Cientistas aprovam o fim do 'segundo bissexto' e alteram o método de marcação do tempo global
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Cientistas aprovam o fim do 'segundo bissexto' e alteram o método de marcação do tempo global

Cientistas e representantes de diversas nações concordaram em encerrar o uso do chamado 'segundo bissexto', um ajuste que era empregado para manter o tempo oficial alinhado com a rotação da Terra. Esta deliberação foi formalizada na quinta-feira, dia 15, durante a 28ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, que ocorreu na região de Versalhes, França.

A modificação terá início em 20 de maio de 2027. Com esta mudança, a divergência entre o tempo oficial e o tempo ditado pela rotação terrestre poderá crescer até uma hora, dispensando a necessidade de correções de um segundo. O objetivo principal desta medida é mitigar os riscos inerentes a esses ajustes em sistemas cruciais, como redes de comunicação, serviços financeiros, navegação por satélite e computadores.

Este mecanismo, utilizado por décadas, será descontinuado, impactando a forma como a humanidade gerencia a medição temporal. Conforme reportado pela Nature, a decisão também considera a eventualidade de ser preciso aplicar um segundo bissexto negativo, algo inédito. Neste cenário hipotético, seria necessário subtrair um segundo do relógio em vez de adicioná-lo, o que poderia gerar complicações adicionais em ambientes digitais.

O Tempo Universal Coordenado (UTC) funciona como a referência internacional primária para a sincronização de relógios e sistemas, servindo de base para aplicações que abrangem desde telecomunicações e navegação por satélite até transações financeiras e infraestrutura digital.

Desde 1972, o sistema tem utilizado segundos bissextos para manter o UTC próximo ao tempo determinado pela rotação terrestre, denominado UT1. Quando a diferença entre essas duas referências se aproxima do limite pré-estabelecido, um segundo é somado ao UTC, fazendo com que a sequência de relógios passe de 23h59min59s para 23h59min60s, em vez de saltar diretamente para a meia-noite.

O último acréscimo de segundo bissexto ocorreu em 31 de dezembro de 2016, e desde então não houve mais tais ajustes. Contudo, os sistemas computacionais nem sempre processam bem essa alteração, podendo interpretar o segundo extra de formas distintas, o que causa inconsistências na sincronização e falhas operacionais.

A situação seria ainda mais complexa caso fosse necessário realizar o ajuste inverso, removendo um segundo. Isso exigiria que os sistemas, acostumados a uma progressão temporal ininterrupta, lidassem com uma correção nunca antes implementada.

A preocupação com os perigos tecnológicos já era objeto de debate internacional. Em 2022, a Conferência Geral de Pesos e Medidas deliberou estender, até 2035, o limite aceitável para a disparidade entre UTC e o tempo da rotação terrestre. A decisão tomada em outubro de 2026 antecipou essa transição.

A nova diretriz permite que essa diferença atinja 3.600 segundos, equivalente a uma hora, sem a necessidade de inserção de segundos bissextos. O UTC passará a operar de modo contínuo a partir de 20 de maio de 2027. Segundo o Bureau Internacional de Pesos e Medidas (BIPM), a coordenação temporal internacional é vital para garantir que sistemas de navegação, telecomunicações, infraestrutura digital e transações financeiras funcionem sob um padrão comum.

Esta alteração visa especificamente diminuir a dependência de ajustes irregulares que podem induzir comportamentos imprevistos em tecnologias. É importante notar que isso não implica a paralisação dos relógios atômicos ou a perda da capacidade científica de monitorar a rotação terrestre; apenas muda a metodologia de conciliação das duas referências no padrão internacional de tempo.

Outro fator relevante que reacendeu o debate é a observação de períodos de aceleração na rotação terrestre nos últimos anos. Historicamente, a influência das marés lunares tende a desacelerar a Terra, mas medições a partir de 2020 apontaram fases em que o planeta girou mais rápido que o previsto.

O Laboratório de Tempo e Espaço do Observatório de Paris aponta que as razões exatas desse comportamento ainda não são totalmente conhecidas, sendo uma das teorias possíveis os movimentos internos do núcleo terrestre, cuja dinâmica é pouco compreendida.

Se a tendência de aceleração se mantiver, pode surgir a necessidade de um segundo bissexto negativo entre 2030 e 2035, o que implicaria a retirada de um segundo do UTC, uma prática jamais executada. Essa possibilidade intensificou a apreensão quanto aos impactos de uma correção inédita em infraestruturas sensíveis ao tempo.

Para a maioria da população, a mudança não trará alterações notáveis na rotina diária, pois relógios de celular, computador e pulso continuarão exibindo as horas normalmente. O efeito é sentido primordialmente na infraestrutura global que exige uma referência temporal constante. Sistemas bancários, redes de computadores, serviços de navegação por satélite e instalações científicas dependem dessa sincronia precisa.

Apesar disso, a necessidade de acompanhar a rotação terrestre persiste. Astrônomos e pesquisadores continuarão usando medições específicas para definir a posição e o movimento planetário. A distinção reside no fato de que o UTC poderá divergir gradualmente do tempo astronômico sem necessitar de correções de um segundo.

O BIPM afirma que o limite de uma hora garantirá a continuidade do padrão internacional por vários séculos, transferindo a discussão sobre o acúmulo de diferenças entre o tempo atômico e a rotação terrestre para o futuro. Assim, a decisão representa um avanço significativo na metrologia: em vez de corrigir constantemente o relógio oficial para acompanhar as minúsculas variações do planeta, o sistema internacional adotará uma referência contínua, mais compatível com as demandas da tecnologia moderna.

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