Vulnerabilidade no PHP que causou interrupção de sites foi descoberta há dois anos
Leia mais
Olhar Digital
olhardigital.com.br

Vulnerabilidade no PHP que causou interrupção de sites foi descoberta há dois anos

A Fundação PHP confirmou que os primeiros indícios das falhas que resultaram na suspensão preventiva de diversos websites em várias nações surgiram em 2024. O processo de correção dessas vulnerabilidades foi interrompido e reiniciado múltiplas vezes, devido à escassez de recursos e às dificuldades tomadas pela equipe de segurança.

Essas falhas possuem potencial para permitir que invasores obtenham controle sobre servidores sem a necessidade de credenciais de login ou senha. Uma atualização de segurança já foi disponibilizada, e tanto entidades governamentais quanto corporações implementaram ações preventivas para diminuir a probabilidade de ataques.

O problema foi detectado durante uma auditoria externa conduzida em 2024 pela Quarkslab, uma empresa francesa especializada em cibersegurança. De acordo com a Fundação PHP, o esforço para sanar as vulnerabilidades se estendeu por vários meses e enfrentou três impedimentos significativos.

A fundação também reconheceu que a segurança da linguagem depende de um número limitado de desenvolvedores, que são apoiados por fundações, e de colaboradores voluntários. A restrição de recursos gera grande apreensão, dada a ampla utilização do PHP na internet, sendo empregado em plataformas notáveis como Facebook, Wikipedia e WordPress, além do Moodle, usado por instituições de ensino, e do Magento, focado em comércio eletrônico.

A Fundação PHP emprega ferramentas de inteligência artificial, como o Claude Mythos, para analisar códigos e avaliar relatórios de falhas. Embora esses recursos ajudem a identificar problemas com maior rapidez, eles não são capazes de definir a maneira ideal de estruturar uma correção.

A investigação sobre as falhas progrediu para além da fundação. A empresa de segurança Calif e a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, identificaram as vulnerabilidades de maneira autônoma e as reportaram em agosto deste ano. Posteriormente, a Wiz, especialista em segurança na nuvem, descobriu outras maneiras de explorar essas falhas.

Na quarta-feira (21), a Wiz classificou o incidente como um dos mais críticos já registrados no PHP. A empresa declarou que tais descobertas se enquadram entre as vulnerabilidades mais sérias encontradas no PHP e, possivelmente, na história do software. A companhia acrescentou que, por mais de uma década, essas falhas críticas permaneceram sem solução porque a detecção e exploração de vulnerabilidades era extremamente complexa sem o auxílio da IA.

Para investigar as falhas, a Wiz utilizou os modelos Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI.

Desde a quarta-feira (21), governos e empresas de diversos países suspenderam temporariamente o acesso aos seus sites como medida de prevenção contra invasões. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tribunais suspenderam o acesso ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado na administração de processos. Até o momento, não foram relatados grandes prejuízos no país.

A vasta extensão da exposição ajuda a justificar a preocupação com a falha. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações, aponta que rankings públicos indicam que o PHP é a linguagem utilizada em aproximadamente 70% dos sites.

Com a atualização de segurança já disponível, a implementação da correção nos sistemas afetados constitui a principal estratégia para mitigar o risco de invasões.

Popular