Estudantes franceses mantêm protestos após reunião com Emmanuel Macron devido à insatisfação com as reformas educacionais
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Estudantes franceses mantêm protestos após reunião com Emmanuel Macron devido à insatisfação com as reformas educacionais

Representantes de estudantes do ensino secundário na França decidiram dar continuidade à mobilização e aos protestos no país, mesmo após terem sido recebidos pelo Presidente Emmanuel Macron. A manutenção das manifestações ocorrerá até que sejam implementadas ações concretas voltadas para o setor da educação.

Na segunda-feira, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, recebeu diversas entidades, incluindo organizações estudantis do ensino secundário, professores e sindicatos, aguardando-se o anúncio de medidas específicas para o setor.

Embora os estudantes tenham demonstrado satisfação com a atenção dada por Emmanuel Macron, eles consideram que a reforma proposta pelo chefe de Estado é insuficiente. Os alunos exigem, especificamente, a anulação completa do sistema Parcoursup, um processo de acesso ao ensino superior que, segundo eles, sobrecarrega o corpo docente.

Nathanael Combary, presidente da associação Renouveau Lycéen, declarou que a «mobilização constante» representa «a única forma de alcançar progressos concretos». Essa visão foi compartilhada por Ryad Rani, responsável pela União Sindical dos Estudantes do Ensino Secundário, que expressou descontentamento com a contraproposta de Macron, alegando que ela ficou incompleta.

Rani afirmou em declarações à imprensa francesa, na véspera de novos protestos convocados tanto por estudantes quanto pelos «coletes amarelos», que «falamos da revogação do Parcoursup, e ele responde com uma reforma total. Grandes promessas, palavras vazias». O país permanece em estado de alerta máximo para sábado, especialmente após o Governo francês garantir que os distúrbios da semana anterior não se repetirão.

No fim de semana passado, manifestações contra o aumento do custo de vida e a situação educacional resultaram em atos de violência em várias cidades francesas, incluindo vandalismo em prédios públicos e saques em estabelecimentos comerciais.

Macron solicitou a «proibição das manifestações organizadas por indivíduos 'ilegítimos'», termo que partidos de esquerda rejeitam, pois não encontra previsão legal na França. Em paralelo, sete partidos políticos de esquerda (incluindo França Insubmissa, Verdes, Socialistas e Comunistas) entraram com um recurso no Conselho de Estado para contestar as declarações de Macron feitas na quinta-feira sobre a restrição de manifestações não sindicalizadas.

O Governo francês também comunicou a implementação de uma «cooperação reforçada» com plataformas digitais, visando impedir que estas sirvam como canais de organização ou disseminação de distúrbios, medida que já está ativa diante do risco de novas ações violentas neste fim de semana.

Em um comunicado, o gabinete de Sébastien Lecornu detalhou que esse mecanismo opera desde quinta-feira e enfatizou que foram solicitadas «uma vigilância especial» às plataformas. Desde sua ativação, mais de cem notificações foram registradas, sendo metade delas resultando na suspensão de contas.

Essa colaboração implica que o Estado francês usará um canal unificado de comunicação com as plataformas, através de uma equipe especializada do Ministério do Interior ligada ao seu portal, responsável por receber informações sobre conteúdos ou condutas ilegais na internet.

Sébastien Lecornu, que se reuniu com partidos na quinta-feira e com sindicatos na quarta-feira, tem sido alvo de críticas generalizadas por parte de todos os grupos pela falha do Governo em atender às demandas e apresentar soluções concretas para acalmar os manifestantes.

As autoridades decretaram na quinta-feira a extensão do toque de recolher em áreas específicas de Paris, como a Praça da República e o bairro histórico de Les Halles, todas as noites, das 23:00 às 06:00 locais (equivalente a 22:00 às 05:00 em Lisboa), até a manhã de segunda-feira.

A polícia também impôs, mais uma vez, uma proibição contra «qualquer concentração não declarada» durante a noite, particularmente nas proximidades da Presidência da República (Palácio do Eliseu), da Assembleia Nacional (Parlamento), da avenida Champs-Élysées ou das estações ferroviárias.

Na capital francesa, os museus Louvre, Orsay, Picasso e Grand Palais estarão fechados no sábado devido aos protestos previstos.

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