Trump atribui aumento do preço do petróleo a ataques ucranianos a refinarias russas, afastando Irã
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Trump atribui aumento do preço do petróleo a ataques ucranianos a refinarias russas, afastando Irã

Donald Trump, presidente dos EUA, responsabilizou os ataques ucranianos contra refinarias de petróleo russas pelo elevado custo da gasolina nesta segunda-feira, afirmando que o conflito com o Irã não era mais o fator determinante.

Em sua rede social Truth Social, Trump declarou que o que estava elevando o preço da gasolina não era mais o Estreito de Ormuz, visto que registros de barris estavam sendo exportados quase diariamente. Em vez disso, ele apontou para a destruição das refinarias russas pela Ucrânia.

Além disso, Trump também culpou o que ele descreveu como o fechamento de refinarias localizadas em estados controlados por democratas adversários. Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o mercado tem monitorado de perto os impactos desse confronto no preço do petróleo.

As paralisações na produção e no transporte geraram receios de escassez de oferta, especialmente devido ao Estreito de Ormuz, uma das vias cruciais para o petróleo oriundo do Oriente Médio. Oito meses após tentativas infrutíferas de um acordo de paz, o petróleo voltou a subir, mesmo com a reabertura da rota, ultrapassando os US$ 100 por barril no Brent, referência internacional, na quinta-feira (1º).

Apesar da recuperação das exportações do Golfo Pérsico — área marítima do Oriente Médio com grandes produtores de petróleo —, que atingiram 23,3 milhões de barris por dia na última semana de setembro, conforme estimativa do Goldman Sachs, o preço permaneceu alto.

O que ocorreu com o petróleo durante a guerra?

O embate entre EUA e Irã intensificou a apreensão sobre o suprimento da commodity, dado que o Oriente Médio abriga alguns dos maiores produtores mundiais. O foco principal recaiu sobre o Estreito de Ormuz, um canal que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e é utilizado para escoar petróleo de nações como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Quando o trânsito na região foi comprometido, surgiu o temor de menor chegada de petróleo ao mercado global. Isso provocou a alta dos preços antes mesmo de uma carência real, pois compradores e investidores passaram a contabilizar o risco de uma interrupção prolongada.

A elevação do petróleo impacta a economia ao encarecer combustíveis como diesel e gasolina, além de aumentar os custos de transporte de bens e pessoas. Este aumento de custos pode pressionar os valores de outros produtos e contribuir para um índice inflacionário superior.

Embora a retomada do transporte pelo estreito tenha mitigado parte dessa preocupação, ela não cessou totalmente. Um dos motivos para a persistência da alta reside no fato de que a recuperação do mercado petrolífero não ocorreu de maneira uniforme em toda a cadeia produtiva.

O petróleo bruto retornou a circular em volumes próximos aos patamares anteriores, contudo, os derivados já processados, como querosene de aviação, diesel e gasolina, continuam com exportações aquém do esperado. Isso ocorre porque o conflito também afetou as refinarias e elevou os riscos logísticos para o transporte desses produtos, o que significa que pode haver petróleo bruto disponível, mas ainda há dificuldades para transformá-lo em combustíveis e distribuí-los aos consumidores.

Felipe Sant'Anna, analista da Axia Investing, ressalta a importância de diferenciar estas fases: «Uma coisa é a produção, outra coisa é o refino, outra coisa é a mobilidade, a exportação, seja por oleodutos ou seja mesmo por navios petroleiros».

Estoque baixo mantém pressão sobre o petróleo

De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), os estoques globais de petróleo diminuíram em 507 milhões de barris desde fevereiro. No mesmo período, os países membros liberaram mais de 300 milhões de barris de suas reservas emergenciais. Com os estoques reduzidos, empresas e governos têm potencial para aumentar suas compras visando formar reservas de segurança, o que sustenta a pressão sobre os preços.

Mesmo com a reapertura do Estreito de Ormuz, o mercado ainda avalia o risco de novos problemas no abastecimento. Uma nova escalada bélica ou ataques a instalações de produção, refinarias e embarcações poderiam reduzir a oferta e elevar novamente os custos.

Sant'Anna comenta que «essas tensões que nós temos e essa incerteza fizeram com que muitos países guardassem petróleo para si e não quisessem mais ‘abrir essa torneira’ para o mundo, o que faz com que os investidores precifiquem os contratos futuros de petróleo para cima».

Adicionalmente, a chegada do inverno no Hemisfério Norte também pode exercer pressão sobre os preços da matéria-prima, visto que isso implica um aumento no consumo de energia nos EUA e na Europa. O analista afirma: «Quando o inverno chegar no hemisfério norte, o consumo de energia e principalmente energia de petróleo, né, gás natural, petróleo e derivados, vai aumentar muito».

O governo alemão implementou reduções nos impostos sobre gasolina e diesel para amenizar o impacto do aumento dos combustíveis sobre consumidores e empresas.

O que precisa acontecer para o petróleo voltar a cair?

Maria Carolina Luchesi, analista da Hike Capital, aponta que uma desvalorização mais estável dos preços depende da concretização de três elementos: a recuperação sustentada das exportações; a retomada da produção que foi interrompida; e a normalização do mercado de combustíveis.

A EIA prevê que, em média, 5,7 milhões de barris por dia de produção permanecerão parados no quarto trimestre, projetando que a maior parte da produção do Oriente Médio retorne a níveis próximos aos pré-conflito no segundo trimestre de 2027.

Isso significa que o mercado necessita de maior certeza de que o petróleo continuará chegando aos consumidores, que as refinarias operarão normalmente e que os estoques começarão a ser repostos.

Nesta sexta-feira (2), o petróleo voltou a negociar abaixo de US$ 100 após notícias de que nações poderiam liberar reservas de diesel e petróleo para incrementar a oferta global. Segundo a Reuters, países da União Europeia debatem a liberação de 50 milhões de barris de diesel, enquanto membros da Agência Internacional de Energia poderiam disponibilizar outros 50 milhões de barris de petróleo.

Enquanto isso, EUA e Irã permanecem em impasse após meses de guerra e negociações fracassadas. As principais divergências giram em torno do programa nuclear iraniano, das sanções americanas e da reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã exige o fim das sanções e garantias para retomar diálogos, ao passo que os EUA demandam restrições ao programa nuclear e liberdade de navegação na região.

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