Uma condição autoimune ligada à tireoide, conhecida como Doença Ocular da Tireoide (DOT), tem o potencial de provocar inchaço, olhos salientes, visão dupla e, em situações mais severas, levar à perda visual. Essa patologia pode resultar em modificações físicas permanentes e impactar negativamente a saúde mental dos indivíduos afetados.
Embora esteja conectada a alterações na tireoide, a manifestação da doença varia entre as pessoas. É importante notar que nem todos os pacientes com problemas na glândula desenvolvem complicações oculares, e a DOT pode surgir mesmo sem um diagnóstico prévio de disfunção tireoidiana.
Os sinais clínicos da doença são diversos e podem incluir vermelhidão, retraimento das pálpebras, dificuldade em fechar os olhos, aumento da produção de lágrimas, sensibilidade à luz e sensação de areia nos olhos. Além disso, podem ocorrer visão turva e diplopia, termo técnico para visão dupla. Em quadros mais avançados, a inflamação pode danificar o nervo óptico, resultando em neuropatia óptica e colocando a visão em risco.
As repercussões da DOT vão além da saúde física. As alterações na aparência e as dificuldades visuais podem interferir nas rotinas diárias, na carreira profissional e na autoestima do paciente. Dados indicam que 52% dos pacientes relatam perda de autoconfiança, 63% sofrem impacto psicossocial devido às mudanças estéticas, e outros 45% desenvolvem ansiedade e estresse.
Mesa Junior comenta que a doença afeta profundamente a vida do paciente, não só pela visão comprometida que atrapalha o trabalho e o cotidiano, mas também pela questão estética e como as pessoas percebem o indivíduo.
Mais informações sobre a condição
A incidência global da DOT é estimada em 16 casos por cada 100 mil mulheres e 2,9 casos por cada 100 mil homens. Embora seja mais comum em mulheres, as manifestações tendem a ser mais graves em homens e idosos.
O monitoramento médico é crucial, pois a condição atravessa fases distintas que requerem tratamentos específicos. Durante a fase ativa, quando há inflamação e sintomas presentes, Mesa Junior aponta que este período pode se estender de seis meses a dois anos, representando uma janela ideal para intervenção.
Após essa fase, a doença geralmente diminui sua atividade, mas nem sempre desaparece totalmente. Certas alterações, como a projeção ocular e o desvio do olhar, podem persistir, configurando a fase crônica. O plano de tratamento deve ser adaptado à fase e aos sintomas apresentados, podendo incluir medicação ou procedimentos cirúrgicos para aliviar a pressão na órbita, corrigir estrabismo ou tratar o retraimento palpebral.
O cuidado deve ser multidisciplinar. Além do endocrinologista, pode ser necessário o acompanhamento de um oftalmologista especializado em órbita e estrabismo para avaliar e tratar as complicações oculares. Reativações da doença, embora raras, podem acontecer, sendo o estresse emocional ou físico (como o gerado por cirurgias) e o uso de certos medicamentos citados como possíveis desencadeadores.
Pacientes com disfunções tireoidianas devem informar seu endocrinologista sobre quaisquer mudanças oculares. Inversamente, se os sintomas oculares surgirem primeiro, é fundamental que o oftalmologista investigue a possibilidade de uma condição tireoidiana associada. Mesa Junior enfatiza a importância de comunicar ao profissional de saúde casos de projeção ocular frontal ou visão dupla para que a investigação correta seja feita.
A conscientização sobre a DOT também é um foco de uma campanha promovida pela Vozes do Advocacy, federação que agrupa 25 associações de diabetes. Esta iniciativa inclui um minidocumentário com depoimentos de pacientes sobre as dificuldades de acesso à informação e ao diagnóstico, bem como sobre os impactos físicos e emocionais da Doença Ocular da Tireoide. O vídeo da campanha está acessível no YouTube, e o post original foi publicado no Olhar Digital.
