos equipamentos de proteção individual, conforme solicitado pelos profissionais.

A situação de interrupção de serviços de saúde em Moçambique, causada pelas falhas frequentes de medicamentos e insumos essenciais, ocorre em um momento de fragilização do sistema devido a cortes no financiamento externo, segundo um relatório divulgado em setembro.

Este alerta provém de um relatório do Mozambique Health Cluster, uma plataforma de coordenação da assistência humanitária na área da saúde, coordenada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e que envolve agências das Nações Unidas e outras entidades atuantes no terreno, especialmente em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

O documento intitulado «Cadeia de Abastecimento de Medicamentos em Moçambique: Garantir o Fornecimento Perante a Incerteza no Financiamento» aponta que 79% das organizações entrevistadas reportaram ausências constantes ou recorrentes de medicamentos e outros produtos cruciais nas unidades sanitárias. Além disso, metade dessas organizações indicou que tais rupturas excedem um mês.

Entre os itens mais afetados estão antibióticos, analgésicos, contraceptivos, luvas e compressas para curativos. Os responsáveis pelo relatório advertem que essa escassez não resulta apenas em atrasos no atendimento, mas frequentemente leva à paralisação completa dos serviços para os pacientes.

Os autores do estudo defendem a necessidade de maior articulação entre os doadores, um financiamento mais estável para toda a cadeia de suprimentos médicos e suporte à migração para fontes de financiamento nacionais, visando diminuir a dependência da ajuda externa e assegurar maior estabilidade no acesso da população a cuidados de saúde e medicamentos.

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