Coober Pedy, uma localidade isolada situada na extremidade norte do estado da Austrália Meridional, é notória por um traço incomum: com pouco mais de três mil residentes, praticamente todos os estabelecimentos, incluindo lojas, hotéis e igrejas, estão localizados abaixo da superfície.
A paisagem que se apresenta ao viajante assemelha-se a um cenário de ficção científica. No meio do árido deserto australiano, o horizonte é caracterizado por formações de arenito com buracos escavados, onde reside grande parte da população. Essas moradias subterrâneas evocam as estruturas vistas no planeta fictício Tatooine, conhecido pela saga Star Wars.
Coober Pedy também ostenta o título de “Capital Mundial da Opala”, devido ao mineralóide exótico e belo que historicamente representou o principal valor econômico do município. Uma parcela significativa da produção global de opalas provém das minas da região, especificamente na Cordilheira Stuart, adjacente ao Grande Deserto de Victoria.
Antes da chegada dos assentamentos europeus, o território de Coober Pedy era habitado há milhares de anos por povos aborígenes nômades, que se moviam em busca de recursos hídricos e alimentares. A atividade de mineração ganhou impulso no início de 1915, após um grupo de exploradores denominado New Colorado Prospecting Syndicate descobrir opalas acidentalmente no local. Gradualmente, o povoado cresceu, e em 1920, a comunidade oficializou seu nome, que é uma adaptação de «kupa-piti», termo aborígene frequentemente traduzido como «buraco do homem branco».
Entre os anos de 1960 e 1980, a mineração se estabeleceu como uma indústria extremamente lucrativa. Para fugir das elevadas temperaturas, que frequentemente atingiam cerca de 50 graus nos meses mais quentes, os moradores começaram a construir suas residências e comércios no subsolo. Essa prática resultou em uma cidade parcialmente subterrânea, onde casas, estabelecimentos comerciais, bares, hotéis, cafés e até locais de culto foram projetados sob a superfície.
Nas últimas décadas, devido ao esgotamento das reservas minerais e ao aumento dos custos operacionais de mineração, Coober Pedy redirecionou seu foco econômico para o turismo. Assim, esta cidade enterrada transformou-se em uma atração turística pitoresca.
Um ponto turístico proeminente na área é a Old Timers Mine, uma mina histórica inaugurada há mais de cem anos e mantida como museu. Este local permite visitas guiadas por túneis antigos escavados manualmente, além de exibir uma residência subterrânea datada de 1960, que conserva seus móveis originais.
As habitações subterrâneas, conhecidas como *dugouts*, constituem outra atração notável. Entre elas, a Faye’s Underground Home é uma das mais frequentadas e possui uma história singular: foi construída manualmente por três mulheres ao longo de oito anos. Faye Nayler, inclusive, foi a primeira mulher a trabalhar em uma mina de opala em Coober Pedy. Esta residência, com sua estética *vintage*, ainda conta com uma piscina subterrânea peculiar.
Entre as atrações naturais do deserto australiano, recomenda-se visitar o Kanku-Breakaways Conservation Park, uma área de conservação marcada por colinas de cores vibrantes e paisagens áridas, que, segundo relatos, podem lembrar a superfície de Marte. Este destino é ideal para apreciar a singular beleza do sul australiano e observar um belo pôr do sol.
Próximo a este parque, encontra-se outro local popularmente conhecido como «Moon Plain» (Planície da Lua). Trata-se de uma extensa área rochosa que se assemelha muito ao solo lunar. Devido à sua aparência peculiar, essa região já serviu de cenário para várias produções cinematográficas de Hollywood, como «Mad Max – Além da Cúpula do Trovão», «Eclipse Mortal» e «Planeta Vermelho».
