Projeto Casas Pinewood desenvolvido pelo NOMO STUDIO na Costa Brava
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Projeto Casas Pinewood desenvolvido pelo NOMO STUDIO na Costa Brava

As Casas Pinewood, um projeto conduzido pelo NOMO STUDIO, consistem em duas residências unifamiliares localizadas em uma pequena vila na costa mediterrânea do norte da Espanha. Estas casas estão situadas em um bosque próximo à praia, especificamente na Costa Brava.

A concepção do projeto foi orientada por um princípio fundamental: dispor as duas moradias de maneira alternada. Essa disposição visa impedir qualquer tipo de obstrução mútua entre elas, garantindo que cada casa tenha espaço para ventilação e preservando uma notável profundidade visual em toda a área do terreno.

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Embora o planejamento do projeto tenha ocorrido em 2016, a construção foi finalizada em duas fases distintas: a primeira em 2018 e a segunda em 2024. Um dos princípios fundamentais adotados no design foi concentrar toda a área interna da casa em um único nível.

Essa decisão arquitetônica fez com que a leve inclinação do relevo fosse perceptível apenas na área externa descoberta, especificamente na região adjacente à piscina, quando comparada ao nível natural do terreno.

O desenho do piso térreo organiza-se em torno de dois espaços de jardim interno abertos. Enquanto a entrada principal da sala de estar se orienta para a parte de trás do terreno, os dormitórios possuem aberturas voltadas para jardins laterais. Estes jardins são resguardados do calor da tarde por muros vazados feitos de tijolos cerâmicos, que estão assentados sobre bancos de concreto que parecem estar suspensos do solo.

Na seção central da edificação, a maioria dos espaços internos foi concebida como «caixas neutras», apresentando paredes e tetos na cor branca. Em contraste, a extensão da estrutura composta por pilares e vigas de concreto foi mantida aparente tanto nos jardins internos quanto em todo o contorno da casa, formando uma espécie de «camada protetora» exposta diretamente aos elementos climáticos.

Estruturalmente, a casa foi erguida utilizando concreto moldado no local, com espaçamentos regulares de 3,5 e 6,5 metros entre os pontos de apoio.

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A estreiteza do lote serviu como ponto de partida fundamental para o desenvolvimento do projeto, ditando aspectos como a implantação, a ventilação e o uso diário da residência.

A construção adota uma hierarquia clara de durabilidade. A estrutura principal, composta por concreto armado e blocos aparentes utilizando o picón — um agregado vulcânico local ligado às tradições construtivas das Canárias —, possui uma vida útil projetada para exceder 80 a 100 anos.

O interior da casa é organizado em uma sucessão de cômodos amplos e interligados. Embora se inspire na lógica da enfilade, estes espaços evitam hierarquias funcionais rígidas, permitindo que as dinâmicas da vida doméstica sejam adaptadas por meio de mobiliário móvel e usos flexíveis. Assim, o lar se configura como um local cujo uso é constantemente negociado pelos moradores, estando aberto à modificação e a apropriação.

Essa maleabilidade funcional possibilita que o edifício funcione tanto como moradia quanto como estúdio, com os dois usos coexistindo e ocupando o espaço conforme as necessidades mudam. Os cômodos e suas conexões permitem que qualquer função se expanda, reduza ou ceda lugar a outra atividade ao longo do tempo, preservando a lógica espacial inerente ao projeto.

Em contraste, divisórias internas, marcenaria e elementos leves possuem uma expectativa de vida útil menor, estimada entre 25 e 40 anos, facilitando sua substituição ou adaptação. As fachadas, por sua vez, são concebidas como camadas técnicas modulares e desmontáveis, com uma longevidade prevista de cerca de 30 a 50 anos, o que permite sua renovação sem comprometer a estrutura de suporte de carga.

Dessa forma, a sustentabilidade do projeto é tratada primariamente pela dimensão temporal: planejar a diferença entre aquilo que deve perdurar e aquilo que pode ser alterado. A casa é vista como uma infraestrutura doméstica capaz de receber novas tecnologias, modos de vida e usos ao longo de sua existência.

Considerando o contexto das Ilhas Canárias, onde a escassez de recursos locais exige a importação de muitos materiais de construção, as decisões construtivas impactam diretamente o custo, o prazo de execução e a viabilidade do empreendimento. Optar por utilizar o que está disponível, apoiar-se em métodos estabelecidos e na força de trabalho local, e evitar soluções desnecessárias, constituem formas de resistência ao excesso. A arquitetura, sendo necessária, direta e profundamente enraizada em seu ambiente, emprega somente o essencial, e seu caráter surge justamente desse limite: uma ética da suficiência.

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O principal desafio arquitetônico consistiu em desenvolver dois imóveis autônomos dentro do mesmo lote. Este projeto precisava equilibrar a independência de cada casa com a potencialidade de uma convivência mais próxima, beirando o caráter comunitário.

Galeria do Projeto

As informações sobre o projeto foram divulgadas pela equipe de projeto e podem ser consultadas através da galeria.

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