Um estudo recentemente divulgado concluiu que a exploração de recursos em águas profundas pode resultar em perdas financeiras substanciais para as nações que investem nesse setor, em vez de gerar lucros. As descobertas foram obtidas após submeter as projeções econômicas da própria indústria mineradora a um rigoroso teste de estresse.
A análise demonstrou que, em mais de oito em cada dez cenários considerados realistas (83%), a mineração em mar profundo acaba por destruir valor, mesmo sem levar em conta os custos ambientais ou outros efeitos sociais. Além disso, há uma probabilidade de 61% de os investidores não conseguirem recuperar o capital que aplicaram.
O trabalho, intitulado «Case Not Proven: The Economics of Deep-Sea Mining», foi apoiado por diversas organizações focadas na conservação da biodiversidade e dos oceanos, incluindo a Deep Sea Conservation Coalition (DSCC), Oceans North, União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Dona Bertarelli Philanthropy e Fundação Oceano Azul.
Em contraste com as estimativas da empresa The Metals Company (TMC), que sugere ganhos na casa dos bilhões de dólares, o teste conduzido por esta análise resultou numa média de perdas de 5 mil milhões de dólares, conforme indicado num comunicado conjunto da Fundação Oceano Azul e da DSCC.
Johnny West, autor do estudo e diretor da Koinon Consulting, uma consultoria alemã especializada em finanças, declarou no comunicado que «a mineração em mar profundo não se apresenta como um investimento atrativo. Os retornos são demasiado baixos para os riscos técnicos, operacionais, ambientais, de preço, de procura e de aceitação social envolvidos».
O alerta emitido pelo comunicado estende-se além das empresas exploradoras, indicando que a atividade pode diminuir as receitas públicas provenientes da mineração terrestre, devido ao «efeito de depressão dos preços globais dos metais com a entrada de nova oferta no mercado».
Os governos poderiam enfrentar perdas anuais entre 1,1 e 1,19 mil milhões de dólares no auge da produção, e os Estados patrocinadores estariam sujeitos a riscos «legais e ambientais significativos», segundo o comunicado.
Pradeep Singh, especialista em governança oceânica da Fundação Oceano Azul, reforçou a conclusão, afirmando que «este relatório independente confirma o que muitos especialistas e académicos suspeitavam: a narrativa sobre os benefícios económicos prometidos pela mineração em mar profundo é um mito».
Os autores da análise ressaltam que o estudo não inclui os custos potenciais decorrentes de danos ambientais, nem os impactos mais vastos sobre a pesca, os meios de subsistência e os ecossistemas marinhos, fatores que agravariam ainda mais o balanço econômico.
