A Apple registrou um fechamento de pregão na quarta-feira (14) com um valor de mercado estimado em US$ 5,005 trilhões, o que equivale a aproximadamente R$ 25,2 trilhões. Este feito a coloca como a segunda corporação na história a encerrar o dia com capitalização superior a US$ 5 trilhões.
Este marco reforça o legado de Tim Cook e estabelece um desafio significativo para seu sucessor, John Ternus: sustentar o crescimento da empresa e fortalecer sua presença na competição por inteligência artificial (IA).
As ações do fabricante do iPhone atingiram um nível recorde, fazendo com que a capitalização de mercado superasse ligeiramente o patamar histórico. Embora a empresa já tivesse cruzado a marca de US$ 5 trilhões em seis ocasiões anteriores durante o pregão, nunca havia finalizado uma sessão acima desse valor. A Nvidia foi a primeira companhia a alcançar tal patamar.
A transição de liderança ocorreu após 15 anos de administração de Cook na Apple. Durante seu período, que terminou em 31 de agosto, o valor de mercado da companhia multiplicou-se por 13, e as vendas anuais de iPhones quase quadruplicaram.
Desafios estratégicos e resposta da empresa
A estratégia atual da empresa enfrenta novos obstáculos. A alta demanda por componentes destinados aos centros de dados de IA gerou escassez e elevou os custos de chips de memória e armazenamento utilizados nos dispositivos iPhone, Mac e iPad.
Em resposta, a Apple implementou aumentos de preço em seus produtos, incluindo modelos mais antigos de iPhone que usualmente teriam valores reduzidos após o lançamento de novas gerações. Teoricamente, esses ajustes podem incentivar os consumidores a postergarem a substituição de seus aparelhos, impactando negativamente as vendas.
No entanto, até o momento, a recepção do mercado tem sido favorável: desde a primeira leva de reajustes de preços, as ações da empresa subiram 25%. O analista Wamsi Mohan, do Bank of America, acredita que os consumidores permanecerão dispostos a pagar mais pelos aparelhos, o que permitiria à companhia manter ou até aumentar o lucro total, apesar das margens menores.
Mohan também mencionou ao The Wall Street Journal o potencial do futuro iPhone dobrável, denominado iPhone Duo, e as inovações de IA da Siri como fatores que podem impulsionar a troca de dispositivos.
A Inteligência Artificial como ponto vulnerável
A IA é vista como um dos aspectos mais frágeis da estratégia da Apple. A empresa falhou em criar um modelo de ponta próprio capaz de competir com os principais sistemas do mercado, o que fez com que a Siri ficasse atrás de assistentes concorrentes. O lançamento do ChatGPT intensificou as expectativas dos consumidores sobre as capacidades dos chatbots em smartphones.
A companhia busca reverter este quadro com uma nova versão da Siri, desenvolvida com apoio do Google e programada para ser lançada no outono do Hemisfério Norte. Apesar de o assistente ainda apresentar limitações comparado aos rivais, sua integração nativa ao iPhone oferece uma vantagem: a Apple detém o controle do aparelho utilizado por milhões de pessoas e possui acesso a dados pessoais que, mediante autorização, poderiam possibilitar funcionalidades mais contextuais.
Contudo, a evolução dos agentes de IA ocorre em ritmo acelerado. Sistemas que conseguem executar tarefas em nome dos usuários aumentam a pressão sobre a Apple para que desenvolva recursos competitivos e preserve sua relevância no setor.
A concorrência transcende apenas o software. A OpenAI planeja introduzir uma linha de dispositivos com IA e recrutou centenas de ex-funcionários da Apple para impulsionar sua estratégia de hardware. Em julho, a Apple processou a OpenAI, alegando roubo de segredos comerciais. A OpenAI contestou, afirmando desconhecer provas que apoiem a denúncia.
Em uma nova ação judicial nesta quarta-feira, a OpenAI acusou a Apple de contratar um de seus colaboradores, que supostamente levou consigo arquivos confidenciais. A fabricante do iPhone refutou, declarando não ter encontrado evidências para sustentar essa alegação.
Essa disputa demonstra que o domínio dos dispositivos pode ser tão crucial quanto o desenvolvimento dos modelos de IA. Caso a OpenAI consiga estabelecer uma nova maneira de interação entre pessoas e tecnologia, ela poderá desafiar a posição que a Apple consolidou com o iPhone.
Para Ternus, o progresso em IA será determinante para definir a próxima etapa da empresa. O novo CEO precisará converter a IA em uma fonte de inovação e crescimento, sem negligenciar a rigorosa disciplina financeira que caracterizou a gestão de Cook.
