O Presidente brasileiro, Lula da Silva, manifestou satisfação com a aprovação da proposta que visa diminuir a carga horária semanal sem implicar cortes salariais. Contudo, diversas entidades empresariais expressaram críticas à chancela desta proposta pelo Senado.
Esta Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que constitui um dos temas centrais da campanha de Lula, candidato à reeleição, obteve aprovação majoritária em dois turnos no Senado, com 75 votos a favor e apenas um voto contrário. O documento está agora encaminhado para a promulgação.
Após acompanhar remotamente a votação no Senado, Lula utilizou suas redes sociais para declarar: «Lutamos, discutimos e pressionamos para garantir que o Congresso votasse ainda este ano o fim da 6x1!» Ele reforçou seu agradecimento ao povo que compareceu às ruas e aos parlamentares que apoiaram a iniciativa, afirmando que «a voz do povo foi a voz que me conduziu para que, juntos, garantíssemos mais tempo para descansar, acompanhar os filhos e estar com quem amamos».
Em um movimento estratégico, tanto o candidato presidencial Flávio Bolsonaro quanto o Partido Liberal (PL) optaram por votar a favor da PEC, buscando evitar prejuízos em sua campanha eleitoral, diante da pressão popular pela aprovação da matéria.
A eliminação da escala 6x1, que corresponde a cinco dias de labor seguidos por dois dias de folga, foi veementemente contestada por grandes sindicatos patronais dos setores de indústria, comércio e serviços. De maneira geral, essas entidades classificaram a alteração como prejudicial à economia, prevendo consequências como demissões e a deterioração dos serviços essenciais.
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em nota enviada à Lusa, lamentou que o assunto tivesse sido debatido e aprovado durante o período eleitoral. Embora reconheça a validade do debate sobre a melhoria das condições de trabalho e da qualidade de vida dos trabalhadores, a CNC ressaltou que modificações estruturais dessa dimensão necessitam de análise técnica aprofundada, diálogo e avaliação cuidadosa de seus efeitos sobre o emprego, a competitividade e a sustentabilidade empresarial, particularmente nos segmentos de comércio, serviços e turismo.
Por sua vez, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) declarou que o cenário se torna «ainda mais preocupante após redução da jornada de trabalho e fim da escala 6x1» e também criticou a aprovação da proposta no contexto eleitoral. A entidade comunicou que, segundo a avaliação do setor industrial, a medida sancionada pelo Senado Federal acarretará perdas econômicas, desemprego, transferência de custos para a população e aumento da inflação em todo o país. A CNI defende que a PEC deve ser revista para se alinhar à realidade brasileira, alertando que as alterações aprovadas pelo Congresso brasileiro elevarão os custos de produção em 267 bilhões de reais (equivalente a 47,58 bilhões de euros).
Adicionalmente, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também manifestou pesar pela aprovação da proposta, defendendo, em contrapartida, a PEC do Trabalho Flexível, atualmente apoiada pelo PL e por Flávio Bolsonaro. Esta PEC, de autoria do senador Rogério Marinho e coordenador de campanha de Flávio, sugere que os trabalhadores possam escolher entre o regime de trabalho convencional ou negociar com o empregador uma jornada baseada em horas. A Abrasel expressou a esperança de que a PEC do Trabalho Flexível seja aprovada no início do próximo ano, sob a nova administração do Congresso Nacional, visando permitir que o Brasil supere um possível retrocesso e avance para um modelo contratual que atenda aos interesses tanto dos trabalhadores quanto dos empresários, cujo objetivo comum é a prosperidade coletiva.
A aprovação desta PEC representa uma das principais estratégias políticas de Lula para reverter a rejeição de sua gestão e buscar sucesso nas eleições, visto que ele ficou atrás de Flávio por 2,2 milhões de votos na primeira rodada. A celeridade na tramitação, ocorrida poucos dias antes do segundo turno, foi viabilizada por um acordo entre o Governo Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cuja reeleição para a Câmara Alta em fevereiro de 2027 estava ameaçada pelo PL, que detinha a maioria dos 81 senadores.
