Nesta noite, a Lua atinge o apogeu, que é definido como o ponto mais distante que o satélite natural alcança da Terra durante cada órbita planetária.
Observa-se que a distância entre a Terra e a Lua tem uma tendência crescente. Segundo a NASA, o motor desse afastamento gradual é o próprio movimento dos mares terrestres. A atração gravitacional da Lua gera as marés nos oceanos. Contudo, como o planeta gira significativamente mais rápido do que a Lua se move ao redor dele, o volume de água acumula-se ligeiramente à frente do satélite.
Essa pequena discrepância posicional faz com que a massa de água aplique uma força gravitacional extra sobre a Lua, o que transfere energia e causa seu afastamento progressivo. Desde as missões Apollo, a distância entre os dois corpos tem sido medida com alta precisão, utilizando refletores instalados na superfície lunar pela NASA. Cientistas disparam lasers nesses espelhos para cronometrar o retorno da luz, confirmando que a Lua se distancia aproximadamente 3,8 centímetros anualmente da Terra, um ritmo comparável ao crescimento de uma unha humana.
Essa troca de forças atua como um freio sutil para a Terra, influenciando diretamente sua rotação. À medida que a Lua utiliza a energia do planeta para se afastar, a rotação terrestre desacelera devido às marés, resultando no aumento gradual da duração dos nossos dias. Esse efeito não é notável na vida cotidiana, adicionando apenas cerca de 1,7 milissegundo a cada século. Entretanto, em escalas geológicas, a diferença é imensa: quando a Lua se formou, há cerca de 4,5 bilhões de anos, um dia na Terra durava aproximadamente seis horas.
Em um futuro muito distante, o afastamento contínuo da Lua trará mudanças visíveis no céu terrestre. Por exemplo, os eclipses solares totais estão ameaçados. Com a Lua cada vez mais distante, seu tamanho aparente no céu diminui, impedindo-a de cobrir integralmente o disco solar. Estima-se que, em cerca de 600 milhões de anos, a humanidade só conseguirá presenciar eclipses solares anulares, onde um círculo de luz solar permanecerá visível ao redor do satélite.
Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional (ON) e gestora da Divisão de Comunicação e Popularização da Ciência (DICOP) há mais de 45 anos, resume que, com o afastamento da Lua, ela jamais terá um diâmetro aparente igual ou superior ao do Sol, cessando assim os eclipses solares totais a partir de um certo período.
Questiona-se então quando esse distanciamento pode se tornar uma ameaça real. Felizmente, a resposta aponta para um futuro tão remoto que não exige preocupação imediata. Teoricamente, a expansão orbital culminaria em um acoplamento de maré total, momento em que o dia terrestre teria 47 dias atuais e a Lua estaria fixada no céu de um único hemisfério. No entanto, o prazo para isso é medido em bilhões de anos. Antes que o afastamento impacte o clima ou o equilíbrio planetário, o Sol consumirá seu combustível. Em aproximadamente 5 bilhões de anos, nossa estrela se tornará uma gigante vermelha, engolindo tanto a Terra quanto a Lua muito antes de qualquer separação definitiva entre elas.
Dessa forma, apesar de a Lua estar se afastando minimamente a cada ano, ela continuará a iluminar nossas noites e a regular o ciclo das marés por bilhões de anos. Não há motivo para alarme, pois nosso satélite natural permanecerá visível por um longo período.
