Os sete pecados capitais não estão listados na Bíblia, mas sim resultaram de um longo desenvolvimento da espiritualidade cristã, iniciado por volta do século IV. A estruturação desses sete itens é creditada ao Papa Gregório I, que os introduziu em sua obra Moralia in Job, um comentário sobre o Livro de Jó.
A lista assumiu a forma que conhecemos hoje graças a Tomás de Aquino, que a organizou na Suma Teológica. Ele estabeleceu a soberba, e não a vanglória, como o primeiro dos vícios capitais. Essa tradição se espalhou posteriormente através da pregação, da arte e de obras notáveis, como a Divina Comédia de Dante, que estrutura o Purgatório com base nesses vícios.
A palavra deriva do latim 'caput', que significa 'cabeça'. O termo 'capital' não implica que o vício seja mais grave que os demais, mas sim que ele serve como origem para outros pecados, assim como uma cabeça dirige o corpo. É fundamental diferenciar pecado capital de pecado mortal; este último é aquele que quebra a conexão com Deus e requer plena consciência, matéria grave e consentimento deliberado. Um vício capital pode culminar em atos mortais ou veniais, dependendo das circunstâncias.
Em seu sentido estrito, esses 'pecados' são definidos como vícios, ou seja, tendências habituais da alma, e não meros atos isolados. Para cada vício, a tradição aponta uma virtude correspondente para combatê-lo: humildade contra a soberba, generosidade contra a avareza, castidade contra a luxúria, paciência ou mansidão contra a ira, temperança contra a gula, caridade contra a inveja e diligência ou zelo contra a preguiça.
Embora o judaísmo e outras religiões possuam seus próprios conceitos de pecado, a tradição dos vícios capitais é específica do cristianismo. As Igrejas ortodoxas mantêm a herança de autores anteriores, como Evágrio e Cassiano. No meio protestante, a lista é amplamente conhecida e utilizada culturalmente, mas não possui o mesmo peso doutrinário encontrado na teologia católica.
Na teologia cristã, a soberba é vista como a raiz de todos os defeitos morais, sendo a 'rainha' que os governa. Ela se manifesta ao tentar se colocar no lugar de Deus, recusando-se a depender d'Ele. Agostinho e Tomás de Aquino identificam nela a causa da queda de Adão e Eva, que, segundo o relato bíblico de Gênesis, desobedeceram ao consumir o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, após serem tentados pela promessa de 'ser como Deus'. Tecnicamente, o 'pecado original' não é o ato cometido por Adão e Eva, mas sim a vulnerabilidade que a humanidade herdou dessa primeira desobediência, conforme ensina a doutrina católica.
