Uma mulher diagnosticada com anemia falciforme não conseguiu encontrar sangue compatível na rede local, o que exigiu uma operação conjunta de busca e transporte entre os estados de São Paulo e Santa Catarina.
A anemia falciforme é uma doença genética hereditária na qual os eritrócitos mudam de forma, dificultando a circulação sanguínea e a oxigenação do organismo. Estoques raros de sangue foram transportados das regiões interiores de São Paulo para ajudar a paciente em Santa Catarina.
Para atender a essa necessidade urgente, o Centro de Sangue de Santa Catarina (Hemosc) recorreu ao Banco de Doadores de Sangue Raro. A busca permitiu identificar dois doadores com perfil adequado na região interior de São Paulo: um em Araras e outro em Ribeirão Preto.
A coleta de sangue ocorreu na quinta-feira (dia 22). A unidade de sangue coletada em Araras foi armazenada até ser unificada com a unidade em Ribeirão Preto. Em seguida, ambas as unidades foram transportadas por carro até o Aeroporto Internacional Viracopos, em Campinas (São Paulo), de onde voaram às 18h na sexta-feira com destino à capital de Santa Catarina.
A equipe do Centro de Sangue de Ribeirão Preto enviou os estoques raros de sangue para a paciente com anemia falciforme em Florianópolis (Santa Catarina). Ana Paula Zanelli, gerente do laboratório de imunohematologia do Centro de Sangue de Ribeirão Preto, explicou que a maioria dos procedimentos requer apenas um teste de compatibilidade padrão, mas casos específicos necessitam de análise mais complexa.
Ela observou: «Para a maioria dos pacientes, realizamos tipagem ABO e Rh, o que é suficiente para encontrar sangue compatível. No entanto, em alguns casos, precisamos realizar uma verificação de compatibilidade mais minuciosa e testar outros grupos sanguíneos». Segundo ela, qualquer caso é considerado raro se sua frequência for inferior a um em 1000 pessoas na população. Neste caso, «para estas duas unidades que enviamos hoje para Santa Catarina, a frequência é de um em cem mil pessoas testadas para encontrar tal unidade. Nesse caso, é muito mais raro», acrescentou Ana Paula.
