As autoridades sanitárias da Nigéria, o país mais populoso da África, informaram que o primeiro caso de Ebola detectado no território nacional pertence à estirpe Bundibugyo, a mesma responsável pela epidemia na República Democrática do Congo. O estado de saúde da paciente, identificada como diplomata, piorou significativamente.
Olajumoke Babatunde, diretor dos serviços de laboratório de saúde pública no Centro Nigeriano de Controlo e Prevenção de Doenças, confirmou que foram realizados testes moleculares em três níveis e que a estirpe identificada era a Bundibugyo. Outro responsável detalhou que a diplomata chegou a um quadro de falência multiorgânica.
O Ministro da Saúde nigeriano, Ali Pate, esclareceu que a paciente havia chegado recentemente à Nigéria vinda de um voo originário do Uganda. Ela foi internada em um hospital particular na capital, Abuja, onde recebeu tratamento por vários dias antes do diagnóstico ser confirmado. Os sintomas começaram em 7 de outubro, e ela foi admitida em Abuja em 11 de outubro.
Esta nova ocorrência ocorre após o Uganda ter registrado casos de Ebola, embora tenha sido posteriormente declarado livre do vírus. A Nigéria torna-se, assim, o mais recente país a registrar um caso, sucedendo ao Quênia, que confirmou seu primeiro caso no início do mês corrente e registrou um total de oito casos.
Há duas semanas, o Centro de Controlo de Doenças (CDC) da Nigéria já havia anunciado que intensificaria a vigilância devido à detecção de Ebola no Quênia, reforçando a preparação nacional para um possível surto. O CDC nigeriano enfatizou que esses esforços incluem detecção precoce, isolamento, diagnóstico laboratorial, rastreio de contatos, prevenção e controle da infecção, além de comunicação de riscos e proteção dos profissionais de saúde.
O Quênia é o quarto país a registrar um caso relacionado à epidemia da RDCongo, somando-se ao Uganda, França e Países Baixos. No Uganda, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o fim do surto em 26 de agosto, após contabilizar 20 casos confirmados, sendo 15 deles importados da RDCongo, resultando em duas mortes.
Diante dos casos recentes no Quênia e na Nigéria, a agência de saúde pública da União Africana (UA) convocou uma reunião virtual para 28 de outubro com os ministros da Saúde do continente, visando tratar da «ameaça crescente» do vírus Ebola. O comunicado do CDC África ressaltou que, cinco meses após o início da resposta, o surto causado pelo vírus Bundibugyo persiste na RDCongo, e agora houve notificações no Quênia e na Nigéria.
A nota também apontou que a disseminação geográfica do Ebola pela África Central, Oriental e Ocidental «exige uma ação urgente e coordenada». A reunião servirá para que as autoridades avaliem a situação, fortaleçam a coordenação transfronteiriça, acelerem a assistência aos países atingidos e melhorem a preparação continental.
A epidemia na RDCongo é citada como a segunda mais mortal da história mundial, tendo gerado 9.552 casos confirmados e 4.602 óbitos, conforme o último balanço oficial coletado até 18 de outubro. O Ebola é um vírus altamente transmissível, transmitido pelo contato direto com fluidos corporais de indivíduos infectados, como sangue e vômito, ou pelo toque em superfícies e materiais contaminados, como roupas de cama e vestuário.
