O ministro das Finanças manifestou que não prevê contestação ao aumento das propinas no Ensino Superior. Em relação ao orçamento da Saúde, ele reconheceu a possibilidade de necessitar de mais capital este ano, mas assegurou que, a partir de 2027, o pagamento será feito dentro do prazo de 60 dias.
O ministro explicou que o corte orçamental na Saúde ocorreu devido à necessidade de reforçar fundos no ano anterior para saldar pagamentos a fornecedores. Essa situação não se repetirá no próximo ano, pois o setor cumprirá a regra europeia dos 60 dias.
Durante a entrevista, Miranda Sarmento mencionou que, embora não detalhasse os dividendos da REN, o Estado estará presente na Assembleia Geral da REN em maio do próximo ano. Ele considerou a entrada no capital da empresa um bom negócio, mas ressaltou que o fator principal foi a posição de Portugal como um dos poucos países europeus sem participação em empresas desse tipo, o que se tornou crucial face às mudanças geopolíticas e suas implicações energéticas.
Sobre a GALP, o ministro garantiu que o Governo está em diálogo com ambas as companhias para preservar a refinaria da GALP como um ativo estratégico nacional. Quanto ao BCP, Miranda Sarmento afirmou que não foi um tema discutido por ele, referindo que foi uma «total surpresa».
Miranda Sarmento revelou à Antena 1 e ao Jornal de Negócios que tomou conhecimento da viabilização do Orçamento do Estado (OE) apenas após o Secretário-Geral socialista, José Luís Carneiro, abordar o assunto numa entrevista. No programa Conversa Capital, o Ministro elogiou a postura responsável do Partido Socialista (PS), defendendo que seria «inexplicável e irresponsável» que houvesse défice devido a coligações negativas entre PS e Chega o país, visto que as quatro condições impostas pelo PS foram satisfeitas.
Apesar de questionado pela Antena 1 e pelo Jornal de Negócios, o ministro não especificou se estava disposto a governar com um Orçamento deficitário. Referente ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), ele salientou que todos os projetos oriundos do PRR foram aprovados por resoluções do Conselho de Ministros, estando, portanto, adequadamente enquadrados.
No que tange ao Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), Joaquim Miranda Sarmento apontou que existe uma tabela no OE com 267 milhões de euros destinados à reconstrução, o que lhe pareceu «um bocadinho de precipitação» nas declarações do PS. Embora admita a inflação como um problema, ele não acredita que a projeção do Governo mude e prometeu ajustar a ação do Executivo conforme as circunstâncias. Contudo, o IVA zero em bens essenciais está descartado.
Nesta entrevista, o ministro também expressou a expectativa de uma revisão ascendente do PIB nominal, uma estimativa que o INE atualizará em março do próximo ano, o que poderá afetar a dívida pública. Sobre a possibilidade de incluir limites ao endividamento numa futura revisão constitucional, Joaquim Miranda Sarmento declarou não ser favorável a tal mudança, citando rigidez e falta de liberdade para quem governa.
Em resposta às críticas de Mário Centeno ao Orçamento do Estado, o ministro das Finanças rebateu, afirmando que cabe ao ex-governante detalhar melhor os valores apresentados. A entrevista foi conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Paulo Ribeiro Pinto, do Jornal de Negócios.
