Pesquisa aponta que horário do jantar e estresse podem afetar a saúde intestinal
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Pesquisa aponta que horário do jantar e estresse podem afetar a saúde intestinal

O hábito de concentrar grande parte da ingestão calórica no final do dia pode acarretar consequências negativas para a saúde intestinal, principalmente em indivíduos que enfrentam estresse contínuo. Este achado foi apresentado em abril durante a Digestive Disease Week (DDW) 2026, um congresso internacional relevante em gastroenterologia.

A investigação revelou que pessoas que ingerem mais de 25% das calorias diárias após as 21h e que mantêm altos níveis de estresse possuem uma maior chance de desenvolver distúrbios intestinais, tais como diarreia ou constipação, além de apresentarem menor variedade de microrganismos.

Ao analisar dados de dois extensos bancos de dados populacionais dos Estados Unidos, os pesquisadores notaram que a união entre uma dieta majoritariamente noturna e o estresse estava ligada a um risco até 2,5 vezes superior de alterações intestinais. Contudo, por ser um estudo observacional, os resultados indicam apenas uma correlação entre esses elementos, sem comprovar que comer tarde seja a causa direta dos problemas digestivos.

Este estudo fortalece o campo da crononutrição, que estuda como o momento das refeições impacta diversos aspectos da saúde. A teoria sugere que, mesmo sem o consumo de alimentos ultraprocessados, comer tardiamente pode prejudicar os processos digestivos e desregular o ritmo circadiano, que é o relógio biológico responsável por gerenciar funções como metabolismo, produção hormonal e digestão.

A gastroenterologista Patrícia Almeida, do Einstein Hospital Israelita, explica que a ciência da crononutrição tem demonstrado que o fator determinante não é somente o que se come, mas também o momento da ingestão. Ela acrescenta que processos metabólicos, digestivos e hormonais variam ao longo do dia, fazendo com que a mesma refeição possa provocar reações distintas conforme o horário.

Interferência conjunta de estresse e alimentação noturna

Embora já houvesse evidências de que o estresse ou o horário das refeições poderiam afetar o intestino isoladamente, os novos dados sugerem um efeito combinado. Segundo Almeida, o estresse afeta a comunicação entre o eixo intestino-cérebro, alterando a motilidade intestinal, a permeabilidade da mucosa e modificando a composição da microbiota. Quando isso ocorre simultaneamente ao consumo de uma parcela significativa das calorias à noite, o corpo demonstra uma capacidade reduzida de adaptação.

A pesquisa também constatou uma diminuição na diversidade do microbioma entre os participantes mais estressados que tinham o costume de jantar tarde. Geralmente, uma microbiota mais rica está associada a um melhor equilíbrio do ecossistema intestinal e a uma defesa mais eficaz contra microrganismos potencialmente prejudiciais, além de contribuir para a produção de substâncias vitais para o funcionamento intestinal. A médica ressalta que, embora a diversidade do microbioma não seja o único indicador de saúde intestinal, ela é considerada um parâmetro importante.

É importante notar que isso não implica que toda refeição feita após as 21h seja prejudicial. No contexto do estudo, o conceito de alimentação tardia foi definido especificamente como o consumo de mais de 25% das calorias diárias após esse horário. Patrícia Almeida esclarece que o foco é um padrão alimentar onde uma fatia considerável da ingestão diária se concentra no período noturno, e não um jantar ocasional e tardio.

O trabalho não estabelece diretrizes rígidas sobre a alimentação noturna, visto que outros fatores, como a qualidade do sono, a rotina profissional, a prática de exercícios físicos e o padrão alimentar geral, podem influenciar os resultados. A conclusão principal da médica do Einstein é que a combinação de estresse crônico com alimentação predominantemente noturna configura um cenário menos propício para a saúde intestinal.

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