Prefeitura de Ararendá, no Ceará, adquire dois robôs humanoides por R$ 277 mil para fins educacionais
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Prefeitura de Ararendá, no Ceará, adquire dois robôs humanoides por R$ 277 mil para fins educacionais

A Prefeitura de Ararendá, um município localizado no sertão cearense com pouco mais de 11 mil habitantes, realizou a compra de dois robôs humanoides pelo valor de R$ 277 mil. Este investimento foi custeado com verbas provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Segundo a administração municipal, o propósito desta aquisição é aprimorar o processo de aprendizagem dos estudantes, focando especificamente nas áreas de inteligência artificial (IA) e robótica. O edital de compra estabelecia que o objetivo era «estimular o aprendizado interativo e tecnológico para atender as unidades escolares» da cidade.

Ararendá conta com 14 instituições de ensino, abrangendo desde creches até escolas regulares, mas não ficou claro como esses robôs serão distribuídos entre elas. Os robôs adquiridos são do modelo R1, fabricado pela empresa chinesa Unitree, medindo aproximadamente 1,2 metro de altura e pesando menos de 30 quilos, com uma autonomia de bateria de cerca de uma hora. Essas máquinas possuem funcionalidades como saltar, dançar e realizar cambalhotas.

A dupla robótica serviu como atração central durante as celebrações do Dia das Crianças, realizadas pela prefeitura nos dias 16 e 17 de outubro em diferentes bairros. O prefeito, Aristeu Eduardo (PT), celebrou a chegada das máquinas, declarando seu compromisso com a educação robótica. Ele justificou essa iniciativa dizendo: «Estamos aí num mundo tecnológico, onde a robótica está ganhando cada vez mais espaço e nós não podemos ficar para trás desse mundo contemporâneo» em um vídeo divulgado nas redes sociais.

O processo de compra foi formalizado com a publicação do edital no Diário Oficial do Estado em 31 de junho, sendo o pregão online realizado em 17 de agosto. A empresa vencedora da licitação foi a Solar's CE, sediada no município de Cratéus, próximo a Ararendá, e é especializada em energia solar.

Embora a Unitree, fabricante do modelo R1, não comercialize o robô diretamente no Brasil, seus modelos internacionais variam entre 4.900 e 5.900 dólares. No mercado brasileiro, após os trâmites de importação, os custos podem variar entre R$ 97 mil e R$ 139 mil.

A aquisição foi feita através de licitação na modalidade pregão eletrônico, destinada à compra de bens materiais. O edital previa a aquisição de dois robôs, cada um avaliado em R$ 138.499,00, totalizando R$ 276.998,00. Os recursos utilizados provêm do Fundeb, que é a principal fonte de financiamento da educação básica municipal no país, e os itens foram classificados como material permanente para as atividades do ensino fundamental.

No termo de referência, documento que fundamenta a abertura da licitação, a Secretaria de Educação de Ararendá alegou que a introdução desses equipamentos visa aumentar o envolvimento dos alunos e «atua diretamente na redução dos índices de evasão escolar». A Secretaria afirmou que o município de Ararendá, situado no interior do Ceará, busca capacitar seus jovens para uma economia global altamente dependente de Tecnologia e Inteligência Artificial, posicionando a educação local na vanguarda tecnológica estadual.

Adicionalmente, o documento indicou que os estudantes teriam a possibilidade de programar comandos, movimentos e respostas nos robôs, o que auxiliaria no fortalecimento de conhecimentos em lógica, física, matemática e linguagens, além de beneficiar o desenvolvimento de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O termo de referência também mencionou que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) preconiza o uso de recursos tecnológicos na escola, e as máquinas permitiriam otimizar o uso dos recursos humanos ao fomentar a formação continuada teórica e prática dos professores.

Apesar das justificativas apresentadas nos documentos municipais analisados pelo g1, não há informações claras sobre como os robôs serão implementados efetivamente nas unidades escolares, seja em atividades complementares ou dentro da sala de aula.

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