A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou informações sobre a realização de casamentos e outras festividades em uma antiga comunidade localizada no Chile. Este local foi estabelecido por um ex-militar nazista e foi palco de sérias violações dos direitos humanos durante o período da ditadura de Augusto Pinochet.
Especialistas das Nações Unidas indicaram que essas celebrações ocorreram em Villa Bavieta, que faz parte do antigo complexo da Colónia da Dignidade. Esta colônia foi fundada em 1961 por Paul Schäfer, um ex-militar nazista.
Em um comunicado conjunto, os peritos da ONU expressaram sua consternação ao saber que eventos estavam acontecendo em um local onde houve graves violações de direitos humanos e cuja desapropriação já estava planejada. Eles também emitiram um alerta sobre a preparação de atividades semelhantes nas próximas semanas.
Entre os especialistas envolvidos estavam o relator especial sobre tortura, Pau Pérez-Sales, e membros do Grupo de Trabalho da ONU sobre Desaparecimentos Forçados. Estes profissionais solicitaram às autoridades chilenas que tomassem as providências necessárias para garantir a preservação de quaisquer evidências que ainda pudessem existir no recinto.
A Colónia da Dignidade, que foi estabelecida por imigrantes de origem alemã, colaborou com as Forças Armadas chilenas para executar detenções arbitrárias, atos de tortura, abusos sexuais, execuções sumárias e desaparecimentos forçados, conforme registrado pelos signatários do comunicado.
Os restos mortais das vítimas foram sepultados, exumados e incinerados dentro do próprio local, sendo estimado que mais de cem pessoas possam ter sido vítimas de desaparecimento forçado.
Os peritos enfatizaram que aquele é um local onde foram cometidas algumas das mais graves violações de direitos humanos na história do Chile, e ele não deve ser tratado meramente como um ponto turístico ou de lazer.
Paul Schäfer já havia sido acusado de pedofilia na Alemanha antes de fugir para o Chile e fundar a Colónia da Dignidade, onde residiam outros colonos alemães e cidadãos chilenos. Após deixar o Chile, o alemão foi detido e preso na Argentina em 2005, morrendo na prisão em 2010.
O regime militar autoritário, sob a liderança de Augusto Pinochet, governou o Chile por um período de 17 anos, de 11 de setembro de 1973 até 11 de março de 1990.
