Especialista afirma que Timor-Leste ainda não aproveita as oportunidades econômicas da adesão à ASEAN
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Especialista afirma que Timor-Leste ainda não aproveita as oportunidades econômicas da adesão à ASEAN

O analista de Timor-Leste, Mariano Ferreira, afirmou que o país ainda não conseguiu aproveitar as oportunidades econômicas que a adesão à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) oferece, pois necessita de tempo para desenvolver sua economia nacional.

Quando questionado pelo veículo Lusa sobre o primeiro ano de adesão do país à organização do Sudeste Asiático, o analista enfatizou que Timor-Leste ainda não conseguiu utilizar as chances oferecidas pela adesão à ASEAN e precisa de tempo adicional para fortalecer sua economia.

O país aderiu à ASEAN — uma organização voltada para a cooperação econômica, política, social e cultural entre os países do Sudeste Asiático — em 26 de outubro de 2025, 14 anos após o pedido de adesão.

Segundo o analista da associação La'o Hamutuk, durante o último ano, não houve investimentos significativos no âmbito da ASEAN, apesar de as autoridades terem organizado «numerosos fóruns econômicos, convidado inúmeras personalidades e gasto somas consideráveis de dinheiro».

Apesar das projeções de crescimento do produto interno bruto acima de 4% nos próximos anos, de acordo com dados do Governo e de algumas organizações financeiras internacionais, a economia de Timor-Leste permanece dependente do petróleo e dos investimentos estatais.

Ferreira observou que o setor privado é pequeno e os investimentos têm um impacto limitado; além disso, existem problemas com burocracia excessiva, escassez de mão de obra qualificada e infraestrutura.

O analista também levantou a questão da legislação nacional relativa a investimentos estrangeiros. Ele declarou que «a legislação nem sempre oferece proteção ou garantias suficientes aos investidores que pretendem investir capital em Timor-Leste para realizar investimentos ou contribuir para o desenvolvimento da nossa economia».

Mariano Ferreira acredita que essa situação diminui a confiança dos investidores no país, o que é agravado pela falta de pessoal qualificado.

Na opinião dele, o Governo deve reforçar a formação profissional e a capacitação, bem como preparar a juventude para o mercado de trabalho, para que possam competir com os cidadãos de outros países da ASEAN.

O poder executivo aprovou esta semana o Plano Nacional de Implementação dos Compromissos Econômicos da ASEAN para o período de 2026 a 2030.

A ASEAN foi fundada em 1967 por Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas. Posteriormente, países como Brunei Darussalam, Camboja, Laos, Mianmar (antiga Birmânia) e Vietnã, bem como Timor-Leste no ano passado, se juntaram a ela.

A população total da ASEAN é de 676,6 milhões de pessoas, tornando-a a terceira região mais populosa do mundo, atrás da Índia e da China.

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou o seu relatório World Economic Outlook, prevendo um crescimento robusto na maioria das economias de língua portuguesa até 2027. Dentre estas, Angola demonstra aceleração, enquanto Cabo Verde e Timor-Leste mantêm um ritmo de expansão forte.

Relativamente à África Subsaariana, o FMI estima que Angola registrará um crescimento de 4,4% em 2026, superando os 3,1% projetados para 2025, antes de moderar para 3,3% em 2027. Apesar disso, a inflação deve permanecer alta, caindo de 20,2% neste ano para 10,6% em 2026 e 10,2% em 2027.

Cabo Verde é apontado como uma das economias lusófonas africanas com melhor desempenho, com projeções de crescimento de 5% tanto para 2026 quanto para 2027, após uma expansão prevista de 6,3% em 2025. Neste arquipélago, a inflação deve se manter sob controle, atingindo 1,2% neste ano e 2,8% em 2027, com uma taxa de desemprego estável em 8,5% nos três anos analisados.

Em Guiné-Bissau, espera-se uma leve desaceleração do crescimento, passando de 5,8% em 2025 para 4,7% em 2026, e recuperando para 4,9% em 2027. A inflação deve ficar entre 2,1% e 2,5%, mas o défice da balança corrente deve permanecer elevado, variando entre 5,7% e 7% do PIB.

Moçambique deve experimentar uma recuperação gradual após a contração estimada de 0,2% em 2025. O FMI prevê um crescimento de 1% em 2026 e 2% em 2027. Contudo, o défice externo permanece muito expressivo, correspondendo a 41% do PIB em 2026 e 37,8% em 2027. São Tomé e Príncipe antecipa uma expansão mais modesta, de apenas 0,4% em 2026, acelerando para 1,9% em 2027, embora a inflação deva subir para 11% neste ano, reduzindo-se para 9,6% em 2027.

Fora da África, o FMI prevê um arrefecimento do crescimento econômico do Brasil, de 2,2% em 2026 para 1,9% em 2027, devido às condições monetárias restritivas, à redução de estímulos orçamentais e à incerteza econômica global. A economia timorense deve crescer 4% em 2026 e 3,7% em 2027, após 4,5% em 2025, mantendo a inflação contida em 2,1% e 2,2% nos anos subsequentes, apesar de um défice da balança corrente muito alto, em 38,5% do PIB em 2026 e 38,4% em 2027.

Adicionalmente, o crescimento da economia portuguesa foi revisado para 2,1% neste ano e 1,9% em 2027. O FMI salientou que a atividade econômica mundial demonstra resiliência, impulsionada pelo setor tecnológico, pelas reservas financeiras e pela capacidade de adaptação às tensões geopolíticas.

No cenário global, a instituição prevê uma desaceleração do crescimento para 3,1% em 2026, seguida por uma recuperação para 3,4% em 2027. A inflação mundial deve subir para 4,7% em 2026 e cair para 4,1% no ano seguinte, sendo que as economias importadoras de energia sem participação na cadeia de valor tecnológica enfrentarão as perspectivas mais desafiadoras.

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