O regulador financeiro de Hong Kong determinou o bloqueio de mais de 4.600 milhões de dólares de Hong Kong, configurando o maior bloqueio de ativos na história do regulador, em decorrência de alegações de manipulação em ofertas públicas iniciais.
Conforme divulgado pela Comissão de Valores Mobiliários e Futuros de Hong Kong (SFC) em um comunicado na segunda-feira, essa medida histórica, avaliada em 523,1 milhões de euros, ocorreu simultaneamente à suspensão da negociação da popular rede chinesa de chá com bolinhas, a Chabaidao (Sichuan Baicha Baidao Industrial).
A Chabaidao, sediada em Chengdu, na província de Sichuan, e classificada como a terceira maior fabricante dessas bebidas na China em termos de valor de vendas, captou 2.460 milhões de dólares de Hong Kong (equivalente a 279 milhões de euros) durante sua estreia na bolsa em abril de 2024.
A SFC também suspendeu a listagem da empresa biofarmacêutica Cloudbreak Pharma e da companhia de tecnologia Tianju Dihe, após identificar irregularidades nas suas respectivas entradas no mercado de capitais.
A investigação aponta que ambos os grupos são suspeitos de terem gerado uma demanda artificial pelas ações durante os IPOs e de terem desviado parte dos recursos arrecadados para supostos investimentos em instrumentos financeiros.
Posteriormente, esse capital teria sido redirecionado aos principais subscritores das ofertas públicas iniciais ou a entidades ligadas a eles, possibilitando a recompra de ações no mercado secundário e a consequente inflação artificial dos preços, segundo o comunicado oficial.
Antes da suspensão, as ações da Chabaidao apresentavam uma desvalorização acumulada de 77% em comparação com seu preço inicial de lançamento.
A entidade reguladora da área administrativa especial vizinha de Macau emitiu ordens de restrição contra 35 corretoras, resultando no bloqueio de aproximadamente 4.380 milhões de dólares de Hong Kong (498 milhões de euros) no esquema associado à Chabaidao e à Cloudbreak, supostamente sob controle de Sun Ran e oito empresas relacionadas.
Adicionalmente, outros 285 milhões de dólares de Hong Kong (32 milhões de euros) estão retidos em contas do investidor Liu Haoran, relacionados à Tianju Dihe e distribuídos por vinte e nove corretoras.
Julia Leung, diretora executiva da SFC, alertou sobre a manutenção de uma política de tolerância zero contra a criação de mercados artificiais, mencionando a possibilidade de processos de restituição aos investidores de varejo afetados.
Essa ação faz parte de uma campanha de fiscalização do mercado de valores mobiliários de Hong Kong, na qual a SFC já vetou ou suspendeu 65 pedidos de listagem desde o começo do ano devido a falhas na documentação fornecida pelos responsáveis pelos processos de entrada em bolsa.

