Casa MG: Reinterpretação arquitetônica de um edifício residencial dos anos 1930
Leia mais
ArchDaily Brasil
archdaily.com.br

Casa MG: Reinterpretação arquitetônica de um edifício residencial dos anos 1930

A Casa MG, um projeto de startup de arquitetura, foi desenvolvida em um edifício residencial datado da década de 1930. O projeto visa reinterpretar e realçar as características arquitetônicas mais notáveis e emblemáticas desse período, integrando-as em uma linguagem de design que estrutura a reorganização espacial do apartamento.

Um longo corredor direciona os visitantes desde a entrada principal até a espaçosa sala de estar. O hall de entrada é caracterizado por marcenaria personalizada em tom azul-ultramar. Essa tonalidade escura se estende até o teto, criando um limite que convida as pessoas às áreas sociais, ao mesmo tempo em que potencializa a percepção da luz natural nesses espaços.

A sala de estar foi concebida como um cenário para o cotidiano, refletindo a personalidade dos moradores através de móveis icônicos com cores vibrantes inspiradas na estética pop. Este traço distintivo permeia todos os cômodos, manifestando-se de maneira sutil, mas constante, por toda a residência. Assim, a cor transcende a função meramente decorativa, atuando como uma ferramenta arquitetônica para definir atmosferas, transições e relações visuais.

A cozinha está disfarçada atrás de uma divisória deslizante de vidro. Um painel branco com detalhes azuis serve para ocultar alternadamente a entrada ou a própria cozinha. Uma janela redonda, semelhante a um olho de vigia, estabelece conexões visuais e perspectivas sobrepostas entre os diversos ambientes. Este jogo visual transforma o lar em um local onde a descoberta é um processo contínuo, permitindo que os espaços sejam revelados progressivamente, e não de uma só vez.

O conceito de exploração e surpresa se estende à área privada. Nesta seção, a marcenaria de entrada se converte em um cenário funcional que esconde os quartos e o banheiro social, ambos acessíveis por meio deste painel arquitetônico colorido. Dessa forma, a fronteira entre a área de circulação e a área de permanência é intencionalmente suavizada, fazendo com que o deslocamento pelo apartamento faça parte da experiência espacial.

A linha curva, introduzida inicialmente pela forma semicircular da sala de estar — uma homenagem clara ao caráter histórico do apartamento e à fachada proeminente do prédio —, torna-se um motivo recorrente em todo o interior. Ela reaparece em múltiplos detalhes, desde o rodapé curvo incorporado à marcenaria até a abertura circular presente na divisória deslizante de vidro.

O resultado final é um ambiente doméstico que transmite um espírito livre e descontraído, estimulando constantemente a curiosidade e eliminando a possibilidade de monotonia. Cada componente contribui para uma sucessão dinâmica de espaços, harmonizando referências históricas com uma identidade contemporânea e lúdica.

Popular