Ao procurar um veículo compacto, econômico, mas com personalidade, o autor visitou concessionárias Chevrolet, Fiat, Peugeot/Citroen e Renault no início do ano. Ele buscava um motor turbo com câmbio manual para justificar o investimento em um carro que serviria como principal meio de transporte diário. No entanto, não encontrou a combinação desejada em nenhuma dessas marcas.
Na agência GMB, especificamente, não havia nenhum carro esportivo diferenciado, mesmo nas versões automáticas. O último exemplar esportivo notável da Chevrolet era o Astra GSi 16v, que possuía a sigla esportiva há vinte e um anos, embora o Camaro RS não fosse considerado nesse contexto.
O fim da produção do Astra GSi coincidiu com o início de uma nova fase nos esportivos vendidos no Brasil. Embora a substituição por um Astra SS tenha sido uma perda significativa, outros fabricantes tinham modelos disponíveis no mercado.
Entre 2006 e 2017, houve uma oferta interessante de esportivos relativamente acessíveis, embora nunca baratos. Muitos desses modelos se situavam em faixas de preço inferiores aos atuais Golf GTI, Corolla e Yaris GR, além de Honda Civic Type R, citados como exemplos proeminentes e de edição limitada, difíceis de avistar fora dos grandes centros urbanos.
É relevante notar que esses carros eram mais simples em comparação com seus equivalentes modernos, como Nivus Gti, Pulse Abarth e Jetta GLI, embora a diferença principal residisse na diversidade e quantidade de opções disponíveis.
Diversos carros, alguns lançados antes de 2006 e que passaram por gerações ou melhorias até 2017, marcaram essa época.
ASTRA GSI 16V 2003-2005
O Astra GSi, sucessor do Kadett GSi, e parente do Vectra e Corsa que compartilhavam a mesma nomenclatura e motorização aprimorada, foi produzido até o final de 2005. Ele não teve um sucessor direto no mesmo estilo, sendo substituído por uma versão mais esportivada, o Astra SS, seguindo a tradição da Chevrolet da época.
O GSi apresentava um visual externo chamativo. Apesar de utilizar o mesmo motor de dois litros 16v da versão de luxo GLS, ele possuía uma relação de marchas mais curta e rodas maiores. A suspensão era projetada para reduzir o rolamento em curvas, e os pneus tinham perfil mais baixo. Internamente, contudo, o acabamento era descrito como básico, com bancos normais e sem apoios laterais proeminentes, apresentando apenas um tecido mais colorido.
Embora a fábrica alegasse uma velocidade máxima de 203 km/h, o desempenho em aceleração não era tão impressionante. O peso considerável para a época e o motor de alta rotação, que funcionava melhor em giros elevados, não se harmonizavam bem com acelerações rápidas. Em 2005, com a introdução do motor Flexpower de dois litros e oito válvulas, a família II de 136 cavalos perdeu parte de seu apelo de potência, especialmente por consumir apenas gasolina. A natureza mais agressiva do 16V foi trocada por um motor mais econômico e fácil de operar em baixas rotações, encerrando o ciclo dos esportivos genuinamente nacionais da Chevrolet no Brasil.
FORD KA XR 2001-2007
O Ford Ka XR destacava-se por possuir um motor 60% mais potente que as versões anteriores. Este modelo não era apenas um subcompacto equipado com um motor de carro maior (como Fiesta e Focus); ele foi meticulosamente ajustado em todos os aspectos, incluindo suspensão, freios, direção e relações de marcha, graças a uma engenharia dedicada.
Pode-se comparar o Ka XR a um Sandero R.S. antecipado: um carro comum significativamente aprimorado com um motor maior e grande foco nos componentes auxiliares, visando torná-lo único. Com 95 cavalos e pesando menos de uma tonelada, ele replicava as marcas do antigo Gol GTi quadrado em linha reta, atingindo de 0 a 100 km/h em pouco mais de dez segundos e uma velocidade máxima estimada em 186 km/h. Nas curvas, oferecia estabilidade e precisão, dando grande segurança ao condutor.
O eixo traseiro que descolava em desaceleração não foi percebido na prática. Em contrapartida, a dianteira encurtava o passo em curvas fechadas de maneira notável. Mantido na trajetória correta, o carro demonstrava obediência total, evitando saídas de frente bruscas. O Ka XR era um veículo notável, que posteriormente evoluiu para versões de luxo (Black, com bancos de couro padrão Fusion) e Action 1.6, mas seu legado dourado permanece reconhecido como uma experiência de condução rica e prazerosa.
