A Pinacoteca de São Paulo divulgou em outubro o cronograma inicial de exposições confirmadas para o ano seguinte, 2027. Serão apresentadas pelo menos 14 mostras espalhadas pelos três prédios do museu, com a expectativa de mais anúncios nos próximos meses.
Entre as atrações programadas, há a exposição de Amadeo Luciano Lorenzato, que ocorrerá de 6 de março a 1º de agosto de 2027, distribuída em sete salas do primeiro andar. Esta mostra celebra a obra do pintor mineiro, descendente de italianos, que dedicou suas últimas quatro décadas à pintura, utilizando uma técnica singular com um pente artesanal para criar texturas na tinta fresca. A curadoria deste evento é de Lorraine Mendes e Thierry Freitas.
Outra exposição, intitulada O avesso das origens: o Brasil na FESTAC ’77, acontecerá de 6 de março a 6 de junho de 2027, no segundo andar da Pina Luz. Ela revisita a participação brasileira no Segundo Festival Mundial de Artes e Cultura Negra e Africana (FESTAC), realizado em Lagos, Nigéria, em 1977. A mostra aborda as tensões da época, quando o Brasil vivia sob ditadura civil-militar, e o Ministério das Relações Exteriores tentava projetar uma imagem de “democracia racial”, o que incluía censuras, como a sofrida por Abdias do Nascimento, que foi impedido de expor seu ensaio “O genocídio do negro brasileiro”. Renato Menezes é o responsável pela curadoria.
No Octógono, Carolina Cordeiro (mineira, 1983) apresentará sua obra de 3 de abril a 25 de julho de 2027. Cordeiro é citada como um nome proeminente da nova geração da arte contemporânea nacional, e seus trabalhos combinam escultura, instalação e o uso de materiais como zinco e cerâmica, dialogando com a arquitetura do local. Pollyana Quintella cuida da curadoria.
Também no Octógono, a mostra dedicada a Wu Tsang (norte-americana, 1982), cineasta, artista visual e performer, começará em 14 de agosto. Os trabalhos de Tsang misturam linguagens que variam do documentário à instalação, focando em temas de identidades trans e queer. Pollyana Quintella também é a curadora desta exposição.
A partir de 28 de agosto, em sete salas do primeiro andar, será exibida a obra de Belkis Ayón (cubana, 1967-1999). Esta exposição resgata os trabalhos da artista, notável na colografia — técnica que gera texturas em tons de cinza e preto através da colagem de diversos materiais. Trata-se da primeira grande mostra individual de Ayón no Brasil, e ela enfatiza a presença da mitologia da sociedade Abakuá em sua arte. Lorraine Mendes é a curadora.
A Pina Estação receberá, a partir de 24 de abril, a mostra Equipe 3, que homenageia o legado do coletivo de arte conceitual formado em São Paulo em 1971 por Lydia Okumura, Genilson Soares e Francisco Iñarra. Suas instalações efêmeras foram detalhadamente documentadas para a posteridade, permitindo sua recuperação atual. Um ponto alto é o olhar sobre Pontos de Vista, obra apresentada em 1973 na 12ª Bienal de São Paulo. Ana Paula Lopes é a curadora.
No quarto andar, Brígida Baltar (carioca, 1959-2022) terá sua obra em exposição de 12 de junho a 17 de outubro. A mostra oferece uma visão panorâmica da produção da artista, que utilizou esculturas, instalações, fotografias e performances, muitas vezes usando sua própria casa-ateliê como fonte de inspiração e material. Pollyana Quintella é a curadora.
A partir de 27 de novembro, o quarto andar da Pina Estação será dedicado a Francis Alÿs (belga, 1959), artista que reside na Cidade do México desde 1986. A exposição incluirá vídeo, desenho, performance e pintura, sendo Alÿs um nome relevante na arte contemporânea mundial, tendo representado a Bélgica na Bienal de Veneza em 2022. Cuauhtémoc Medina é o curador, tendo participado anteriormente de ações efêmeras de Alÿs.
Na Galeria Praça, o artista visual mineiro Froiid (1986) apresentará um trabalho inédito, encomendado pela Pinacoteca e concebido especificamente para o espaço. A instituição considera esta obra uma continuação da investigação do autor sobre os ritos de sociabilidade negra nas periferias das principais cidades brasileiras. Renato Menezes é o curador.
A mostra Alegorias do Brasil, que ocorrerá de 22 de maio a 3 de outubro na Grande Galeria, utiliza a Coleção Brasiliana da Pinacoteca como base para refletir sobre a formação de imagens nacionais, explorando a interação entre a natureza e a humanidade. É uma exposição coletiva que coloca painéis pintados por Stephan Kessler no século XVII em diálogo com artistas atuais. Renato Menezes e Yuri Quevedo são os curadores.
A cineasta e artista visual brasiliense Ana Vaz (1986) fará sua estreia na Galeria Praça no final de agosto com a videoinstalação “É Noite na América”. Filmado no zoológico de Brasília, este longa-metragem constrói uma narrativa sobre poder e natureza na capital nacional. Ana Maria Maia é a curadora.
Embora ultrapasse 2027, a última exibição na Grande Galeria destaca o legado de Keith Haring (artista visual e ativista, 1958-1990). Haring foi fundamental na arte urbana de Nova York durante a década de 1980, tornando seus desenhos feitos com giz no metrô onipresentes. Como vítima precoce da Aids, ele direcionou seus últimos anos à conscientização sobre a epidemia de HIV, criando murais públicos sobre o tema. Esta será a primeira grande exposição individual do artista no Brasil desde 2010, apresentando obras inéditas no país. Thierry Freitas está encarregado da curadoria.
A Pinacoteca de São Paulo funciona de quarta a segunda-feira, das 10h às 18h, aceitando entradas até às 17h. O valor do ingresso é de R$ 40, com opção de meia-entrada, e um único bilhete concede acesso aos três edifícios, desde que a visita ocorra no mesmo dia da compra.
