Em Minas Gerais, na Catedral de Mariana, um órgão com quase 300 anos de história permaneceu em silêncio por quase uma década. Após um extenso processo de restauração, que incluiu o envio de componentes para a Espanha, o instrumento voltou a emitir sons. Desde abril, ele pode ser ouvido regularmente em eventos promovidos pela Arquidiocese da cidade, reconhecida como a primeira capital de Minas Gerais.
Este órgão, que possui status de patrimônio tombado, tornou-se um ponto de destaque no templo de Mariana. A basílica, datada do século XVIII, exibe características arquitetônicas coloniais e elementos barrocos de diferentes épocas.
Sua construção original ocorreu na Alemanha no início dos anos 1700, e ele é famoso pelo nome de seu fabricante, Arp Schnitger. Inicialmente, o instrumento foi destinado a Portugal, onde se tornou propriedade da realeza. Posteriormente, foi doado à então Diocese de Mariana.
O desejo do rei Dom João V não foi concretizado em vida, pois ele faleceu em 1750, três anos antes da transferência do órgão para o território brasileiro. Este projeto foi finalizado por seu sucessor, Dom José I, que organizou o transporte transatlântico em navio. Ao chegar, as partes desmontadas tiveram que percorrer longas distâncias pelas serras mineiras, transportadas em mulas.
O órgão da Catedral de Mariana é notável por ser o único instrumento de Arp Schnitger fora da Europa e representa uma raridade mundial. Construído por volta de 1701 na Alemanha, ele viajou por Portugal, cruzou o oceano em caixas e chegou ao Brasil em 1752 como presente da Coroa Portuguesa para a recém-fundada Diocese de Mariana. Ele funciona como uma cápsula sonora barroca preservada nas montanhas de Minas Gerais.
Durante quase dois séculos, o órgão tocou em cerimônias religiosas, impressionando com sua estrutura complexa, composta por mais de 900 tubos e seus ornamentos elaborados. É considerado o único equipamento com tais especificações instalado em um local fora da Europa.
Com o passar do tempo, a ausência de manutenção adequada levou ao silêncio do instrumento, e ele parou de funcionar na década de 1930. Posteriormente, à medida que sua relevância histórica se tornou conhecida, houve esforços contínuos de tombamento e restauração, especialmente a partir dos anos 1970. A intervenção mais recente para recuperá-lo na Espanha visou combater os danos causados por uma infestação de cupins.
Embora seja um elemento fixo na Catedral de Mariana, o órgão só é tocado em ocasiões específicas. A partir de abril de 2026, pessoas interessadas em ouvir o instrumento secular podem visitar a igreja nos sábados do segundo e quarto fim de cada mês, durante os concertos. Há uma taxa de entrada de R$ 80, com possibilidade de meia-entrada para idosos, professores e estudantes mediante apresentação de comprovantes. Os ingressos estão disponíveis na bilheteria da Catedral.
Para apreciar o órgão gratuitamente, é necessário acompanhar a programação de festividades religiosas, sendo a Semana Santa um período com maior probabilidade de apresentações. Mais detalhes podem ser consultados no site da Arquidiocese de Mariana.
