O ambiente competitivo dos videogames pode assumir novas formas de participação. Além dos torneios tradicionais de eSports, as plataformas estão começando a usar dados de desempenho para permitir que jogadores comuns participem de competições sem a necessidade de ingressar em equipes profissionais.
Um desses conceitos é o Game Skill Monetization (GSM), um modelo que transforma estatísticas obtidas durante as partidas em pontos que determinam os vencedores das competições.
Um representante da Gamers Brawl, plataforma que utiliza este sistema, explicou o funcionamento da tecnologia e os desafios de garantir a justiça dos resultados em entrevista ao Olhar Digital durante a Brasil Game Show (BGS).
Diferentemente dos confrontos clássicos, os participantes não precisam jogar um contra o outro. Cada usuário realiza suas partidas no modo normal, enquanto a plataforma monitora métricas como abates, assistências, ouro acumulado e objetivos capturados.
Tomando como exemplo o League of Legends, o sistema considera diferentes funções dos personagens. Por exemplo, um jogador de suporte é avaliado por critérios diferentes de um atirador, pois cada posição contribui para a equipe de maneira distinta. Em última análise, as estatísticas são convertidas em pontos que são usados para determinar o vencedor da competição.
Essa abordagem permite que os jogadores participem de concursos sem abandonar os modos de jogo habituais. No entanto, o uso de estatísticas individuais também apresenta dificuldades, especialmente no que diz respeito à manipulação de resultados.
Entre os problemas destacados estão o uso de contas secundárias, o compartilhamento de perfis e programas trapaceiros. Para identificar possíveis violações, sistemas antifraude podem analisar o histórico de desempenho e procurar mudanças incomuns no comportamento dos jogadores. Neste caso apresentado, a tecnologia aplica aprendizado de máquina e analisa mais de 100 atributos para detectar situações suspeitas. Uma mudança repentina e significativa nas estatísticas, por exemplo, pode levar à suspensão da competição para análise.
No entanto, esse monitoramento não elimina completamente a possibilidade de fraude e depende de critérios adequados para evitar punições injustificadas. O modelo também levanta a questão do acesso às competições de videogame. Enquanto a cena profissional geralmente exige treinamento, participação em equipes e dedicação constante, as competições baseadas em desempenho permitem que jogadores comuns experimentem a dinâmica competitiva usando seus próprios jogos.
O conceito ainda enfrenta desafios relacionados ao balanceamento de pontos, prevenção de fraudes e comparação de diferentes estilos de jogo. No entanto, a aplicação de estatísticas para criar competições individuais demonstra como os dados gerados pelos videogames podem ser usados para desenvolver novos formatos competitivos, além dos campeonatos tradicionais.
