Um novo projeto de lei sobre o mercado de capitais está em fase de preparação no Uzbequistão. Este ato legislativo visa expandir as capacidades das empresas para atrair investimentos e introduzir uma série de novos instrumentos financeiros, incluindo títulos islâmicos sukuk.
O rendimento dos sukuk será determinado de acordo com os princípios do financiamento islâmico, e não através de pagamentos de juros tradicionais. O projeto de lei, apresentado em 14 de outubro na Agência Nacional de Projetos Avançados (NAPP), contém 16 capítulos e 123 artigos. Ele já passou pela primeira leitura na Câmara Legislativa do Oliy Majlis e está pronto para ser considerado na segunda leitura.
Quais instrumentos aparecerão no mercado
Uma das mudanças mais importantes será a regulamentação dos sukuk. Ao contrário das obrigações padrão, onde o investidor recebe juros pelo empréstimo concedido, o rendimento dos sukuk pode ser gerado a partir do lucro do projeto, pagamentos de aluguel ou outras operações com ativos, o que está de acordo com as normas do financiamento islâmico. Por exemplo, uma empresa pode usar os fundos para construir um objeto, e os investidores recebem rendimento de sua operação com base nos títulos emitidos.
O projeto de lei também prevê a possibilidade de emissão de obrigações focadas no desenvolvimento sustentável, destinadas a apoiar iniciativas ambientais e sociais. Além disso, planeja-se regular o uso de instrumentos como futuros, opções, forwards, swaps e contratos de diferença de preços. Esses instrumentos ajudam a gerenciar riscos financeiros e aplicar diversas estratégias de investimento, embora apresentem riscos adicionais.
A questão dos títulos garantidos e securitizados também está sendo considerada: os primeiros são garantidos por um determinado conjunto de ativos, e os segundos permitem atrair financiamento com base em ativos ou fluxos de caixa relacionados. Também se propõe estabelecer regras para a emissão de obrigações de instituições financeiras internacionais.
A expansão do leque de instrumentos disponíveis deve dar aos investidores oportunidades mais amplas para alocar fundos e às empresas caminhos adicionais para atrair capital, além dos empréstimos bancários tradicionais.
Por que mudar a legislação
A NAPP explica a necessidade desta reforma afirmando que o mercado financeiro está em desenvolvimento e novos tipos de instrumentos estão surgindo, exigindo regulamentação própria. O novo projeto de lei é baseado na análise das regras vigentes sobre o mercado de valores mobiliários, aprovadas em 2015. Atualmente, a lei contém 64 artigos, enquanto o documento atualizado conta com 123.
Representantes de estruturas financeiras internacionais, incluindo o Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, a Corporação Financeira Internacional e o Banco Asiático de Desenvolvimento, participaram do desenvolvimento. De acordo com a NAPP, o volume de emissão de ações aumentou de 189,7 trilhões de soums em 2023 para 265,1 trilhões de soums em 2025, e até 1º de julho de 2026, esse indicador atingirá 269,4 trilhões de soums.
De forma semelhante, o volume de emissão de obrigações corporativas aumentou de 1,06 trilhão para 3,93 trilhões de soums no mesmo período. Há também um aumento nos volumes de negociação na bolsa de valores: eles cresceram de 2,9 trilhões de soums em 2023 para 17,6 trilhões de soums em 2025.
A NAPP prevê que, com a implementação de novos instrumentos, serão atraídos 10 trilhões de soums adicionais em investimentos até 2030. Deve-se notar que este é um indicador alvo, e não um volume já alcançado.
O que mudará no funcionamento do mercado de ações
O projeto de lei também traz alterações na infraestrutura do mercado. Está prevista a introdução do instituto de contraparte central, a expansão das funções da Central Depositária de Valores Mobiliários, bem como o aprimoramento da regulamentação das atividades de gestoras e agências de classificação de risco.
O documento prevê a criação de organizações autorreguladoras e o estabelecimento do instituto de representantes de detentores de obrigações. Este último mecanismo visa garantir a proteção dos interesses gerais dos detentores de títulos de dívida. No entanto, todas as mudanças mencionadas são apenas propostas, pois o projeto de lei ainda precisa passar por mais discussões no parlamento, o que pode levar ao ajuste da lista final de instrumentos e das regras de aplicação.
O resultado real da reforma dependerá diretamente da eficácia do funcionamento dos novos mecanismos e das condições criadas para os participantes do mercado — tanto para investidores quanto para empresas.

