A Volvo está fortalecendo sua colaboração com a Nvidia visando criar uma nova geração de sistemas de assistência à direção. Esses sistemas terão a capacidade de gerenciar tarefas complexas, abrangendo trajetos em áreas urbanas, rodovias e estacionamentos. Espera-se que essa tecnologia seja introduzida em um novo modelo da montadora sueca antes do final desta década.
Este anúncio, realizado nesta quinta-feira (15), marca uma ampliação de uma cooperação que já perdura há quase dez anos. O objetivo principal é unir os sistemas de segurança desenvolvidos pela Volvo com a capacidade computacional e os softwares de inteligência artificial (IA) da Nvidia, permitindo que os veículos percorram distâncias com menor necessidade de intervenção do condutor.
Conforme relatado pela Reuters, a primeira aplicação dessa tecnologia será focada na condução supervisionada. Isso implica que, apesar dos recursos avançados de automação, a responsabilidade pelo veículo permanecerá com o motorista. A Volvo ainda não especificou qual modelo receberá o recurso primeiro ou qual será o custo associado a ele.
A nova linha de veículos integrará três componentes cruciais da Nvidia: a arquitetura Hyperion, o software de direção Alpamayo e o sistema operacional Halos. Cada um desses elementos tecnológicos desempenhará um papel específico no desenvolvimento e na operação dos recursos automatizados.
Essa integração visa capacitar os veículos a interpretar cenários de trânsito, detectar potenciais riscos e planejar ações necessárias, como acelerar, frear ou realizar curvas. A plataforma foi concebida para operar em diversos contextos, desde estradas abertas até vias congestionadas e manobras de estacionamento.
Segundo o The Verge, o sistema planejado pela Volvo foi classificado como nível 2++, uma nomenclatura usada para designar recursos sofisticados de assistência à direção. Essa tecnologia deve possibilitar que o carro gerencie semáforos, placas de parada obrigatória e conversões à esquerda em locais sem proteção de tráfego oposto.
A proposta é proporcionar uma experiência de direção sem a necessidade de manter as mãos no volante sob certas circunstâncias, incluindo em rotas urbanas. Contudo, é importante ressaltar que isso não equivale à autonomia total; o sistema não isenta o motorista de sua responsabilidade.
O funcionamento será comparável, em certos aspectos, ao Full Self-Driving (Supervised) da Tesla e a outros sistemas de assistência à direção criados com a Nvidia por outras montadoras, segundo o The Verge.
A montadora não pretende depender exclusivamente das inovações da Nvidia. Sua estratégia também inclui a incorporação de funcionalidades próprias da Volvo, como sistemas que monitoram o comportamento do motorista e tecnologias de segurança conectada. Tais mecanismos de vigilância buscam entender o estado e a conduta de quem dirige com maior profundidade do que os métodos tradicionais de acompanhamento.
Além disso, a Volvo possui uma tecnologia que permite o compartilhamento de informações sobre perigos e condições da via entre diferentes veículos. Esses dados podem abranger a presença de obras ou outros impedimentos adiante, expandindo a percepção de riscos além do que os sensores de um único automóvel conseguiriam identificar.
A união desses recursos com a IA da Nvidia faz parte do plano da empresa para desenvolver sistemas automatizados, mantendo a segurança como pilar central. Apesar do aumento no uso de sensores e processamento computacional, a configuração descrita pelo The Verge não incluirá inicialmente o lidar, tecnologia que usa pulsos de laser para mapear distâncias e criar representações tridimensionais do ambiente. Embora a Volvo possa adicionar esse sensor futuramente, ela não confirmou alteração no projeto atual.
Esta decisão surge após contratempos em projetos anteriores de direção autônoma. A companhia havia trabalhado no Ride Pilot, um sistema de nível 3 que permitiria dirigir sem supervisão constante em condições específicas, mas este projeto foi suspenso nos Estados Unidos devido a entraves na obtenção de aprovações regulatórias. Um outro plano para aumentar o uso de lidar em seus veículos foi afetado pela falência da fornecedora Luminar.
A expansão da colaboração também visa levar os novos recursos a uma gama maior da linha de produtos da Volvo. A intenção é disponibilizar a tecnologia em veículos de variados patamares de preço, englobando modelos elétricos, híbridos plug-in e carros movidos a combustão.
A empresa ainda não divulgou quais versões serão contempladas primeiramente, nem apresentou um cronograma detalhado de lançamento por modelo. A parceria também alinha-se à meta da Nvidia de crescer no setor automotivo, fornecendo componentes de computação e softwares a diversos fabricantes. Para a Volvo, esta colaboração representa uma chance de acelerar o desenvolvimento de sistemas de assistência à direção sem comprometer suas próprias soluções de segurança.
O lançamento está previsto para ocorrer antes do final de 2029, embora a data precisa e os primeiros modelos envolvidos ainda não tenham sido comunicados. A notícia original foi publicada no Olhar Digital.
