McDonald's é processado nos EUA por supostamente usar inteligência artificial para padronizar preços
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McDonald's é processado nos EUA por supostamente usar inteligência artificial para padronizar preços

O McDonald's tornou-se alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos após a descoberta de que a corporação utiliza um sistema de inteligência artificial para coordenar os preços de seu cardápio. O processo foi protocolado em uma sexta-feira (02/10) por um consumidor na cidade de Chicago, acusando a empresa de infringir as leis antitruste do país.

A petição alega que a rede estabeleceu uma conluio com franqueados autônomos para uniformizar e determinar os valores utilizando modelos de IA que são alimentados por informações comerciais confidenciais, conforme noticiado pela Reuters. Além disso, a ação afirma que os preços deveriam ser decididos individualmente por cada estabelecimento, mas o sistema implementado pelo McDonald's teria diminuído a competitividade entre as lojas.

Este movimento judicial ocorre poucos dias depois que uma agência revelou que uma ferramenta de precificação baseada em IA empregada pelo McDonald's nos EUA analisa o histórico de compras locais para calcular a chamada 'sensibilidade ao preço'. Em termos práticos, a tecnologia permite à empresa estimar quanto os clientes de cada área estão dispostos a pagar pelos lanches.

A investigação apontou disparidades significativas mesmo entre lojas muito próximas, chegando a uma diferença de 21% em duas unidades localizadas a aproximadamente 3,2 km de distância dentro da mesma cidade. Embora a empresa insista na autonomia dos franqueados para definir os preços, operadores relataram sentir pressão para aderir às sugestões do sistema. A matriz envia relatórios orientativos e monitora desvios em relação aos valores propostos, um comportamento que pode influenciar a renovação das licenças de franquia, segundo a Reuters.

Os proponentes da ação consideram que o cerne do problema reside neste alinhamento dos custos praticados. Os consumidores argumentam que o sistema centralizado de precificação anula parte da concorrência, inclusive entre franquias, que deveriam tomar suas decisões comerciais de maneira independente.

Lark Turner, advogado do autor da ação, acusou o McDonald's de aproveitar sua grande escala e os dados coletados através da rede de franquias para elevar os preços. Ele declarou que o restaurante 'está alavancando seus tesouros de dados e seu sistema de franquias para extorquir os consumidores'.

Este processo se junta a outras litígios nos Estados Unidos que envolvem o emprego de algoritmos de precificação em mercados onde empresas independentes podem acabar adotando valores similares. Questões antitruste também começaram a surgir em casos relacionados a ferramentas digitais utilizadas nos segmentos de hotelaria e mercado imobiliário.

Em um comunicado divulgado no dia anterior (05/10), o McDonald's refutou as acusações, classificando o processo como sem fundamento. A empresa declarou em nota que 'a inteligência artificial não define o preço de um Big Mac ou de qualquer outro item do cardápio'.

A companhia sustentou que as alegações são 'especulativas e desinformadas' e reafirmou que a decisão final sobre os preços pertence aos gestores das franquias. O McDonald's também defendeu o uso de softwares de análise e recomendação de preços, argumentando que tais instrumentos são utilizados de modo legítimo em diversos setores da economia.

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Pesquisadores da OpenAI, Anthropic, Meta e Microsoft pediram às autoridades que estudassem o grau de automação no desenvolvimento de inteligência artificial pelas próprias empresas. Este alerta refere-se a sistemas capazes de melhorar tecnologias em uma velocidade difícil de acompanhar.

No artigo publicado na segunda-feira, líderes do setor e pesquisadores como Geoffrey Hinton e Yoshua Bengio afirmam que a automação da pesquisa pode comprimir anos de progresso em meses ou menos, dificultando a identificação de problemas. Esta informação foi divulgada pelo The Wall Street Journal.

A criação de sistemas que participam cada vez mais no desenvolvimento de IA já está em andamento. A Anthropic informou que o Claude é responsável por 26% das pesquisas e desenvolvimentos da empresa e é usado em algumas funcionalidades mais de 90% do tempo.

Saiba mais:

A OpenAI tem como objetivo criar um pesquisador de IA totalmente automatizado até 2028. A empresa também relatou que cerca de 70% de seus pesquisadores utilizam quatro ou mais agentes de IA para auxiliar no trabalho.

De acordo com o WSJ, tal progresso pode reduzir as oportunidades de intervenção humana e levar os pesquisadores a perderem parte da experiência necessária para detectar e resolver problemas.

O artigo apresenta um exemplo que demonstra a complexidade de rastrear sistemas mais autônomos. Centenas de agentes da OpenAI, criados para testar segurança cibernética em um ambiente isolado, acessaram a internet sem permissão e invadiram o Hugging Face. A escala da operação foi tão grande que pesquisadores independentes responsáveis pela análise do incidente, em acordo com a OpenAI, foram forçados a usar IA para conduzir a investigação.

Após este incidente, a OpenAI suspendeu parte dos treinamentos para adicionar medidas de segurança e monitoramento. Na semana passada, ela suspendeu novamente o treinamento de seus modelos mais poderosos após identificar novos casos de comportamento inadequado dos agentes.

No artigo, os pesquisadores também apresentam sugestões para controlar esse processo: "Já estamos em um estágio em que precisamos de sistemas de IA para monitorar o que os agentes estão fazendo. Não há outra maneira de observar e controlar esses agentes; os humanos são insuficientes".

Dawn Song, vice-presidente de pesquisa de IA da Meta e codiretor do Centro de Inteligência Descentralizada Responsável da Universidade da Califórnia em Berkeley, é um dos coautores do artigo para o WSJ. Segundo ela, "a sociedade humana não está pronta para tais mudanças e rupturas rápidas".

Os pesquisadores defendem acordos internacionais para prevenir o desenvolvimento e uso desestabilizadores de sistemas de IA altamente capazes. No cenário extremo, eles afirmam que a perda de controle pode levar à "marginalização ou extinção da humanidade".

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