GOLF GTI MK4, MK4,5 e MK7, 1999-2017
Os modelos GTI foram os mais duradouros entre os citados, embora não fossem os mais populares. Eles sempre mantiveram uma posição de destaque entre aqueles com capacidade financeira para adquiri-los. A Volkswagen utilizou o vasto conhecimento técnico da Audi para desenvolver novas gerações do GTI, focando na potência do turbocompressor e abandonando conceitos complexos como o compressor em G, que não prosperou.
Entre 1999 e 2014, houve três gerações (na realidade duas) do Golf GTI, oferecendo duas opções de motorização e quatro configurações de ajuste de fábrica. O primeiro modelo vinha com um motor 1.8 de 20 válvulas turbo de 150 cavalos, o que era competitivo com o Marea Turbo de cinco cilindros e 182 cavalos daquele ano, oferecendo velocidade e rapidez, mas faltando um toque extra de vigor. Uma atualização trouxe uma versão de 180 cavalos com maior pressão no turbo, tornando o Gol GTI uma alternativa forte ao caro e exclusivo Fiat Stilo Abarth.
Na geração seguinte (2007), que recebeu um leve facelift na mesma carroceria, a potência permaneceu a mesma com gasolina comum, podendo ganhar 13 cavalos com gasolina de alta octanagem. Esse artifício foi usado para competir com o Honda Civic Si (193 cavalos contra 192), que utilizava um motor aspirado de dois litros em altas rotações. O ajuste do turbo foi conservador, mas com gasolina premium, o GTI era mais rápido que seu rival japonês, registrando 0 a 100 km/h em 7,8 segundos, enquanto com gasolina comum chegava a 8,2 segundos, quase empatando com o Civic Si.
Devido ao alto custo, especialmente na versão com câmbio Tiptronic, o GTI vendeu pouco e foi produzido apenas até 2009. É um carro raro de se encontrar, com cerca de 300 unidades, e representou o último Golf GTI com uma caixa manual precisa e envolvente, um privilégio perdido. Em 2013, após um longo intervalo, chegou ao mercado um GTI renovado importado da Alemanha, alinhado aos modelos internacionais.
Nascido na era dos avanços eletrônicos, este Golf se tornou uma plataforma de testes para modificações de diversos níveis. Os 220 cavalos do motor TSI de dois litros eram mais do que suficientes, combinados com o câmbio automatizado DSG de dupla embreagem e seis marchas, proporcionando um desempenho robusto. Era fácil provocar derrapagens até a intervenção do controle de tração, e a troca de marchas ocorria instantaneamente.
Esse desempenho puro e acessível, garantido pela segurança do conjunto de suspensão, freios e direção, despertou o desejo por mais potência. Isso levou à popularização de termos como “stage 1” e “stage 2”. Originalmente, o tempo de 0 a 100 km/h de seis segundos e meio já era excelente. Apesar de ser bonito, moderno e agradável de dirigir, o GTI tornou-se um objeto de desejo e foi lamentado quando deixou de ser produzido em São José dos Pinhais (2015 a 2019), sucumbindo à linha Golf, que deu lugar ao VW T-Cross.
Atualmente, o legado do GTI é visto no alto valor de carros em bom estado com mais de uma década de uso. Enquanto o Golf comum é agradável de dirigir, o GTI atinge seu auge, mas tornou-se quase um carro de imagem em 2026 devido aos preços cobrados pela VW, estando disponível apenas em pequenos lotes importados.
HONDA CIVIC SI 2007/2014
Em 2007, o Civic Si começou a ser fabricado no Brasil, sendo a versão esportiva da oitava geração do sedã médio. Este carro foi reconhecido como inovador desde suas versões mais básicas, tornando-se disruptivo em relação à geração anterior e conquistando muitos consumidores. Seu sucesso pode ser comparado ao Chevrolet Vectra B de 1996, pois ambos elevaram o padrão do segmento de médios em épocas distintas. A Honda possuía uma vantagem clara sobre o Vectra B, que nunca ofereceu uma versão de performance, ao disponibilizar esta variante esportiva.
