O mergulhador Lucas Belarmino Ribeiro utiliza as profundezas da represa do Rio Grande, localizada entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG), como fonte de renda, dedicando-se à recuperação de pertences perdidos por banhistas e visitantes da área.
Sua rotina semanal consiste em ir às margens do rio de quadriciclo para iniciar a busca por itens submersos, como joias e telefones celulares. Lucas relatou que muitas situações são engraçadas, pois as pessoas perdem objetos e nem sempre acreditam na possibilidade de recuperação, mas ele realiza o trabalho para evitar que o fim de semana dos frequentadores seja prejudicado.
O profissional ganhou visibilidade nas redes sociais após participar voluntariamente na recuperação de bens das vítimas de um naufrágio de uma chalana no Rio Grande ocorrido há duas semanas. Durante essa operação, Lucas mergulhou e conseguiu resgatar mais de vinte pares de óculos de sol, seis celulares e várias chaves, devolvendo tudo aos proprietários que haviam conseguido escapar do acidente.
Profissão ‘caçador náutico’
Esta atividade, iniciada há alguns anos, requer planejamento, investimento e técnica especializada para lidar com as águas escuras da represa. Para atender aos pedidos de quem perdeu algo na água, Lucas adquiriu um equipamento profissional completo. Cada mergulho necessita do uso de um cilindro de oxigênio, que oferece aproximadamente uma hora e meia de autonomia, além de pesos presos ao corpo para manter a submersão e uma roupa térmica específica para resistir às baixas temperaturas das profundezas.
Nas zonas de busca, a profundidade do rio pode exceder os vinte metros. Para localizar os objetos misturados ao lodo e à vegetação aquática, o mergulhador emprega um detector de metais. Entre os diversos óculos e aparelhos eletrônicos encontrados, muitos ainda funcionais ao serem retirados, Lucas também registra achados de grande valor, como uma corrente de ouro pesando 60 gramas, avaliada em cinquenta mil reais.
Ele mencionou que publica itens de valor em suas redes sociais. Em outra ocasião, encontrou um drone, que foi ventilado e sua dona o localizou através do vídeo, resultando em uma negociação e entrega do objeto. Para maximizar as chances de sucesso no resgate, o caçador náutico aconselha que as pessoas indiquem o ponto exato da queda do objeto, fornecendo pontos de referência claros, como um prédio ou um jet ski, para ajudar na localização.
Naufrágio de chalana no Rio Grande
O incidente que motivou a atuação do mergulhador aconteceu em 11 de outubro, no Rio Grande, um destino turístico conhecido por seus ranchos e pousadas, situado entre Rifaina (SP) e Sacramento (MG). A chalana transportava 22 pessoas, incluindo familiares e amigos do piloto José Eduardo Goulart de Andrade, quando começou a afundar progressivamente.
Ao notar a inclinação e a entrada de água, o condutor agiu prontamente, assegurando que todos os ocupantes usassem coletes salva-vidas e direcionando a embarcação para mais perto da margem antes que o motor parasse de funcionar. Todas as 22 pessoas conseguiram sair ilesas, seja nadando até a costa ou recebendo auxílio de condutores de lanchas e motos aquáticas que estavam na região durante o passeio de feriado.
As equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros foram acionadas para prestar assistência, mas nenhum passageiro necessitou de cuidados médicos. O piloto declarou que a documentação da embarcação estava em ordem e suspeita que o afundamento tenha sido causado pela infiltração de água em um dos tubulões de flutuação. A Capitania Fluvial do Tietê-Paraná, pertencente à Marinha do Brasil, enviou peritos ao local e instaurou um Inquérito Administrativo sobre Acidente e Fatos da Navegação (IAFN) para investigar as causas e responsabilidades do evento.
