Muitas pessoas já tentaram explicar por que as zebras nunca foram domesticadas, ao contrário dos cavalos e jumentos. Embora tenha havido tentativas, como registros de europeus tentando domar zebras durante a colonização da África, o processo se mostrou excessivamente trabalhoso para ser viável.
Os europeus demonstravam interesse nas zebras devido à sua resistência natural a doenças comuns nos ambientes onde viviam, uma característica que as diferenciava dos cavalos. Apesar de serem semelhantes, as zebras possuem particularidades além de serem cavalos listrados e ferozes.
Embora existam relatos anedóticos de ingleses, alemães e franceses montando ou utilizando zebras para puxar carruagens, o esforço necessário torna a domesticação impraticável. Capturar uma zebra, que pode atingir velocidades de até 64 km/h, já é um desafio considerável.
No entanto, o problema se agrava após a captura: o corpo das zebras provoca uma reação fisiológica denominada miopatia de captura. Este quadro sintomático inicia-se com problemas musculares e metabólicos agudos e pode culminar em danos cardíacos severos, necrose e morte súbita.
O medo intenso que esses animais experimentam ao fugir de um perigo pode, literalmente, ser fatal. Esse risco elevado é justificado pela maior probabilidade de sobrevivência contra os predadores velozes e potentes da savana. Evolutivamente, as zebras desenvolveram maior vigilância, agressividade, velocidade e tendem a fugir mesmo quando a ameaça está distante.
Essa resposta dramática não é exclusiva das zebras; ela também afeta a maioria dos ungulados (como cavalos, zebras, antas, girafas e javalis) e aves. Enquanto as zebras evoluíram para serem mais assustadiças, cavalos e jumentos perderam esse traço ao migrarem para regiões mais setentrionais, com menor presença de predadores. Eles possuíam miopatia de captura há milhões de anos, mas tornaram-se mais dóceis por não haver necessidade de arcar com o alto custo da bravura.
Em resumo, enquanto cavalos são descritos como corajosos, jumentos e burros como cautelosos, as zebras são caracterizadas como impulsivas e apavoradas. Hipóteses antigas, como a dificuldade de domesticação devido às estruturas sociais, preferências alimentares ou comportamentos reprodutivos e parentais, são frequentemente repetidas, mas não se sustentam, visto que outros equídeos com essas características foram domesticados.
Um estudo realizado em 2024 concluiu que não há correlação estatística entre esses fatores comportamentais e que ainda faltam provas concretas de que eles influenciem o potencial de domesticação. Contudo, os pesquisadores indicaram que a miopatia de captura está relacionada à domesticação, embora isso não signifique causalidade direta, e mais pesquisas são necessárias para confirmar essa suposição.
